Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Canção Verde

 

 

O nosso amor é verde.

Nós somos verdes.

Verdes,

como são os campos

e as árvores

quando regressa a Primavera.

Verde é tudo quanto é belo.

Tu és verde, meu amor, verde.

Verde!

O nosso amor é verde,

mas não digas a ninguém.

 

Natália de Andrade

 

publicado por Lagash às 16:14
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Magnólias

 

 

nascem vazias de amarelo

as magnólias que se inclinam

oblíquas a uma terra despovoada

da dimensão da flor

murmuram suas pétalas pelo vento

galopante e assustado fugido dos

desertos que eram florestas

 

lentas azuis as estrelas estalam

agapantos jacarandás

sangue adormecido dos fenómenos

que os olhos à luz fazem desaparecer

 

ausentes as asas adormecem

trilhos estilhaçados na terra

onde o longe e a distância

permanecem na tortura

do pensamento

sem etecétera

 

Ó as searas de flores os

gerânios as açucenas

os corações abertos dos rapazes

aos lilases

perfume de entrega permanente

musculado e frágil advento

de um tempo que há-de partir

mergulhado nos estames das mãos

para se transmutar em beijos

oferecidos às bocas

 

no chão da terra aturada e escura

as magnólias pálidas sombrias

escorrem mel torturado e morno

onde rapazes deixam o abraço

doce permanente como o pecado

 

o orvalho da manhã reclama as

magnólias que fecundadas devolvem

à terra o sangue

dos rapazes exaustos cansados

 

é manhã a terra toda de repente

desmaia atormentada nua e quente

 

Henrique Levy

 

publicado por Lagash às 16:29
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Verdes são os campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
 


Luís de Camões

publicado por Lagash às 19:02
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Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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