Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Arrojos

 

 

Se a minha amada um longo olhar me desse

Dos seus olhos que ferem como espadas,

Eu domaria o mar que se enfurece

E escalaria as nuvens rendilhadas.

 

Se ela deixasse, extático e suspenso

Tomar-lhe as mãos «mignonnes» e aquecê-las,

Eu com um sopro enorme, um sopro imenso

Apagaria o lume das estrelas.

 

Se aquela que amo mais que a luz do dia,

Me aniquilasse os males taciturnos,

O brilho dos meus olhos venceria

O clarão dos relâmpagos nocturnos.

 

Se ela quisesse amar, no azul do espaço,

Casando as suas penas com as minhas,

Eu desfaria o Sol como desfaço

As bolas de sabão das criancinhas.

 

Se a Laura dos meus loucos desvarios

Fosse menos soberba e menos fria,

Eu pararia o curso aos grandes rios

E a terra sob os pés abalaria.

 

Se aquela por quem já não tenho risos

Me concedesse apenas dois abraços,

Eu subiria aos róseos paraísos

E a Lua afogaria nos meus braços.

 

Se ela ouvisse os meus cantos moribundos

E os lamentos das cítaras estranhas,

Eu ergueria os vales mais profundos

E abateria as sólidas montanhas.

 

E se aquela visão da fantasia

Me estreitasse ao peito alvo como arminho,

Eu nunca, nunca mais me sentaria

Às mesas espelhentas do Martinho.

 

Cesário Verde

 

publicado por Lagash às 16:05
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