Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Sol

 

 

Ó sol que miras p’lo céu!

Vens e banhas o ventre

Tocas o meu pelo véu

Molhas, seco e quente.

 

Azuis sorrisos tu brilhas

Esperança, de ti, existência

E as estrelas, tuas filhas,

Choram à noite, vivência.

 

Milhas de longe e de luz

Abraças a terra fecunda

Beijas o mar que seduz

Semente pátria profunda

 

Alento dás tempo à hora

Montanhas, campos de sal

Eriges estruturas de flora

Invocas o Deus contra o mal

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:02
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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Morte

 

 

Não suportarei o retiro

Virarei terras que me envolvem

Na cabeça ficará um tiro

Comerei vermes que me sorvem.

 

Podre o húmus que me torno

Chove rubras gotas em molhos

Frio o gelo deste forno

Raízes de mastros pelos olhos

 

Cheiro fétido putrefacto

Fechado em volta de uma arca

Saboreio sem língua o mato

 

Claustro refúgio que quero

Fuga da história que fica

Morte anunciada que espero

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:16
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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Languidez

 

("Jove Decadente" por Ramon Casas, 1910) 

 

 

Tardes da minha terra, doce encanto,

Tardes duma pureza de açucenas,

Tardes de sonho, as tardes de novenas,

Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

 

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!...

Horas benditas, leves como penas,

Horas de fumo e cinza, horas serenas,

Minhas horas de dor em que eu sou santo!

 

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,

Que poisam sobre duas violetas,

Asas leves cansadas de voar...

 

E a minha boca tem uns beijos mudos...

E as minhas mãos, uns pálidos veludos,

Traçam gestos de sonho pelo ar...

 

Florbela Espanca

 

publicado por Lagash às 16:27
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Não cortem o cordão

 

 

Não cortem o cordão que liga o corpo à criança do sonho,

o cordão astral à criança aldebarã, não cortem

o sangue, o ouro. A raiz da floração

coalhada com o laço

no centro das madeiras

negras. A criança do retrato

revelada lenta às luzes de quando

se dorme. Como já pensa, como tem unhas de mármore.

Não talhem a placenta por onde o fôlego

do mundo lhe ascende à cabeça.

Linhas cristalográficas atravessando os cornos.

 

A veia que a liga à morte.

Não lhe arranquem o bloco de água abraçada aonde chega

braço a braço. Sufoca.

Mas não desatem o abraço louco.

 

A terra move-a quando se move.

 

Não limpem o sal na boca. Esse objecto asteróide,

não o removam.

A árvore de alabastro que as ribeiras

frisam, deixem-na rasgar-se:

- Das entranhas, entre duas crianças, a que era viva

e a criança do sopro, suba

tanta opulência. O trabalho confuso:

que seja brilhante a púrpura.

Fieiras de enxofre, ramais de quartzo, flúor agreste nas bolsas

pulmonares. Deixem que se espalhem as redes

da respiração desde o caos materno ao sonho da criança

exacerbada,

única.

 

Herberto Hélder

 

publicado por Lagash às 16:30
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Dia da Terra

 

 

Se você desistir, eles também desistem... 

 

O Dia Internacional da Terra e do Património Geológico, foi instituído pelo senador americano Gaylord Nelson, (país que não assinou o acordo de Kioto e que contribui em muito para o degradar da Natureza mundial), no dia 22 de Abril de 1970.

 

Todos devemos contribuir para melhorar a nossa casa. É nela que vivemos e temos a responsabilidade e dever de a preservar. Devemos Reduzir, Reciclar e Reutilizar.

 

Contribua:

 

Não polua;

Tenha o cuidado de não utilizar produtos poluentes;

Beba água e café em copos ou chávenas reutilizáveis;

Reutilize os sacos plásticos do supermercado, ou de preferência, leve um saco ou cesto de casa quando for às compras;

Faça reciclagem;

Use pilhas recarregáveis – até poupa dinheiro;

Imprima documentos somente se necessário – visualize-os no ecrã sempre que possível;

Quando imprimir imprima nos 2 lados da página (se puder);

Se tem jardim, programe a rega para bem cedo, à noite ou ao cair da noite para evaporar menos água (não imagina o que vai poupar em água);

Utilize lâmpadas economizadoras (economizar diz tudo);

Dê as suas roupas velhas e brinquedos (para além de ajudar alguém está a preservar o ambiente);

Desligue as luzes e aparelhos eléctricos quando não os está a utilizar;

Ponha o lixo no lixo e não no chão.

 

Fale com os outros (habitantes do planeta) se os vir a transgredir – estão a sujar-lhe a casa!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:16
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Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Paisagem

 

(Ilha de Matakana na Nova Zelândia) 

 

Passavam pelo ar aves repentinas,

O cheiro da terra era fundo e amargo,

E ao longe as cavalgadas do mar largo

Sacudiam na areia as suas crinas.

 

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,

Era a carne das árvores elástica e dura,

Eram as gotas de sangue da resina

E as folhas em que a luz se descombina.

 

Eram os caminhos num ir lento,

Eram as mãos profundas do vento

Era o livre e luminoso chamamento

Da asa dos espaços fugitiva.

 

Eram os pinheirais onde o céu poisa,

Era o peso e era a cor de cada coisa,

A sua quietude, secretamente viva,

E a sua exalação afirmativa.

 

Era a verdade e a força do mar largo,

Cuja voz, quando se quebra, sobe,

Era o regresso sem fim e a claridade

Das praias onde a direito o vento corre.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

publicado por Lagash às 16:21
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Recordação

 

 

Eu bem sei

Que rodo em muitas esferas

E não sei

Por onde me levas, poesia.

Quando vou,

E não encontro ninguém,

Tenho medo do que sei:

Um filho de sua mãe

E seu pai,

Ou algum longínquo avó,

A quem um poeta sai.

Será também o Deus da infância

E a árvore sagrada

De frutos proibidos,

Na fragrância

Com que rasguei meus vestidos

E não retirei os ninhos...

 

Enchi de rosas a terra

E levo nas mãos espinhos.

 

Afonso Duarte

publicado por Lagash às 16:20
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Domingo, 10 de Agosto de 2008

Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam

 

 

 

 

Nove cavaleiros cavalgaram em passo decidido,

Os nove encontraram o medo perdido,

Agarraram a vida e o conhecimento vivido,

Pela humanidade perdida no mundo esquecido.

 

Imponentes e firmes peregrinos guardaram,

Outros companheiros, mestres tornaram,

Para a Sua gloria e amor glorificaram,

E hoje ainda, os há, quem sabe ficaram?

 

Fortes e ricos eram em vida, o querer,

Na mão tinham, terras, reinos e poder,

Nada tinham no fundo, era apenas o ser,

Riqueza de dentro, amor e prazer.

 

Na morte, p’la cruz, a rosa e a vida,

O sangue derrama na terra pérfida,

Além ascendem com a alma aquecida,

O amor pelo próximo, sempre em cada investida.

 

Com espada de fogo combatem o mal,

Rodopiam pelo ar que provoca a espiral,

De branco tingidos de água e cal,

A terra de sangue em cruz por igual.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:03
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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