Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Casa

 

("Janela" - foto de José João Bica - 1º prémio ACERT - Concurso Internacional de Fotografia)  

 

(Sonho de ver o mundo parado)

 

Casa.

 

Aqui o sonho é mais exacto,

quase real

— espanto de fluido e cal.

 

Encosto a face

ao vidro da chuva

com a sensação quente do abandono

que me esfria a cara.

 

Lá fora o vento desfaz-se.

E os homens, os prédios, os mortos

vogam no sono...

 

Cá dentro

por um momento

tudo pára.

 

José Gomes Ferreira

 

publicado por Lagash às 16:30
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Chove...

 

 

Chove...

 

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

 

Chove...

 

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

 

José Gomes Ferreira

 

publicado por Lagash às 16:19
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Chuva

 

 

 

 

Toda a noite, e pelas horas fora, o chiar da chuva baixou. Toda a noite, comigo entredesperto, a monotonia liquida me insistiu nos vidros. Ora um rasgo de vento, em ar mais alto, açoitava, e a água ondeava de som e passava mãos rápidas pela vidraça; ora com som surdo só fazia sono no exterior morto. A minha alma era a mesma de sempre, entre lençois como entre gente, dolorosamente consciente do mundo. Tardava o dia como a felicidade - áquela hora parecia que também indefinidamente.
Se o dia e a felicidade nunca viessem! Se esperar, ao menos, pudesse nem sequer ter a desilusão de conseguir.
O som casual de um carro tardo, áspero a saltar nas pedras, crescia do fundo da rua, estralejou por debaixo da vidraça, apagava-se para o fundo da rua, para o fundo do vago sono que eu não conseguia de todo. Batia. de quando em quando, uma porta de escada. Ás vezes havia um chapinhar liquido de passos, um roçar por si mesmos de vestes molhadas. Uma ou outra vez, quando os passos eram mais, soava alto e atacavam. Depois, o silêncio volvia, com os passos que se apagavam, e a chuva continuava, inumeravelmente.
Nas paredes escuramente visiveis do meu quarto, se eu abria os olhos do sono falso, boiavam fragmentos de sonhos por fazer, vagas luzes, riscos pretos, coisas de nada que trepavam e desciam. Os móveis, maiores do que de dia, manchavam vagamente o absurdo da treva. A porta era indicada por qualquer coisa nem mais branca, nem mais preta do que a noite, mas diferente. Quanto á janela, eu só a ouvia.
Nova, fluida, incerta, a chuva soava. Os momentos tardavam ao som dela. A solidão da minha alma alargava-se, alastrava, invadia o que eu sentia, o que eu queria, o que ia sonhar. Os objectos vagos, participantes, na sombra, da minha insónia, passam a ter lugar e dor na minha desolação.

 

Bernardo Soares

 

publicado por Lagash às 04:26
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Liquid Sunshine!

 

 

Quando chove na Jamaica diz-se:

 

“No Problem, man! It is not rain, man! It is liquid sunshine!”

 

Que tal olhar para a vida assim?

 

Dificil quando não temos trinta e tal graus que nos fazem acreditar que a chuva é mesmo sol líquido!... mas tenta-se…

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 03:25
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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