Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Será que é a morte que chama por mim?

 

 

Será que é a morte que chama por mim?

Será que caí em sorte e me enterram na lama?

Por que nada ouço?

Por que não te ouço?

Sinto-me fraco,

sinto-me outro,

noutra condição que não a humana.

 

Ainda me recordo de ti...

Talvez tu, também, de mim!

 

Mas já é tarde... e escurece.

Fecham-se-m'os olhos

cobertos pela lama.

 

Acordo.

 

Imagem fraca e diluída.

Senti-me só.

Senti tanta agonia.

Não te senti, meu amor.

Senti que havia chegado a minha hora.

Procuro-te na cama:

"Como senti a tua falta!"

Chego-me junto a ti

e abraço-te tal como no primeiro dia.

 

Vicente Roskopt

mais poesia do Vicente Roskopt em http://osedutorfarsolas.blogspot.com/

 

publicado por Lagash às 16:19
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Solidão

 

 

Aproximo-me da noite

o silêncio abre os seus panos escuros

e as coisas escorrem

por óleo frio e espesso

 

Esta deveria ser a hora

em que me recolheria

como um poente

no bater do teu peito

mas a solidão

entra pelos meus vidros

e nas suas enlutadas mãos

solto o meu delírio

 

É então que surges

com teus passos de menina

os teus sonhos arrumados

como duas tranças nas tuas costas

guiando-me por corredores infinitos

e regressando aos espelhos

onde a vida te encarou

 

Mas os ruídos da noite

trazem a sua esponja silenciosa

e sem luz e sem tinta

o meu sonho resigna

 

Longe

os homens afundam-se

com o caju que fermenta

e a onda da madrugada

demora-se de encontro

às rochas do tempo

 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

 

publicado por Lagash às 16:18
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Domingo, 23 de Novembro de 2008

Dom Francisco Manuel de Melo (Soneto I)

Soneto I

Formosura, e Morte, advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura.

  

 

("Weeping Angel" no Friendship Cemitery em Colombus, Mississipi, por Natalie Maynor)

 

Armas do amor, planetas da ventura

Olhos, adonde sempre era alto dia,

Perfeição, que não cabe em fantasia,

Formosura maior que a formosura:

 

Cova profunda, triste, horrenda, escura,

Funesta alcova de morada fria,

Confusa solidão, só companhia,

Cujo nome melhor é sepultara:

 

Quem tantas maravilhas diferentes

Pode fazer unir, senão a morte?

A morte foi em sem-razões mais rara.

 

Tu, que vives triunfante sobre as gentes.

Nota (pois te ameaça uma igual sorte)

Donde pára a beleza, e no que pára.

 

Dom Francisco Manuel de Melo

 

publicado por Lagash às 10:15
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Espero por ti

 

 

Espero, por ti eu espero,

Aguardo uma palavra tua,

A tua boca anseio e quero…

Beija-la e olhá-la nua…

 

Tenho esperança, por ti,

Gostava de apenas te ver,

Recordo, e aguardo aqui…

Na ilusão de um dia te ter.

 

Abraço a minha solidão,

Seguro o meu impulso,

Choro sobre o meu coração.

 

Só, fico, farrapo, sem ti,

Olho os cantos… imagino,

Penso, para mim, tu estás aqui.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:04
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Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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