Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Vinho, Castanha e Papoilas

 

(montagem de minha autoria a partir de imagens retiradas da internet)  

 

São Martinho soldado do império,

Que atravessas os Alpes na intempérie

Para regressares à tua morada,

Voltas à tua casa ansiada.

 

Num abraço solidário, de alma santificada,

Cortas com a tua espada, a encarnada,

A rubra capa que te cobre,

Para com meia agasalhar o que te sai ao caminho - o pobre.

 

Quando tal acontece, tens mesmo ali,

Um milagre de Deus, que é para ti…

O teu Verão aparece e premeia,

A tua acção homenageia.

 

Outros soldados p’la guerra pereceram,

Séculos depois, por todo lado morreram,

E outros ainda, ficaram magoados,

Com membros e corpos estropiados.

 

Todos os dias morrem ainda, com ou sem razão,

Deixando para trás, famílias sem pão,

Ou então, bem pior que a morte,

Deus não dá melhor sorte.

 

A todos esses, que passados ou presentes,

Estão em nossa memória, tal como os seus parentes,

Deixamos a papoila a esvoaçar,

Pois para sempre a Flandres faremos recordar.

 

Beberemos o vinho, comeremos a castanha,

Brindamos a São Martinho e sua façanha,

Lembraremos os mortos na guerra,

Plantaremos no peito, a papoila da terra.

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 16:00
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O beijo de Judas

 

 

Aquele que escreve será traído

um dia algum leitor apontará

a palavra interdita

e o sentido escondido no sentido.

O beijo de Judas está dentro da própria escrita

e aquele que escreve está

perdido. De nada serve

dizer este é o meu vinho este é o meu pão.

O beijo de Judas vai ser dado. Quem escreve

tem uma lança apontada ao coração.

 

Não se perdoa a dádiva de si

a canção que se canta ou a breve tão breve

alegria de partilhar o corpo e a palavra.

Quem reparou em Getsemani

naquele que não se ria nem se dava?

Já outra vez se levantou e se deteve

alguém vai ser traído agora aqui

seu olhar te designa: Tu és aquele que escreve

e a tua própria mão aponta para ti.

 

Manuel Alegre

 

publicado por Lagash às 16:20
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Prisão servil

 

 

Vil prisão servil

esta do meu peito

onde bate o amor

a portas fechadas.

Abrem-se alas

de amores fugazes.

Vontade p’lo dia e eu a noite,

querem o pão e eu o vinho.

Assim, sem querer, sem explicação,

sem amor…

 

Mário L. Soares

(mote de Fernando Pessoa)

 

publicado por Lagash às 16:28
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Domingo, 19 de Abril de 2009

Porquê

 

 

Porquê, me pergunto

das questões da vida existenciais.

A razão de ser de coisas banais,

volto e como mais um bocado de presunto…

 

Indago as causas.

Perscruto no mundo a origem e o caminho,

e bebo com gosto um trago de vinho.

Continuo em frente, agora sem pausas.

 

Interrogo e tento saber o que é,

sem sentido nenhum,

sem final algum.

O melhor, agora, é beber um café…

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 16:02
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Domingo, 29 de Março de 2009

Bocas Roxas de Vinho

 

 

Bocas roxas de vinho,

Testas brancas sob rosas,

Nus, brancos antebraços

Deixados sobre a mesa;

 

Tal seja, Lídia, o quadro

Em que fiquemos, mudos,

Eternamente inscritos

Na consciência dos deuses.

 

Antes isto que a vida

Como os homens a vivem

Cheia da negra poeira

Que erguem das estradas.

 

Só os deuses socorrem

Com seu exemplo aqueles

Que nada mais pretendem

Que ir no rio das coisas.

 

Ricardo Reis

 

publicado por Lagash às 16:11
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Sábado, 28 de Março de 2009

Vinho do teu corpo

 

 

Bebo o vinho do teu corpo

Devagar como se a boca

Fosse uma flor onde o tempo

Desenha um mapa da vida

Corre o vinho do teu corpo

Nos lençóis da madrugada

E há carícias debruçadas

À janela do silêncio

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

E provo o vinho do teu corpo

Gota a gota e beijo a beijo

Como quem recolhe o sonho

De entre os dedos de um sorriso

Corre o vinho do teu corpo

Nos regatos do luar

Que hão-de vir desaguar

Mansamente nos meus braços

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Devagar e quase a medo

Na surpresa dos segredos

Copos cheios de prazer

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Gota a gota beijo a beijo

 

Neruda

 

Obrigado ao Toxico, que por acaso é da minha terra natal, e que fez o que ninguém ainda tinha feito – transcrever a letra desta música e partilhá-la com o mundo no seu blog - http://naoassesmaiscarapausfritos.blogspot.com/

 

Parabéns aos Neruda, que têm aqui um grande êxito e que augura um futuro fantástico. Parabéns a eles, continuem e a todos os que gostaram como eu, comprem o CD. Visitem também o myspace da banda onde têm outras boas músicas como ”As queixas que a natureza nos faz” - http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=446661481

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:22
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

Alegre Natal

 

 

Natal é época de coisas boas,

De estar com a família e gostar

Comer doces e engordar,

É estar em harmonia com as pessoas.

 

Beijar uma criança e sorrir,

Dar presentes e beber vinho,

Estar no quente, sem querer partir,

Com o pinheiro e azevinho.

 

Há quem não tenha tanta sorte,

Quem não tenha família…

Quem prefira a morte…

 

Há também quem não tenha tecto.

Aos que nada têm e estão aflitos,

Vai a minha simpatia e este soneto.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:18
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Vinho, Castanha e Papoilas

 

(montagem de minha autoria a partir de imagens retiradas da internet) 

 

São Martinho soldado do império,

Que atravessas os Alpes na intempérie

Para regressares à tua morada,

Voltas à tua casa ansiada.

 

Num abraço solidário, de alma santificada,

Cortas com a tua espada, a encarnada,

A rubra capa que te cobre,

Para com meia agasalhar o que te sai ao caminho - o pobre.

 

Quando tal acontece, tens mesmo ali,

Um milagre de Deus, que é para ti…

O teu Verão aparece e premeia,

A tua acção homenageia.

 

Outros soldados p’la guerra pereceram,

Séculos depois, por todo lado morreram,

E outros ainda, ficaram magoados,

Com membros e corpos estropiados.

 

Todos os dias morrem ainda, com ou sem razão,

Deixando para trás, famílias sem pão,

Ou então, bem pior que a morte,

Deus não dá melhor sorte.

 

A todos esses, que passados ou presentes,

Estão em nossa memória, tal como os seus parentes,

Deixamos a papoila a esvoaçar,

Pois para sempre a Flandres faremos recordar.

 

Beberemos o vinho, comeremos a castanha,

Brindamos a São Martinho e sua façanha,

Lembraremos os mortos na guerra,

Plantaremos no peito, a papoila da terra.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:14
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Afasta de mim este cálice

 

 

Malfadado vinho que me toldas a mente!

Álcool que embriagas a alma

E tudo à volta desaparece de repente,

Sem que nada perca a sua calma.

 

Cálice que não te afastas de mim

Serpente que a minha maçã mordes!

Quem te trouxe até aqui?

Porque não me largas e me cobres?

 

Tenho esperança que saias da minha vida…

Peço-te, deixa-me, por favor, viver…

Pagarei eu para sempre esta dívida?

Livra-me deste tormento, estou a sofrer!

 

Entrego-me, farei o que queres, pronto,

Não te dou a minha alma, mas dá-me a vida de volta.

Paremos agora o nosso confronto…

Desejo-o tanto, sinto agora que se solta…

 

Mas… que queres tu?

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 20:12
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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