Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Por muito tempo achei que a ausência é falta

 

 

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

publicado por Lagash às 16:02
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Farto

 

 

Farto do falso

e do contra contraditório.

Estou pelos cabelos,

de cus de gente

que pensa que pensa.

 

Farto de tudo

o que rodeia os rodeios.

Da falta da falta

e fartura dos fartos.

Estou farto!

 

Farto de nada

que nunca acaba.

Estou gordo e no lodo,

das tretas de gretas

que há por aí!

 

Estou farto!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:20
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Se eu pudesse trincar a terra toda

 

(paisagem comestível de Carl Warner) 

 

Se eu pudesse trincar a terra toda 

E sentir-lhe um paladar,

 

E se a terra fosse uma coisa para trincar

Seria mais feliz um momento ... 

Mas eu nem sempre quero ser feliz. 

É preciso ser de vez em quando infeliz 

Para se poder ser natural...

 

Nem tudo é dias de sol,

E a chuva, quando falta muito, pede-se.

Por isso tomo a infelicidade com a felicidade

Naturalmente, como quem não estranha

Que haja montanhas e planícies

E que haja rochedos e erva...

 

O que é preciso é ser-se natural e calmo

Na felicidade ou na infelicidade,

Sentir como quem olha,

Pensar como quem anda,

E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,

E que o poente é belo e é bela a noite que fica...

Assim é e assim seja...

 

Alberto Caeiro em "O Guardador de rebanhos"

 

publicado por Lagash às 16:13
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Muito e Pouco

 

 

"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos" - Shakespear

 

 

publicado por Lagash às 14:27
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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