Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Nascimento de Carlos Paredes

 

 

Carlos Paredes, nasceu em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925 e faleceu em Lisboa a 23 de Julho de 2004. Foi um dos grandes guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa.

 

É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa e grande compositor. Carlos Paredes é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - mantém um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e própria afinação. A sua vida em Lisboa marcou-o e inspirou-lhe muitos dos seus temas e composições.

 

Conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.

 

Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo Paredes e José Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho".

Em 1934, muda-se para Lisboa com a família, e abandona o violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai, do meu avô, bisavô e tetravô".

 

Carlos Paredes inicia em 1939 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.

 

Em 1957 grava o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente "Carlos Paredes".

 

 

 

Em 1958, é preso pela PIDE por fazer oposição a Salazar, é acusado de pertencer ao Partido Comunista Português, do qual era de facto militante, sendo libertado no final de 1959 e expulso da função pública na sequência de julgamento. Durante este tempo andava de um lado para o outro da cela fingindo tocar música, o que levou os companheiros de prisão a pensar que estaria louco - de facto, o que ele estava a fazer, era compor músicas na sua cabeça. Quando voltou para o local onde trabalhava no Hospital, uma das ex-colegas, Rosa Semião, recorda-se da mágoa do guitarrista devido à denúncia de que foi alvo: «Para ele foi uma traição, ter sido denunciado por um colega de trabalho do hospital. E contudo, mais tarde, ao cruzar-se com um dos homens que o denunciou, não deixou de o cumprimentar, revelando uma enorme capacidade de perdoar!»

 

Em 1962, é convidado pelo realizador Paulo Rocha, para compor a banda sonora do filme Os Verdes Anos: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas - Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Recebeu um reconhecimento especial por “Os Verdes anos”.

 

Tocou com muitos artistas, incluindo Charlie Haden, Adriano Correia de Oliveira e Carlos do Carmo. Escreveu muitas músicas para filmes e em 1967 gravou o seu primeiro LP "Guitarra Portuguesa".

 

Quando os presos políticos foram libertados depois do 25 de Abril de 1974, eram vistos como heróis. No entanto, Carlos Paredes sempre recusou esse estatuto, dado pelo povo. Sobre o tempo que foi preso nunca gostou muito de comentar. Dizia «que havia pessoas, que sofreram mais do que eu!». Ele é reintegrado no quadro do Hospital de São José e percorre o país, actuando em sessões culturais, musicais e políticas em simultâneo, mantendo sempre uma vida simples, e por incrível que possa parecer, a sua profissão de arquivista de radiografias. Várias compilações de gravações de Carlos Paredes são editadas, estando desde 2003 a sua obra completa reunida numa caixa de oito CD’s.

 

A sua paixão pela guitarra era tanta que, conta que certa vez, a sua guitarra se perdeu numa viagem de avião e ele confessou a um amigo que «pensou em se suicidar».

 

Uma doença do sistema nervoso central (mielopatia), impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida. Morreu em 23 de Julho de 2004 na Fundação Lar Nossa Senhora da Saúde em Lisboa, sendo decretado Luto Nacional.

 

 

 

"Quando eu morrer, morre a guitarra também.

O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.

Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”

 

Carlos Paredes

 

Fonte: Wikipédia

 

publicado por Lagash às 10:20
link do post | comentar | favorito
Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Palavras

 

(foto que retirei de www.editorial100.pt ) 

 

As palavras alimentam-me a alma,

É o refresco da minha tarde de Verão,

O abrigo do dia chuvoso,

O quente no inverno da noite.

A poesia é tudo,

A realidade é nada,

O sabor de um poema é açúcar

No amargo de um dia chato.

O sorriso de uma letra

Que mesmo sozinha,

Me alegra os sentidos.

Amo as palavras e a sintaxe.

Amo a morfologia de um olá,

A fonética de um oi…

Amo a prosódia de um paralelepípedo,

A simplicidade de um "A",

A magia de Pessoa.

As palavras são as notas da música da orquestra da minha vida.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:25
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Amor

 

 

Quem sou eu para falar de amor?

Essa coisa estranha que me enlouquece.

Que mata e faz matar…

Que a tantos arruína e destrói.

 

Quem é o que sabe dessa arte que é suprema?

O que dizer sobre coisas tão boas?

Coisas que nem uma pintura,

Nem o mais belo dos poemas pode descrever?

 

Quem poderá dizer o que é essa coisa intangível,

E que apenas pode materializar-se em lágrimas,

Suor e saliva, talvez…

Quem ousa falá-lo?

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 16:14
link do post | comentar | favorito

Definição de amor

 

(foto "lovers in the park" por Brian J. Lawson) 

 

O amor ao amante amado e desejado é a sensação do coração, que a mente tenta compreender, o corpo tenta controlar, os olhos tentam observar, os ouvidos escutar, as mãos palpar, o pintor recriar, o músico harmonizar, o poeta em palavras falar. Mas nenhum algum dia conseguirá recitar a mais bela pintura, que harmoniza pelo ar, impossível de recriar, um som inaudível, transparente e no entanto sempre lá, incontrolável e incompreensível, que é o amor.

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 10:03
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Medo do escuro

 

 

Sombrias as estradas,

As esquinas, o beco,

Sons crepitantes ecoam na noite,

Luzes errantes deixam-te cego,

O medo entranha quando sobes a escada.

 

Abres a porta e há escuro à frente,

Vais devagar, pé ante pé,

Algo te diz – está ali mais alguém…

Tremem as pernas, não sabes o que é!

Pensamentos de sangue turvam-te a mente.

 

Pegas numa faca e segues p’ro quarto,

Deténs-te na entrada sem respirar,

Encostas o ouvido p’ra tentar ouvir

Empurras a porta, bem devagar

Corre o gato e dás um salto!

 

 

 

Pousas a faca e respiras cansado,

O alívio agora é estar tudo parado,

Sabes então, que nada fez sentido,

Tudo era pensamento perdido…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:00
link do post | comentar | favorito

Thriller

 

 

It's close to midnight and something evil's lurking in the dark

Under the moonlight, you see a sight that almost stops your heart

You try to scream but terror takes the sound before you make it

You start to freeze as horror looks you right between the eyes

You're paralyzed

 

'Cause this is thriller, thriller night

And no one's gonna save you from the beast about strike

You know it's thriller, thriller night

You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

 

You hear the door slam and realize there's nowhere left to run

You feel the cold hand and wonder if you'll ever see the sun

You close your eyes and hope that this is just imagination, girl!

But all the while you hear the creature creeping up behind

You're out of time

 

'Cause this is thriller, thriller night

There ain't no second chance against the thing with forty eyes, girl

Thriller, thriller night

You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

 

Night creatures calling, the dead start to walk in their masquerade

There's no escaping the jaws of the alien this time

(They're open wide)

This is the end of your life

 

They're out to get you, there's demons closing in on every side

They will possess you unless you change that number on your dial

Now is the time for you and I to cuddle close together, yeah

All through the night I'll save you from the terror on the screen

I'll make you see

 

That this is thriller, thriller night

'Cause I can thrill you more than any ghost would ever dare try

Thriller, thriller night

So let me hold you tight and share a

Killer, diller, chiller, thriller here tonight

 

'Cause this is thriller, thriller night

Girl, I can thrill you more than any ghost would ever dare try

Thriller, thriller night

So let me hold you tight and share a killer, thriller, ow!

 

(I'm gonna thrill ya tonight)

Darkness falls across the land

The midnight hour is close at hand

Creatures crawl in search of blood

To terrorize y'alls neighborhood

 

I'm gonna thrill ya tonight, ooh baby

I'm gonna thrill ya tonight, oh darlin'

Thriller night, baby, ooh!

 

The foulest stench is in the air

The funk of forty thousand years

And grizzly ghouls from every tomb

Are closing in to seal your doom

 

And though you fight to stay alive

Your body starts to shiver

For no mere mortal can resist

The evil of the thriller

 

Michael Jackson

 

publicado por Lagash às 10:16
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Asturias de Isaac Albeniz

Porque a música é uma palavra em forma diferente, e porque tudo é som e música e melodia organizada e harmónica,

 

Porque a vida tem mais cor com a beleza de uma melodia,

 

Dou-vos do virtuoso compositor e pianista espanhol Isaac Albeniz – Asturias, belissimamente interpretada em Sevilha, pelo John Williams em guitarra.

 

  

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:15
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Nas ervas

 

(Debora Salvalaggio)

 

Escalar-te lábio a lábio,

percorrer-te: eis a cintura

o lume breve entre as nádegas

e o ventre, o peito, o dorso

descer aos flancos, enterrar

 

os olhos na pedra fresca

dos teus olhos,

entregar-me poro a poro

ao furor da tua boca,

esquecer a mão errante

na festa ou na fresta

 

aberta à doce penetração

das águas duras,

respirar como quem tropeça

no escuro, gritar

às portas da alegria,

da solidão.

 

porque é terrivel

subir assim às hastes da loucura,

do fogo descer à neve.

 

abandonar-me agora

nas ervas ao orvalho -

a glande leve.

 

Eugénio de Andrade

publicado por Lagash às 16:17
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Je t'aime... moi non plus

A letra desta música foi escrita por Serge Gainsbourg, inicialmente para ser cantada com a Brigitte Bardot, mas que, como ela era casada com o Gunter Sachs, ela pediu-lhe para não a lançar, o bom do Serge acedeu. A coisa é que na mesma altura apaixonou-se pela Jane Birkin e pronto, foi ela que a cantou – o amor é assim…

 

 

(foto retirada de http://latimesblogs.latimes.com/ ) 

 

Esta música foi lançada em 1969 e proibida em Espanha, Itália, Reino Unido, Polónia, e claro em Portugal, pelo seu conteúdo explícito.

 

Aviso portanto os leitores (e ouvintes) que farão leitura e ouvirão uma música em que “eu vou e venho entre os teus rins”, ou “tu és a onda, eu sou a ilha deserta” e “amo-te, vem agora…” estão presentes – cuidado!

 

Ainda há que ache que o 25 de Abril não trouxe liberdade…

 

Esta música tem uma sensualidade enorme e por isso cabe no meu blog. Desfrutem.

 

Mário L. Soares 

 


Gainsbourg Birkin je t'aime moi non plus
Enviado por paradixman

 

Je t'aime,

Je t'aime, oh, oui je t'aime!

Moi non plus.

Oh, mon amour, comme la vague irrésolu.

Je vais, je vais et je viens,

Entre tes reins,

Je vais et je viens, entre tes reins, et je me retiens.

 

Je t'aime,

Je t'aime, oh, oui je t'aime!

Moi non plus

Oh mon amour, tu es la vague, moi l'île nue.

Tu va, tu va et tu viens,

Entre mes reins, tu vas et tu viens, entre mes reins, et je te rejoins.

 

Tu va, tu va et tu viens,

Entre mes reins,

Tu vas et tu viens, entre mes reins, et je te rejoins.

 

Je t'aime,

Je t'aime, oh, oui je t'aime!

Moi non plus.

Oh mon amour!

L'amour physique est sans issue.

Je vais, je vais et je viens,

Entre tes reins,

Je vais et je viens, je me retiens. non ! maintenant viens!

 

Jane Birkin e Serge Gainsbourg

publicado por Lagash às 16:10
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Morte de Maluda

 

(Maluda no atelier em Fevereiro de 1973 por Nuno Calvet) 

 

Maria de Lurdes Ribeiro, conhecida por Maluda, nasceu em Pangim, em Goa, no então Estado Português da Índia, a 15 de Novembro de 1934 e morreu em Lisboa a 10 de Fevereiro de 1999.

 

Viveu desde 1948 em Lourenço Marques (actual Maputo), onde começou a pintar e onde formou, com mais quatro pintores, o grupo que se intitulou "Os Independentes", que expôs colectivamente em 1961, 1962 e 1963. Em 1963 obteve uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa. Entre 1964 e 1967 viveu em Paris, bolseira da Gulbenkian. Aí trabalhou na Académie de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Foi nessa altura que se interessou pelo retrato e por composições que fazem a síntese da paisagem urbana, com uma paleta de cores muito característica e uma utilização brilhante da luz, que conferem às suas obras uma identidade muito própria e inconfundível.

 

 

(As Ruinas do Carmo - Maluda) 

 

Em 1969 realizou a sua primeira exposição individual na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa. Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve grande sucesso, registando cerca de 15.000 visitantes e lhe deu grande notoriedade a partir de então.

 

Entre os anos de 1976 e 1978 foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça.

 

A partir de 1978 dedicou-se também à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privado.

 

Em 1979 recebeu o Prémio de Pintura da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa. Nesse ano realizou ainda uma exposição na Fundação Gulbenkian em Paris. A partir de 1985, Maluda foi convidada para fazer várias séries de selos para os CTT. Dois selos da sua autoria ganharam, na World Government Stamp Printers Conference, em Washington, em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o prémio mundial para o melhor selo. Em 1994 recebeu o prestigiado prémio Bordalo Pinheiro, atribuído pela Casa da Imprensa. No âmbito da "Lisboa Capital da Cultura", realizou uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

 

 

(Alcácer do Sal - Maluda 1983) 

 

Em 1998 foi agraciada pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, "Os selos de Maluda", patrocinada pelos CTT.

 

Maluda morreu em Lisboa em 1999, aos 64 anos. Em testamento, a artista instituiu o "Prémio Maluda" que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes.

 

Fonte: Wikipédia

 

publicado por Lagash às 10:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

O amor, quando se revela

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

O amor, quando se revela,

Não se sabe revelar.

Sabe bem olhar p’ra ela,

Mas não lhe sabe falar.

 

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há-de dizer.

Fala: parece que mente…

Cala: parece esquecer…

 

Ah, mas se ela adivinhasse,

Se pudesse ouvir o olhar,

E se um olhar lhe bastasse

P’ra saber que a estão a amar!

 

Mas quem sente muito, cala;

Quem quer dizer quanto sente

Fica sem alma nem fala

Fica só inteiramente!

 

Mas se isto puder contar-lhe,

O que não lhe ouso contar,

Já não terei que falar-lhe

Porque lhe estou a falar…

 

Fernando Pessoa

 

publicado por Lagash às 16:06
link do post | comentar | favorito
Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Os teus pés

 

 

Quando não posso contemplar teu rosto,

contemplo os teus pés.

 

Teus pés de osso arqueado,

teus pequenos pés duros.

 

Eu sei que te sustentam

e que teu doce peso

sobre eles se ergue.

 

Tua cintura e teus seios,

a duplicada purpura

dos teus mamilos,

a caixa dos teus olhos

que há pouco levantaram voo,

a larga boca de fruta,

tua rubra cabeleira,

pequena torre minha.

 

Mas se amo os teus pés

é só porque andaram

sobre a terra e sobre

o vento e sobre a água,

até me encontrarem.

 

Pablo Neruda

 

publicado por Lagash às 16:02
link do post | comentar | favorito
Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Eu te amo

 

 

  

Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei-de partir

 

Se, ao te conhecer, e pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que ainda posso ir

 

Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

 

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

 

Como, se na desordem do armário embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato ainda pisa no teu

 

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios ainda estão nas minhas mãos

Me explica como que cara eu vou sair

 

Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei-de partir

 

Tom Jobim / Chico Buarque

Interpretado por Chico Buarque e Elis Regina

publicado por Lagash às 16:06
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Os teus olhos

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Os teus olhos

exigindo

ser bebidos

 

Os teus ombros

reclamando

nenhum manto

 

Os teus seios

pressupondo

tantos pomos

 

O teu ventre

recolhendo

o relâmpago

 

David Mourão Ferreira

publicado por Lagash às 16:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Apontamento

(foto retirada do site http://jornalismob.wordpress.com/) 

 

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.

Caiu pela escada excessivamente abaixo.

Caiu das mãos da criada descuidada.

Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

 

Asneira? Impossível? Sei lá!

Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

 

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.

Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.

E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

 

Não se zangam com ela.

São tolerantes com ela.

O que eu era um vaso vazio?

 

Olham os cacos absurdamente conscientes,

Mas conscientes de si-mesmos, não conscientes deles.

 

Olham e sorriem.

Sorriem tolerantes à criada involuntária.

 

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.

Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.

 

A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?

Um caco.

E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.

 

Álvaro de Campos

 

 

publicado por Lagash às 16:11
link do post | comentar | favorito

Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

mais sobre mim

procurar em Lagash

 

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

Pausa

Hora Nostálgica #33 - Eve...

Acordar

Amor, pois que é palavra ...

Sol

Perdoa-me

Hora Nostálgica #32 - Boh...

Morte

Futuro

Bebido o luar

A meu favor

Viverei

Hora Nostálgica # 31 - Dr...

Reveses

Momentos etéreos em conte...

arquivos

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

tags

todas as tags

links

blogs SAPO

subscrever feeds