Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Poema da sala “Dos Hermanas” em Alhambra

 

(sala "Dos Hermanas" em Alhambra, Granada - Espanha) 

 

 

«Jardín yo soy que la belleza adorna:

sabrá mi ser si mi hermosura miras.

Por Mohamed, mi rey, a par me pongo

de lo más noble que será y ha sido.

Obra sublime, la fortuna quiere que a todo momento sobrepase.

¡Cuanto recreo aquí para los ojos!

Sus anhelos el noble aquí renueva.

Las Pléyades les sirven de amuleto;

la brisa la defiende con su magia.

Sin par luce una cúpula brillante,

de hermosuras patente y escondidas.

Rendido de Géminis la mano;

viene con ella a conversar la Luna.

Incrustarse los astros allí quieren,

sin más girar en la celeste rueda,

y en ambos patios aguardar sumisos,

y servirle a porfia como esclavas:

No es maravilla que los astros yerren

y el señalado límite traspasen,

para servir a mi señor dispuestas,

que quien sirve al glorioso gloria alcanza.

El pórtico es tan bello, que el palacio

con la celeste bóveda compite.

Con tan bello tisú lo aderezaste,

que olvido pones del telar del Yemen.

¡Cuántos arcos se elevan en su cima,

sobre las columnas por la luz ornadas,

como esferas celestes que voltean

sobre el pilar luciente de la aurora!

Las columnas en todo son tan bellas,

que en lenguas, corredora, anda su fama:

lanza el mármol su clara luz, que invade

la negra esquina que tiznó la sombra;

irisan sus reflejos, y dirías

son, a pesar de su tamaño, perlas.

Jamás vimos jardín más floreciente,

de cosecha más dulce y más aroma.

Por permiso del juez de la hermosura

paga, doble, el impuesto en alcázar más excelso,

de contornos más claros y espaciosos.

Jamás dos monedas,

pues si, al alba, del céfiro en las manos

deja dracmas de luz, que bastarían,

tira luego en lo espeso, entre los troncos,

dobles de oro de sol, que lo engalanan.

(Le enlaza el parentesco a la victoria:

Sólo el Rey este linaje cede.)»

 

 

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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Canção Verde

 

 

O nosso amor é verde.

Nós somos verdes.

Verdes,

como são os campos

e as árvores

quando regressa a Primavera.

Verde é tudo quanto é belo.

Tu és verde, meu amor, verde.

Verde!

O nosso amor é verde,

mas não digas a ninguém.

 

Natália de Andrade

 

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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Bolero

 

("The Passion of Dance" - um quadro a óleo de Drew Jacoby) 

 

O crescendo continuo… o infiltrar e embeber da música pelo corpo e sentir… o infinito inalcançável… constante ‘suspense’… constante repetição… crescendo…

 

O querer mais além… a simplicidade do amor… a sensualidade no aumento do vigor… aumenta o volume… o tamanho, a sensação… o toque… o sentir…

 

A masculinidade e a feminilidade repetindo-se em movimentos pélvicos… belos e cheios de sedução…

 

O suor e o prazer em aromas fortes… a força e o controlo… a luta continua pelo fim… o prazer…

 

Depois… depois o cume… o alto pico, clímax, qual orgasmo explosivo que extasia todos os sentidos…

 

A beleza da dança para ornamentar uma peça de 1928 que foi imortalizada mais tarde também no cinema com a famosa Bo Derek (quem a esqueceu?). Foi composta por Ravel para a dança de um homem ou de uma mulher, e é esta (para mim) a sua melhor interpretação.

 

Porque a dança também é palavra expressada com o corpo - e diz-nos tanto…

 

Gozem (não encontro melhor palavra) o Bolero de Ravel.

 

Mário L. Soares

 

 


Bolero 2
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

John's Not Taken

 

 

Porque as palavras aparecem em diferentes formas…

 

Porque as formas da vida dão-nos frutos que não esperamos. Porque muitas vezes esperamos frutos diferentes da semente que plantamos.

 

Por todas as razões. A música, por si só, conta-nos histórias, leva-nos a lugares viajando pelo ar. A música faz-nos fechar os olhos e ver coisas diferentes, ou pelo menos, de forma diferente.

 

Oiçam a bom som e de olhos fechados, a poesia desta guitarra de Dominic Frasca.

 

Mário L. Soares

 

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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta

 

(Anne Hathaway) 

 

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,

Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,

Pergunto a mim próprio devagar

Por que sequer atribuo eu

Beleza às cousas.

 

Uma flor acaso tem beleza?

Tem beleza acaso um fruto?

Não: têm cor e forma

E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe

Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.

Não significa nada.

Então por que digo eu das cousas: são belas?

 

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,

Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens

Perante as cousas,

Perante as cousas que simplesmente existem.

 

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!

 

Alberto Caeiro

in Guardador de Rebanhos

 

publicado por Lagash às 16:22
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Domingo, 21 de Junho de 2009

Soneto 17

 

 

Se te comparo a um dia de verão

És por certo mais belo e mais ameno

O vento espalha as folhas pelo chão

E o tempo do verão é bem pequeno.

 

Ás vezes brilha o Sol em demasia

Outras vezes desmaia com frieza;

O que é belo declina num só dia,

Na terna mutação da natureza.

 

Mas em ti o verão será eterno,

E a beleza que tens não perderás;

Nem chegarás da morte ao triste inverno:

 

Nestas linhas com o tempo crescerás.

E enquanto nesta terra houver um ser,

Meus versos vivos te farão viver.

 

William Shakespeare

 

publicado por Lagash às 16:03
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

A dualidade entre o bem e o mal

 

 

 

O Yin-Yang, branco e negro, a noite e o dia, morte e vida, a luz e a escuridão, o belo e o feio.

 

“O que era a noite sem o dia?

E a luz sem a escuridão?

O contraste é a razão

Porque a gente os avalia.

 

Tendo por esta medida,

Tudo para um mesmo fim,

Até tu, a própria vida,

Não eras nada sem mim.”

 

Disse António Aleixo no Auto da Vida e da Morte, na personagem da “morte” dirigindo-se à “vida”.

 

Assim funciona o mundo.

 

Podemos olha-lo como o belo e o feio. Quando olhamos para uma bela mulher (ou homem), temo-la como bela porquê? Porque temos padrões de beleza definidos pela nossa cultura no geral, e educação e meio onde vivemos em particular. A mais ínfima variável vai para os gostos pessoais que são insignificantes quando analisarmos o caso à distância.

 

Mas como podemos “saber” se a mulher que vemos é bela ou não? – Apenas e só pela distinção. O cérebro através de vários processos “compara” as imagens que captamos pelos olhos com as nossas memórias numa “pasta de ficheiros” imaginária com o nome “mulheres que já vi” que estará hierarquizado por ordem de “beleza” (uma será mais bela que outra) e enquadrará a mulher que vemos agora com a “lista”. Como é obvio este processo é instantâneo e imperceptível. Pela comparação temos o “contraste” do Aleixo.

 

Vemos o mundo também pelo conceito económico de satisfação / utilidade como no paradoxo copo de água / diamante, onde se por um lado a teoria valor trabalho dá mais “valor” ao diamante, torna-se completamente inversa quando estamos no meio do deserto e a água passa a ter toda a importância e nenhum valor imediato no diamante. Também será variável de acordo com a satisfação - se bebermos vários copos de água, a sua utilidade marginal vai diminuindo ao ponto de a curva descer e chegar a ser negativa, quando já deitamos água pelos olhos de tanto beber. Temos então as necessidades dos clássicos da economia de Adam Smith, Ricardo e Marx, a definir os nossos critérios de diferenciação. O bom do menos bom é definido assim.

 

Então e quando temos apenas bom e não temos mau? Pois. Aí temos uma requalificação e um imediato reordenamento da lista. No exemplo das mulheres, se apenas conhecermos mulheres belas e nenhuma feia (e muito importante – nunca poderíamos ter conhecido nenhuma mulher feia – caso contrário teríamos uma referência anterior), ao olhar duas belas mulheres, como serão diferentes, estarão sujeitas a uma hierarquização similar, mas como não há grau inferior, a feia será a menos bela aos nossos olhos e a mais bela será bela apenas e começara um novo processo.

 

Vendo neste prisma as coisas, o bem e o mal serão calibrados um pelo outro, co-existindo e tornando-se mutuamente necessários para a qualificação dos mesmos.

 

Sem as mortes horrendas da guerra daríamos o mesmo valor à paz? Sem o ódio, como seria o amor? Sem a injustiça, faríamos justiça? A ausência de luz seria a escuridão?

 

Deixo-vos com este pensamento, na esperança de que haja esperança quando olharmos o mundo e vermos o mal a surgir. Considerando o perfeito equilíbrio da natureza pela forma como a vemos. Esse mal fará o bom ser melhor, com certeza.

 

Mário L. Soares

 

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Sábado, 24 de Janeiro de 2009

Madeira jardim

 

(costa norte da ilha da Madeira) 

 

Madeira, jardim no Atlântico plantada,

Que bela és, romântica estada...

Belas as montanhas, praias, flores,

Lindos os campos, as pessoas e amores,

 

O mar, o teu amante,

A altura das montanhas, impressionante,

O ar puro, água e o sol sem igual,

A vida no seu melhor, real.

 

Peixe, carne, imagens e calma...

Férias, na essência da alma...

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 16:12
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Bailarina vermelha

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Ela passa,

a papoila rubra,

esvoaçando graça,

a sorrir...

Original tentação

de estranho sabor:

a sua boca - romã luzente,

a refulgir!...

 

As mãos pálidas, esguias,

dolorosas soluçando,

vão recortando

em ritmos de beleza

gestos de ave endoidecida...

Preces, blasfémias,

cálidas estesias

passam delirando!...

 

Mordendo-lhe o seio

túrgido e perfurante,

delira a flama sangrenta

dos rubis...

E a cinta verga, flexuosa,

na luxuria dominante

dos quadris...

 

Um jeito mais quebrado no andar...

 

Um pouco mais de sombra no olhar

bistrado de lilás...

 

E ela passa

entornando dor,

a agonizar beleza!...

Um sonho de volúpia

que logo se desfaz,

em ruivas gargalhadas

dispersas... desgrenhadas!...

 

Magoam-se os meus sentidos

num cálido rubor...

 

E nos seus braços endoidecem

as anilhas d'oiro refulgindo

num feérico clamor!...

 

E ela passa...

 

Fulva, esguia, incoerente...

Flor de vicio

esvoaçando graça

na noite tempestuosa

do meu olhar!...

Como uma brasa ardente,

e infernal e dolorosa,

... a bailar...

 

a bailar!...

 

Judith Teixeira

 

publicado por Lagash às 16:11
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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