Domingo, 31 de Janeiro de 2010

A Inigualável

 

 

Ai, como eu te queria toda de violetas

E flébil de cetim...

Teus dedos longos, de marfim,

Que os sombreassem jóias pretas...

 

E tão febril e delicada

Que não pudesse dar um passo -

Sonhando estrelas, transtornada,

Com estampas de cor no regaço...

 

Queria-te nua e friorenta,

Aconchegando-te em zibelinas -

Sonolenta,

Ruiva de éteres e morfinas...

 

Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata -

Teus frenesis, lantejoulas;

E os ócios em que estiolas,

Luar que se desbarata...

 

……………

 

Teus beijos, queria-os de tule,

Transparecendo carmim -

Os teus espasmos, de seda...

 

— Água fria e clara numa noite azul,

Água, devia ser o teu amor por mim...

 

Mário de Sá-Carneiro

 

publicado por Lagash às 16:12
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Sábado, 23 de Maio de 2009

Tocas-te

 

 

Tocas-te suavemente no quente dos lençóis, e o suor inunda o quarto. As janelas embaciadas apenas deixam entrar a luz do nascer do dia por entre as pequenas aberturas das persianas por onde entram também os olhares de um ou outro passeante que por ali tenha a sorte de andar.

 

O cheiro eleva-se no ar e mistura-se com o da torrada queimada que fizeste há pouco e com a barra de incenso de ontem já apagada no apoio, murcha e sem vida.

 

Um bafo de gata assanhada meio abafado faz-se ouvir seguido de duas ou três inspirações rápidas pelo meio dos dentes e interrompidas por espasmos…

 

Mais um pouco de movimento e mais um gemido.

 

Viras-te para cima e olhas o céu que está para lá do telhado da casa junto dos teus pensamentos mais fantasiosos. A mão esquerda toda o peito, esfregando os mamilos como se de limpeza precisassem e estes respondem apontando o infinito. A direita lá em baixo, peganhenta e molhada, atolando-se nos folhos do teu íntimo. Fechas os olhos outra vez e viras a cara para o lado direito, com o queixo na clavícula e a boca entreaberta que baba saliva para o ombro, sequiosa por abocanhar os fantasmas que a mente produz em catadupa só para este momento.

 

Descobres o corpo lançando o lençol com os pés a um mar no chão que banha a areia da tua cama e te refresca com uma lufada de ar fresco…

 

Esticas a perna esquerda. A direita, dobrada, apoia e abres-te ao mundo o mais possível.

 

Esticas o dedo grande do pé direito em direcção ao fundo da cama formando uma linha recta com o pé e a canela como se em pontas dançasses. O outro pé pelo contrário, está flectido e os dedos para trás, abertos, como as tuas duas pernas que arqueiam agora e elevam as nádegas ao tecto… onde tu já estás… perdida, leve e flutuante, em prazer… um grito abafado de quente…

 

Inspiras rápido, expiras fundo e forte. Contrais os músculos do abdómen e das nádegas, e prendes a respiração… mexes rápido os dedos em todas as direcções como um DJ num disco, abanas e gritas três vezes em impulsos para cima e para baixo como se empurrasses o tecto com as ancas…

 

Respiras e relaxas…

 

Será que os vizinhos te ouviram? - Que vergonha…

 

É manhã e vais tomar banho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:24
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Quem és tu, nua mulher?

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Quem és tu, nua mulher?

Vagueias pelo meu quarto,

Saltitas pelo meu corpo,

Lambes as minhas pernas…

 

Quem és? Deverei a ti temer?

Muito leve vais a passo,

De um lado para o outro,

Sorris pelas persianas…

 

Quem és mulher, que me fazes tremer?

No falo tocas com desembaraço,

E voas p’lo corpo em alvoroço,

Agarras pelo beiço e me tomas…

 

Quem é que me toca o ser?

Que o meu peito tem caço,

E me leva embora do porto,

Sem saber se a mim me amas…

 

Não sei onde estás…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:15
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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Lady Godiva

(Lady Godiva, pintura da autoria de John Collier) 

 

Quem te ousa olhar Lady?

Alguém que em ti a vista ponha…

Verá presente de Deus em ti

Será pela última vez que sonha.

 

Conseguiste com o teu abraço,

Conquistar o mundo teu amante,

Fizeste com inteligência um laço,

Pelo amor do povo, teu amante.

 

Que pacto bem estudado,

Jogas as armas do teu ser,

Usas o corpo, bem torneado,

E pedes auxílio a quem não vê.

 

Godiva do encanto do povo,

Que lenda és agora pelo feito teu,

Serás recordada sempre e de novo,

Pelo olhar que é doce meu.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Poema Romântico - Sexual

 

(foto de Tommy L. Edwards) 

 

Bebi-te num beijo perfumado,

Naveguei o teu corpo só

Tomado no cetim dos lençóis,

No calor de mil Sóis,

Pele nua em olhos de dó

De silêncio imaculado.

 

Diluí-me no teu suspiro,

Em leves toques da tua mão

Perdida num cheio luar,

Num deserto de mar

Cativo na solidão,

Na pureza que te tiro.

 

Sei-me um pedaço de ti,

Pele rosada dos teus seios,

Palavra solta em tua boca

De ti mulher louca

Sombra dos meus receios,

Que tão bela nunca vi.

 

Rasga-se um sorriso no prazer

Numa lágrima de alegria,

De desejo escondido do passado,

Pensamento assim, ousado,

Gritado em sã histeria

Para mais ninguém saber.

 

Leio-me nas tuas linhas,

Masturbo todas as palavras

Pintadas de tantas cores,

Decoradas como flores

Nestes olhos que lavras,

Neste amor que me tinhas.

 

Fernando Jorge M. Saiote (Alemtagus)

 

publicado por Lagash às 16:26
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Espero por ti

 

 

Espero, por ti eu espero,

Aguardo uma palavra tua,

A tua boca anseio e quero…

Beija-la e olhá-la nua…

 

Tenho esperança, por ti,

Gostava de apenas te ver,

Recordo, e aguardo aqui…

Na ilusão de um dia te ter.

 

Abraço a minha solidão,

Seguro o meu impulso,

Choro sobre o meu coração.

 

Só, fico, farrapo, sem ti,

Olho os cantos… imagino,

Penso, para mim, tu estás aqui.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:04
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Um passeio que chama o desejo

Passeou-se pelo passeio da praça despreocupadamente, sem que ninguém tivesse coragem de lhe dizer fosse o que fosse. Tinha um sorriso nos lábios e todos a olhavam. Vários sonharam acordados com ela nessa noite ainda que as suas mulheres ressonassem mesmo ao seu lado.
Até as mulheres a olharam, com um misto de inveja e luxúria. Não passou despercebida a ninguém; todos a desejaram. As longas e perfeitas pernas faziam ondular umas nádegas de fazer inveja às actrizes norte-americanas de origem latina mais conhecidas. Ombros suaves, seios médios que desafiam a gravidade. Cabelo loiro e vistoso impecavelmente penteado e solto. Nunca nada assim tinha passado por ali. Vários tiram-lhe fotos descaradamente por todos os ângulos e foram atrás dela... Eu fiquei por ali, embora nunca tivesse visto nada igual. Também a desejei... Mas fiquei a pensar. Porque será que estava nua?

 

 

 

 

Mário L. Soares (publicado em Revista Minguante nº11)

 

publicado por Lagash às 16:17
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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