Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Matéria

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

E no entanto, meu amigo, não é de evidências, mas de intangíveis, que se faz essa fugaz matéria a que chamamos amor. Faz-se de uma substância estranha, mutante e imprevisível, apenas materializada na surpresa que de repente nos devolve o espelho: um corpo que desconhecíamos, um olhar perplexo. Faz-se de um súbito sobressalto que nos invade as entranhas, um imperioso capricho da pele, um inapelável desassossego. Faz-se de um gesto irreprimível, todo languidez e impotência. Faz-se da essência dos rios, correndo em curso livre até se precipitarem num mar que nunca viram, mas sabem ser o seu único destino. E faz-se da placidez dos lagos. Faz-se da beleza terrível de um incêndio, da voragem de um tornado, do mortífero poder de um raio. Faz-se de clarividência e de cegueira, de lucidez e de loucura. Faz-se de júbilo e de angústia. Faz-se de pudor e de lascívia. Faz-se do mais magnífico festim e da mais insuportável solidão. Faz-se de glória e de miséria, de riso e de pranto, de cobardia e de audácia, de música e de silêncio, de luz e de sombra. Faz-se de guerra e de paz. De vida e de morte. De tudo. De nada.

 

Ana Vidal

http://portadovento.blogs.sapo.pt/

 

 

publicado por Lagash às 16:13
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Elevação

 

 

Para além dos horizontes,

Haverá casas, campos e montes

Para cá do fim dos mundos,

Estão os verdes fecundos…

 

A vida procria, é contínua, natural

E vai por aí fora, p’los dias normal,

Segue o escrito e a pedra, só, marca,

Vem sobre nós e açambarca…

 

Domina o que deve ser verde,

Abraça o que é belo e perde

Tudo, e em harmonia sufoca,

Não liberta o que ela provoca.

 

Sente-se o que se sente

Mas nunca o temos de presente,

Fazemos o melhor que podemos,

Somos o que ela nos diz e não queremos.

 

Vamos pelo caminho que indica,

Reparamos que a vida prevarica…

É tarde e estamos para cá do norte…

Não vemos e vamos com vida à morte.

 

Renascemos, então, para uma coisa nova…

Que coisa boa, sim, vejo para fora da cova!

Céu azul e perfume, sou elevado

Dum fundo para um relvado…

 

Tenho novos olhos e não temo a morte,

Sei o que sou, para onde vou e a minha sorte.

Tenho um novo caminho conhecido…

Pergunto-me o que faria e que morte teria, se não tivesse renascido?

 

Mário L. Soares

(pintura de Cynthia Breusch "Flying Man #1")

 

publicado por Lagash às 16:19
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Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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