Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Sol

 

 

Ó sol que miras p’lo céu!

Vens e banhas o ventre

Tocas o meu pelo véu

Molhas, seco e quente.

 

Azuis sorrisos tu brilhas

Esperança, de ti, existência

E as estrelas, tuas filhas,

Choram à noite, vivência.

 

Milhas de longe e de luz

Abraças a terra fecunda

Beijas o mar que seduz

Semente pátria profunda

 

Alento dás tempo à hora

Montanhas, campos de sal

Eriges estruturas de flora

Invocas o Deus contra o mal

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:02
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Domingo, 17 de Janeiro de 2010

Espalhem a notícia

 

 

Espalhem a notícia

do mistério da delícia

desse ventre

Espalhem a notícia

do que é quente e se parece

com o que é firme e com o que é vago

esse ventre que eu afago

que eu bebia de um só trago

se pudesse

 

Divulguem o encanto

o ventre de que canto

que hoje toco

a pele onde à tardinha desemboco

tão cansado

esse ventre vagabundo

que foi rente e foi fecundo

que eu bebia até ao fundo

saciado

 

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita…

 

A terra tremeu ontem

não mais do que anteontem

pressenti-o

O ventre de que falo como um rio

transbordou

e o tremor que anunciava

era fogo e era lava

era a terra que abalava

no que sou

 

Depois de entre os escombros

ergueram-se dois ombros

num murmúrio

e o sol, como é costume, foi um augúrio

de bonança

sãos e salvos, felizmente

e como o riso vem ao ventre

assim veio de repente

uma criança

 

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo de mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita…

 

Falei-vos desse ventre

quem quiser que acrescente

da sua lavra

que a bom entendedor meia palavra

basta, é só

adivinhar o que há mais

os segredos dos locais

que no fundo são iguais

em todos nós

 

Eu fui ao fim do mundo

eu vou ao fundo do mim

vou ao fundo do mar

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar

no corpo de uma mulher

bonita…

 

Sérgio Godinho

 

publicado por Lagash às 16:27
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O teu colo

 

 

Onde eu deito

a cabeça

e descanso…

 

Onde os meus olhos

se fecham de sono

e prazer…

 

Onde é o abrigo

do meu medo

e que alberga…

 

Onde está o quente

do amor que nos une

e brinda…

 

Onde tu és

e eu sou

e nós somos…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 13:21
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Nas ervas

 

(Debora Salvalaggio)

 

Escalar-te lábio a lábio,

percorrer-te: eis a cintura

o lume breve entre as nádegas

e o ventre, o peito, o dorso

descer aos flancos, enterrar

 

os olhos na pedra fresca

dos teus olhos,

entregar-me poro a poro

ao furor da tua boca,

esquecer a mão errante

na festa ou na fresta

 

aberta à doce penetração

das águas duras,

respirar como quem tropeça

no escuro, gritar

às portas da alegria,

da solidão.

 

porque é terrivel

subir assim às hastes da loucura,

do fogo descer à neve.

 

abandonar-me agora

nas ervas ao orvalho -

a glande leve.

 

Eugénio de Andrade

publicado por Lagash às 16:17
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Os teus olhos

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Os teus olhos

exigindo

ser bebidos

 

Os teus ombros

reclamando

nenhum manto

 

Os teus seios

pressupondo

tantos pomos

 

O teu ventre

recolhendo

o relâmpago

 

David Mourão Ferreira

publicado por Lagash às 16:19
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Raios partam!

 

Raios partam esta merda!

Não tenho força para mais,

Amarguro por dentro e fico

Luto contra mim e todos

 

Amo a vida, e ela ama-me a mim

Tudo o que me rodeia tem de bom

O melhor que pode ser

Em cada esquina um sol a sorrir

 

Mas, sem perceber porquê,

Fico em baixo, fornicado da vida,

Sem vontade, sem acção, morto.

Quero sair desta sepultura…

 

Quero estar lá no alto do voo…

Saltar sem olhar para baixo,

Sentir a liberdade do vento

No sorriso de um bebé de cabelo castanho

 

Não quero o nojo do mal e do fel

Do Homem ruim e vingativo,

Não! Afasta de mim esse cálice e vai!

Desaparece! Cão!

 

Amo-te vida…

Abraço-te e fico contigo. É bom…

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 02:21
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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