Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010

Perdoa-me

 

 

Perdoa-me por tudo o que te fiz.

Perdoa-me o que não te fiz.

O perdão é importante questão.

E também seja levante o esquecimento.

O amor é eterno como o firmamento

externo e o lamento.

Perdão te peço de todo o meu fundo.

Perdão que não meço do tamanho do mundo.

Esquecer é preciso…

 

Sejam ventos os pensamentos

que apenas passam.

Levam o tempo que

no momento lavram.

 

Esqueço-me de mim e arrefeço-me.

Pertenço ao querer e ao lenço.

Vivo na história da memória do meu livro.

Esqueço da dor,

lembro o fervor do amor.

Perco-me em mim no labirinto

que sinto.

Sou forte e olho de frente

a morte pendente.

Espero a sorte que note

que vi e que estou aqui.

 

Oh, vida, que não queres perdão

perdida assim p’lo chão.

Nascida de azul berço,

Que mereço ser querida.

 

Perdoa-me vida. Perdoa-me sorte.

 

Perdoa-me a morte.

 

Mário L. Soares

 

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Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Viverei

 

("O beijo" de Alfred Eisenstaedt)

 

Viverei o que sinto

Com amor em promontório

Saberás que não minto

No fim, no meu velório

 

Abrirei os braços

E no túnel gritarei

A todos os meus laços

Por quem me enamorei

 

Se em enleios me perder

A luz do destino granjearei

Para não me deixar morrer

 

Serei, no caminho, feliz comigo

E ao universo sorrirei

A minha vida contigo

 

Mário L. Soares

 

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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Sofrimento

 

 

O amor tem mais que o nada do mundo

Viver a morte, viver o sofrimento

Viver uma vida sofrida e amargurada…

É a morte lenta e sem sentido.

 

Temos um prenúncio, um caminho

Saber a senda que nos foi designada

É auguro de poucos, e loucos…

Os olhos vêem mais que o que está à vista.

 

Vê! Há mais no coração que apenas frio.

Há mais na vida do que a morte!

Vê! Vive o teu dia e avança.

 

Vê! Há mais no mundo, tem esperança

Há mais na alma que as pedras da vida!

Vê! Ama a vida… e sorri.

 

Mário L. Soares

 

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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

O melhor pretexto

 

("Um sorriso de criança", foto de Fernando Leão - olhares.aeiou.pt/FLeao )

 

É tão frágil a vida,

tão efémero, tudo!

(Não é verdade, amiga,

olhinhos-cor-de-musgo ?)

 

E ao mesmo tempo é forte,

forte da veleidade,

de resistir à morte

quanto maior a idade.

 

Assim, aos trinta e sete,

fechados alguns ciclos,

a vida ainda pede

mais sentimento, vínculos.

 

Não tanto os que nos deram

a fúria de viver,

como esses descobertos

depois de se saber

 

Que a vida não é outra

senão a que fazemos

(e a vida é uma só,

pois jamais voltaremos).

 

Partidários da vida,

melhor: do que está vivo,

digamos "não!" a tudo

que tenha outro sentido.

 

E que melhor pretexto

(quem o saiba que o diga!)

teremos p'ra viver

senão a própria vida?

 

Alexandre O'Neill

in "Poemas com endereço"

 

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Conto dias

 

 

 

Que felicidade desenrola dentro de mim

por debitar litros de palavras a rodos?

Nenhuma mesmo. Sinto tudo e nada.

Sinto tudo o que digo, e nada do que saiu…

 

Conto dias de vida hoje, e muito poucos

a ter para a frente. E tanto que me falta

fazer, e completar. Tanta vida por viver.

Debito pois, sim. Talvez assim possa ser livre.

 

Liberto-me do que não quero. Do que sinto.

Do que não sinto. Do que faz falta.

Vejo ao longe o que não tenho e minto.

 

Sou o que quero. Quero mais do que posso.

Rompo barreiras com o meu abraço.

Mas sei que daqui não passo.

 

Mário L. Soares

 

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Age!

 

 

O que quer que faças, fá-lo com garra, com vontade, com determinação e querer. A diferença entre o ir fazer, o fazer e o estar feito, é o tempo, e esse tempo deve ser passado da melhor maneira possível porque tudo é o que fazes. Todo tempo que passa é o tempo que tu passas. Todos os momentos que passam são os momentos teus que tu passas. Tudo o que é feito é o que tu fazes. Não serás digno de fazer coisas bem feitas? E saboreá-las?

 

Faz de ti o melhor que podes, pois és aquilo que fazes e o que tu fazes é o que és. A tua acção traduz em concreto o teu pensamento. Se pensas no bem, fazes coisas boas. Se pensas no mal, não o devias…

 

És tu o motor da tua vida. A tua vida é os momentos que tens, com as pessoas e coisas com que interages. É o que lês e comes. O que bebes e vês. O que ouves e sentes. O que beijas e amas. Faz valer o teu motor.

 

Mas faz… não pares porque não queres falhar. Falha, faz e repete, se puderes. Se não puderes, faz na mesma. Parte os copos que tiveres que partir, mas não deixes de beber o teu vinho com o medo de os partir, porque o teu copo é apenas o recipiente que usas para transportar o teu vinho. Não lhe dês demasiada importância.

 

Age!

 

Mário L. Soares

 

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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

As Barreiras da Vida

 

(foto de Oliver Ross) 

 

Estão barradas as portas

Blocos grandes de cimento

Cobrem de negro rosas mortas

Que jazem no chão eternamente

 

São vidas perdidas, paradas…

Pára o sangue que está a morrer,

Pede perdão às pedras suadas

E uma nova razão de viver!

 

A mão que rasga o tijolo rugoso,

Que empurra a murro a pedra imóvel

Que lava de lágrimas o concreto orgulhoso.

 

Bate no coração que quer viver

Volve dentro do peito de raiva!

Será ele que o irá vencer…

 

Mário L. Soares

 

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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Se o homem pudesse dizer

 

(Angelina Jolie - foto dos extras do DVD do filem "Gia") 

 

 

Se o homem pudesse dizer o que ama,

se o homem pudesse levantar ao seu o seu amor

Como nuvem na luz;

Se, quais muros que se derrubam,

Para saudar a verdade erguida entre eles,

Pudesse derrubar o seu corpo, deixando só a verdade do seu amor,

A verdade de si mesmo.

Que não se chama glória, fortuna ou ambição,

Mas amor ou desejo,

Eu seria o que imaginava;

O que com sua língua, seus olhos, suas mãos

Proclama ante os homens a verdade ignorada,

A verdade do seu amor verdadeiro.

 

Liberdade não conheço senão a liberdade de estar preso a alguém

Cujo nome não posso ouvir sem calafrios;

Alguém por quem me esqueço desta existência mesquinha,

Por quem o dia e a noite são para mim o que ele queira,

E meu corpo e espírito flutuam em seu corpo e espírito

Como troncos perdidos que o mar afoga ou ergue

Livremente, com a liberdade do amor,

A única liberdade que me exalta,

A única liberdade por que morro.

 

Tu justificas minha existência:

Se não te conheço, não vivi jamais;

Se morro sem conhecer-te, não morro, porque não vivi nunca.

 

Luis Cernuda, em "Antologia da Poesia espanhola contemporânea"

 

publicado por Lagash às 16:11
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Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Não choreis os mortos

 

(foto de Sergei Ponomarev)

 

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, à solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

 

E, quando à tarde, o Sol, entre brasidos,

Agonizar… guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puras,

Para os que vivem, nudos e vencidos.

 

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer.

 

E, ao meditar, então, na paz da Morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer.

 

Pedro Homem de Mello

 

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Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Luz

 

 

A luz entrou-me pela janela, na noite que passou por mim, sorrindo e rindo, brincando e aprendendo, como uma criança com um novo brinquedo.

 

Finos raios de sol iluminaram a minha escura e só existência de ontem. No fundo do túnel abriu-se um portal para o outro lado. Um mundo, novo e cheio de experiências novas. Ideias e cores para descobrir, qual terra nova descoberta no meio do breu em mares do Adamastor.

 

Sorrisos e risos de alegria verdadeira ofertei ao sol que me enchia a noite. Que beleza de imagens projectadas em mim. Seria real? Terá sido um sonho? Não terei visto o que vi? Quero e gostava de acreditar que sim…

 

Até logo.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:04
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Pisco Lógico

 

(quadro a óleo de Marianela de Vasconcelos) 

 

Dou-vos hoje um poema que tive a honra de ler publicamente no passado Sábado na inauguração da exposição de pintura da poeta, escritora, pintora e jornalista... e mãe de duas bonitas pessoas que lançaram a fotobiografia "da mãe" também neste Sábado - o Eduardo e a Tânia. 

 

Tanto a fotobiografia como a exposição da Marianela de Vasconcelos poderão visitar em Loulé na galeria de Arte do Convento Espírito Santo, até ao dia 28 de Março.

 

Parabéns aos filhos da Marianela, tenho a certeza que "a mãe" está orgulhosa de vós. (perdoem-me a ousadia de publicar um poema dela aqui...)

 

 

Pisco Lógico

 

Se te queres matar…

(sempre te queres matar?),

escolhe um lugar fresco e abrigado,

longe da estrada e do teu povoado

onde apodreças sem deixar vestígio;

não digas a ninguém do teu intento,

liquida os teus negócios

cem

por cento

e organiza um suicídio

de prestígio.

 

Não se pode morrer de qualquer jeito.

Tem de haver senso,

tem de haver respeito;

a morte não nos pode deixar mal.

E se é forçoso que venha no jornal

ainda temos de pensar melhor.

Nada de armas brancas, nem pistola,

nada de pós que façam mal à tola,

tudo tranquilo, tudo com rigor.

 

Longe o veneno para o escaravelho!

Eu sei que és feio

e estás a ficar velho,

mas não és nada p’ra deitar ao lixo.

Não te exponhas a morrer morto de dores,

roto de medo,

cheio de tremores, de vómito e excremento,

como um bicho!

 

Pára e pensa e telefona, se quiseres,

porque seja o que for que me disseres,

eu entendo,

eu aceito,

eu já sabia.

Enfrasca-te em rosé ou chá de tília,

não abras o teu jogo p’ra família

e vai dormir co’a mãe da tua tia.

 

E depois dá uma festa memorável,

compra uma loura

e um descapotável

e diverte-te à grande

e faz poemas

e canta a marselhesa e as tuas penas

e desperta a atenção das raparigas!

 

Quando cair a noite vai p’ra cama,

E faz amor com alma

E faz amor com gana

 

… e manda o teu suicídio pr’ás urtigas!

 

Marianela de Vasconcelos

 

publicado por Lagash às 16:14
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Quem morre

 

(barco abandonado - desconheço o autor da foto) 

 

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve

música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se

deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do habito,

repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de

marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com

quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro

sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um

redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos

olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o

seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir

atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na

vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má

sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde

quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar

vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de

respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio

esplêndido de felicidade.

 

Pablo Neruda

 

publicado por Lagash às 16:22
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Domingo, 21 de Dezembro de 2008

O sorriso

 

(foto de PrASanGaM, mais fotos em http://flickr.com/photos/eyes_manish/ )

 

O sorriso é o idioma do amor universal, até as crianças compreendem. Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, transmite boa energia. Mas sorria com a alma, não apenas com os lábios. Aqueles que não sorriem verdadeiramente, não vivem verdadeiramente.

 

Autor desconhecido

 

 

 

publicado por Lagash às 16:18
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Exaltação

Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer
Ao Céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...

Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!...

Trago na boca o coração dos cravos!
Boémios, vagabundos, e poetas:
- Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...
 


Florbela Espanca

publicado por Lagash às 01:10
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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