Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Fogo posto

 

 

Tu serás o princípio

e o meu fim

 

Pegando mar de amor

a chama alta

 

Vulcão em desacerto

e fogo posto

 

Tão grande que ele é

e já me mata

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:28
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Sábado, 11 de Julho de 2009

Poema sobre a recusa

 

(pintura de Emily Clarke) 

 

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus dedos

se ter formado o afago

sem termos sido a cidade

nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor

nem o interior da erva.

 

Como é possível perder-te

sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura

meu ódio de conhecer-te

minha alegria profunda.

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:10
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Invenção

 

("Maja desnuda" de Goya) 

 

 

Se é por mim que traço

o teu retrato,

a sobrancelha, a boca

o pensamento

 

É por ti, também

que já o guardo

e o demoro naquilo que eu

invento

 

A mão descida ali

o ombro inclinado

 

Os dedos descuidados

o gesto de que me lembro

 

Se é por mim que faço

o teu retrato

dizendo de ti mais do que

entendo

 

É por ti que o testemunho

e faço:

o nariz, a face dissimulando os dentes

 

Deixo para o fim os lábios

os olhos deste mar

com a cor do luar

a meio de Agosto

 

Se desvendo de ti o sol-posto

é porque vejo o coração

amar

e nada mais me dá tamanho gosto

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:15
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Sábado, 30 de Maio de 2009

Cheiro

 

 

O cheiro

O sabor

da tua boca

 

A baunilha

a camélia desfolhada

 

A saliva a saber

a leite morno

 

Escutando o rumor

das tuas asas

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:06
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Domingo, 5 de Abril de 2009

Foz

 

(Foz do Rio São Francisco no Brasil) 

 

 

És a minha foz

de lava e lume

 

Eu sou o rio

de águas separadas

 

Tu és a seta

de vício e de veneno

 

Eu sou a voz

onde invento o nada

Tu és o meu lavor

eu sou a bordadeira

 

És o meu anjo

de asas decepadas

 

Eu sou a distância

tu és a colmeia

 

Tu és o silêncio

e eu sou a tua espada

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:21
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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