Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Morte de Natália Correia

 

(Natália Correia por Mário L. Soares) 

 

Natália de Oliveira Correia nasceu em Fajã de Baixo, na ilha de São Miguel nos Açores em 13 de Setembro de 1923, e morreu em Lisboa a 16 de Março de 1993, foi uma intelectual, poetisa e activista social, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. Deputada à Assembleia da República de 1980 a 1991, interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Foi a autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC)

 

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. Foi uma figura central das tertúlias que reuniam em Lisboa nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas nas décadas de 1950 e 1960. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.

 

Quando tinha apenas onze anos o pai emigrou para o Brasil, fixando-se Natália com a mãe e a irmã em Lisboa, cidade onde fez os seus estudos liceais. Iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infanto-juvenil mas rapidamente se afirmou como poeta.

 

Notabilizou-se através de diversas vertentes da escrita, já que foi poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, tornou-se conhecida na imprensa escrita e, sobretudo, na televisão, com o programa Mátria, onde advogou uma forma especial de feminismo – afastado do conceito politicamente correcto do movimento — o matricismo —, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.

 

Dotada de invulgar talento oratório e grande coragem combativa, tomou parte activa nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no apoio às candidaturas para a Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969). Foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia, uma das grandes editoras portuguesas do tempo.

 

A sua intervenção política pública levou-a ao parlamento, para onde foi eleita em 1980 nas listas do PPD (Partido Popular Democrático), passando a independente. Foi autora de polémicas intervenções parlamentares, das quais ficou célebre, num debate sobre o aborto, em 1982, a réplica satírica que fez a um deputado do CDS sobre a fertilidade do mesmo.

 

Fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), David Mourão-Ferreira ("a irmã que nunca tive"), José-Augusto França ("a mais linda mulher de Lisboa"), Luiz Pacheco ("esta hierofântide do século XX"), Almada Negreiros, Mário Cesariny ("era muito mais linda que a mais bela estátua feminina do Miguel Ângelo"), Ary dos Santos ("beleza sem costura"), Amália Rodrigues, Fernando Dacosta, entre muitos outros. Foi uma entusiasmada e grande impulsionadora pelo aparecimento do espectáculo de café-concerto em Portugal, na figura do polémico travesti Guida Scarllaty, o actor Carlos Ferreira, na época um jovem arquitecto de quem era grande amiga. Na sua casa, foi anfitriã de escritores famosos como Henry Miller, Graham Greene ou Ionesco.

 

Natália Correia recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade; era já detentora da Ordem de Santiago.

 

Natália Correia casou quatro vezes. Após dois primeiros curtos casamentos, casou em Lisboa a 31 de Julho de 1953 com Alfredo Luiz Machado (1904-1989), a sua grande paixão, bem mais velho do que ela e já viúvo, casamento este que durou até à morte deste, a 17 de Fevereiro de 1989. (São já notáveis as cartas de amor da jovem Natália para Alfredo Luiz Machado.) Em 1990, tinha Natália 67 anos de idade, celebrou um casamento de conveniência com o seu colaborador e amigo Dórdio Guimarães.

 

Na madrugada de 16 de Março de 1993, morreu, subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim. A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa), constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada.

 

Fonte: Wikipédia com algumas (poucas) alterações da minha autoria.

 

Acrescento que é uma das minhas poetisas favoritas, principalmente pela sua “força” e frontalidade – traço de personalidade que tento incluir (pela pura imitação por admiração ao belo) na minha vida.

 

Natália Correia tem na poesia um estilo muito próprio que nos transporta do dia a dia, a um imaginário palpável, interventivo e acutilante, sempre muito directo. Tem também nos seus mais românticos poemas uma doçura apaixonada de uma menina de 16 anos.

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 10:19
link | comentar | favorito
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Morte de Maluda

 

(Maluda no atelier em Fevereiro de 1973 por Nuno Calvet) 

 

Maria de Lurdes Ribeiro, conhecida por Maluda, nasceu em Pangim, em Goa, no então Estado Português da Índia, a 15 de Novembro de 1934 e morreu em Lisboa a 10 de Fevereiro de 1999.

 

Viveu desde 1948 em Lourenço Marques (actual Maputo), onde começou a pintar e onde formou, com mais quatro pintores, o grupo que se intitulou "Os Independentes", que expôs colectivamente em 1961, 1962 e 1963. Em 1963 obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa. Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, bolseira da Gulbenkian. Aí trabalhou na Académie de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.

 

 

(As Ruinas do Carmo - Maluda) 

 

Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso, registando cerca de 15.000 visitantes e lhe deu grande notoriedade a partir de então.

 

Entre os anos de 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça.

 

A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado.

 

Em 1979 recebeu o Prémio de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Nesse ano realizou ainda uma exposição na Fundação Gulbenkian em Paris. A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os CTT. Dois selos da sua autoria ganharam, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o prémio mundial para o melhor selo. Em 1994 recebeu o prestigiado prémio Bordalo Pinheiro, atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da "Lisboa Capital da Cultura", realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

 

 

(Alcácer do Sal - Maluda 1983) 

 

Em 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.

 

Maluda morreu em Lisboa em 1999, aos 64 anos. Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.

 

Fonte: Wikipédia

 

publicado por Lagash às 10:17
link | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Lady Godiva

(Lady Godiva, pintura da autoria de John Collier) 

 

Quem te ousa olhar Lady?

Alguém que em ti a vista ponha…

Verá presente de Deus em ti

Será pela última vez que sonha.

 

Conseguiste com o teu abraço,

Conquistar o mundo teu amante,

Fizeste com inteligência um laço,

Pelo amor do povo, teu amante.

 

Que pacto bem estudado,

Jogas as armas do teu ser,

Usas o corpo, bem torneado,

E pedes auxílio a quem não vê.

 

Godiva do encanto do povo,

Que lenda és agora pelo feito teu,

Serás recordada sempre e de novo,

Pelo olhar que é doce meu.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Praia das Maçãs

 

("Praia das Maçãs" de José Malhoa - 1918) 

 

A névoa estendeu o manto

rasgam-se os olhos de espanto

tudo é bruma

tudo é espuma e maresia

 

Hoje não veio a bonança

a areia ensaia uma dança

de torpor

ao sabor da ventania

 

Praia das Maçãs

onde ladrilho a saudade

em nebulosas manhãs

 

A nortada não acalma

um remoinho na alma

pé-de-vento

ao relento da alvorada

 

A falésia tinge de ouro

o imenso sorvedouro

do passado

no brado da madrugada

 

Praia das Maçãs

onde é agreste a verdade

de mil ventos tecelã

 

Senhora das tempestades

leva contigo as saudades

de outros dias

litanias de cetim

 

Enleia em algas molhadas

as lembranças condenadas

e os presságios

dos naufrágios que há em mim

 

Praia das Maçãs

onde só o mar invade

os incertos amanhãs

 

Ana Vidal

http://violinosnotelhado.blogspot.com/

 

publicado por Lagash às 16:17
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Noblesse Oblige

 

(pintura de Michelangelo no tecto da Capela Sistina no Palácio Apostólico na Cidade do Vaticano) 

 

Acredito que todo o Homem, na sua essência, no seu âmago tem o bom, o bem e a bondade. Ninguém no seu perfeito juízo poderá, ou sem outros mottos terá a necessidade ou a vontade de fazer mal. O Homem não é assim!

 

Foi criado à imagem de Deus – e essa premissa é essencial para a coerência desta exortação – sem crer nela não fará sentido tudo o resto. Não é que o Homem seja divino, mas sim que tem os traços gerais do divino… no seu mais profundo ser, os seus princípios são nobres – e de uma nobreza máxima e sem igual.

 

É o Homem portanto o ser que tem no mundo o rosto de Deus. Sente (ou deverá sentir) essa responsabilidade. Com o cargo vem o trabalho. Com o poder vem a responsabilidade. Com a vida vem a morte. Com a humanidade vem o ser (entenda-se verbo ser) humano. Com a nobreza vem a obrigação.

 

Noblesse oblige

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 16:18
link | comentar | ver comentários (2) | favorito
Domingo, 23 de Novembro de 2008

Ninho

 

(pintura de Gustave Coubert - A origem do mundo - 1866)

 

Dá-me o teu ninho,

Deixa-me aninhar um bocadinho,

Sentir o cheirinho

Beber do teu vinho.

 

Quero na portagem passar,

E no abrigo, em ti, entrar,

Com prazer, tua pele, quero suar,

E da tua carne saborear.

 

Leva este teu amigo,

Para a cama contigo,

Que de ti é tão parecido,

Abraça o amor comigo.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
link | comentar | favorito

Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

mais sobre mim

procurar em Lagash

 

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

Morte de Natália Correia

Morte de Maluda

Lady Godiva

Praia das Maçãs

Noblesse Oblige

Ninho

arquivos

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

tags

todas as tags

links

blogs SAPO

subscrever feeds