Sábado, 23 de Maio de 2009

Tocas-te

 

 

Tocas-te suavemente no quente dos lençóis, e o suor inunda o quarto. As janelas embaciadas apenas deixam entrar a luz do nascer do dia por entre as pequenas aberturas das persianas por onde entram também os olhares de um ou outro passeante que por ali tenha a sorte de andar.

 

O cheiro eleva-se no ar e mistura-se com o da torrada queimada que fizeste há pouco e com a barra de incenso de ontem já apagada no apoio, murcha e sem vida.

 

Um bafo de gata assanhada meio abafado faz-se ouvir seguido de duas ou três inspirações rápidas pelo meio dos dentes e interrompidas por espasmos…

 

Mais um pouco de movimento e mais um gemido.

 

Viras-te para cima e olhas o céu que está para lá do telhado da casa junto dos teus pensamentos mais fantasiosos. A mão esquerda toda o peito, esfregando os mamilos como se de limpeza precisassem e estes respondem apontando o infinito. A direita lá em baixo, peganhenta e molhada, atolando-se nos folhos do teu íntimo. Fechas os olhos outra vez e viras a cara para o lado direito, com o queixo na clavícula e a boca entreaberta que baba saliva para o ombro, sequiosa por abocanhar os fantasmas que a mente produz em catadupa só para este momento.

 

Descobres o corpo lançando o lençol com os pés a um mar no chão que banha a areia da tua cama e te refresca com uma lufada de ar fresco…

 

Esticas a perna esquerda. A direita, dobrada, apoia e abres-te ao mundo o mais possível.

 

Esticas o dedo grande do pé direito em direcção ao fundo da cama formando uma linha recta com o pé e a canela como se em pontas dançasses. O outro pé pelo contrário, está flectido e os dedos para trás, abertos, como as tuas duas pernas que arqueiam agora e elevam as nádegas ao tecto… onde tu já estás… perdida, leve e flutuante, em prazer… um grito abafado de quente…

 

Inspiras rápido, expiras fundo e forte. Contrais os músculos do abdómen e das nádegas, e prendes a respiração… mexes rápido os dedos em todas as direcções como um DJ num disco, abanas e gritas três vezes em impulsos para cima e para baixo como se empurrasses o tecto com as ancas…

 

Respiras e relaxas…

 

Será que os vizinhos te ouviram? - Que vergonha…

 

É manhã e vais tomar banho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:24
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Acto sexual é para ter filhos?

 

 

No dia a 3 de Abril de 1982, o deputado João Morgado, disse que o “acto sexual é para ter filhos”, com toda a estupidez de um pseudo – político a introduzir ideias supostamente cristãs para agradar a meia dúzia de clérigos que lhes faziam o favor de arrastar o rebanho ao voto para o partido das setinhas para o meio.

 

Este país embora esteja muito atrasado em muitas áreas, foi pioneiro na abolição da pena de morte, quando a bíblia continua a dizer “olho por olho, dente por dente”. Evoluímos e percebemos que a bíblia é intemporal, que os tempos se adaptam a ela, e que mais importante de tudo é ser alegórica e simbólica. Para além disso em parte nenhuma é falado do aborto! – e até o “não matarás” tem o significado no hebraico de “não assassinarás” e que se por um lado justificou matanças (não assassinatos) por parte da igreja / inquisição na idade média, por outro “justificaria” a alegada por alguns “morte” do feto. Fala-vos um cristão.

 

Felizmente duvido que tenhamos muitos políticos destes actualmente, mas se temos alguns, pelo menos têm a hipócrita decência de calarem as suas ideias retrógradas. Tirando algumas mulheres de apelido Leite que não aprendem nunca e que se mantém (coitadas) num registo em 2008, conservador e pré-histórico de “a família tem por objectivo a procriação” – incrível, certo? Muda-se do contexto sexual para o prezado valor da família, mas a ESTÚPIDA mensagem é a mesma!

 

Portugal AINDA é livre, e eu sou um homem livre, para que tanto alguém possa dizer barbaridades como as que foram ditas em 1982 e em 2008, intrometendo-se claramente na minha vida sexual e familiar, como eu possa usar o meu “tempo de antena” para criticar os políticos que lá estão ao meu / nosso serviço.

 

Bem esteve Natália Correia que lhe respondeu (ao João Morgado – pena a poetisa não estar fisicamente entre nós em 2008) no dia seguinte na mesma assembleia e que merece ainda hoje ser ouvido pela Sra. Leite que tem mesmo de emigrar para a Sibéria e parar de opinar em Portugal.

 

Aqui segue o poema da Natália Correia, cujo aniversário da morte se celebra hoje, para o então deputado João Morgado:

 

“Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração! -

uma vez. E se a função

faz o orgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.”

 

Natália Correia

 

As opiniões aqui expressadas (com a excepção do poema) são de minha autoria.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:13
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Poema Romântico - Sexual

 

(foto de Tommy L. Edwards) 

 

Bebi-te num beijo perfumado,

Naveguei o teu corpo só

Tomado no cetim dos lençóis,

No calor de mil Sóis,

Pele nua em olhos de dó

De silêncio imaculado.

 

Diluí-me no teu suspiro,

Em leves toques da tua mão

Perdida num cheio luar,

Num deserto de mar

Cativo na solidão,

Na pureza que te tiro.

 

Sei-me um pedaço de ti,

Pele rosada dos teus seios,

Palavra solta em tua boca

De ti mulher louca

Sombra dos meus receios,

Que tão bela nunca vi.

 

Rasga-se um sorriso no prazer

Numa lágrima de alegria,

De desejo escondido do passado,

Pensamento assim, ousado,

Gritado em sã histeria

Para mais ninguém saber.

 

Leio-me nas tuas linhas,

Masturbo todas as palavras

Pintadas de tantas cores,

Decoradas como flores

Nestes olhos que lavras,

Neste amor que me tinhas.

 

Fernando Jorge M. Saiote (Alemtagus)

 

publicado por Lagash às 16:26
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Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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