Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Nem tudo o que parece é

 

 

Será que é aquilo que parece?

Ou poderá o que fosse, não ser,

E ser aquilo que me apetece

Em vez daquilo que estou a ver?

 

Não será o que é, por certo,

Nem poderá ser aquilo que penso,

Está mesmo aqui tão perto,

Que os meus olhos não venço.

 

Que pode ser que vê a mente

Que nem o coração ver quer,

E o peito rebenta quando sente.

 

É apenas o que quero perceber:

Será aquilo que não vê a gente,

Mas aquilo que se quer ver?

 

Mário L. Soares

 

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Quem sou eu além daquele que fui?

 

(Mário L. Soares - 2007) 

 

 

Quem sou eu além daquele que fui?

Perdido entre florestas e sombras de ilusão

Guiado por pequenos passos invisíveis de amor

Jogado aos chutes pelo ódio do opressor

Salvo pelas mãos delicadas de anjos

Reerguido, mais forte, redimido,

Anjos salvei

Por justiça lutei

E o amor novamente busquei

 

Quem sou além daquele que quero ser?

Puro, sábio e de espírito em paz

Justo, mesmo que por um instante,

Forte, mesmo sem músculos,

E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo”

 

Mas quem sou eu além daquele que aqui está?

Sou vários, menos este.

O que aqui estava, jamais está

E jamais estará

Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser

Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…

Mas no momento seguinte será diferente

Posso estar no caminho da perfeição

Cheio de imperfeições

Sou o que você vê…

Ou o que quero mostrar.

Mas se olhar por mais de um segundo,

Verá vários “eus”,

Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei.

 

Christian Gurtner

 

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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Confio

 

 

Confio no sorriso de uma criança,

creio no ser melhor todos os dias.

Acredito no cume da montanha

que toca o céu com as mãos.

 

Confio naquele olhar infinito,

no porvir mais desejado,

na sinceridade dos Homens,

e na verdade da Palavra.

 

Confio no saber e nos livros,

no bem sobre o mal,

no coração de um mendigo,

mesmo que falseie o seu mundo.

 

Confio em ti e no momento,

e no que sentes assim.

Confio-te o meu ser – agora.

Confio na tua mão e no amor.

 

Mário L. Soares

 

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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Alento

 

 

O vazio do que está completamente cheio

O corpo que transporta a alma e se mantém estéril

Nada brota de um pântano podre!

Nada é, sem ser o que é… apenas.

 

Serei apenas o produto das partes?

A soma de tudo o que fui? E o que serei?

Onde entra o amor na equação?

Limpam-se armas em tempo de paz…

 

Recomeçar é apenas voltar a começar.

Novo fôlego tomo no fim de tudo

E sigo o caminho inicial… com a mesma vontade

E o mesmo querer.

 

Queira-me Deus consigo no fim

Porque nunca quis mal a ninguém.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:12
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Sábado, 13 de Junho de 2009

A Criança que fui chora na estrada

 

 

A Criança que fui chora na estrada,

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

 

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou

A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

 

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

 

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

 

Fernando Pessoa, 22 de Setembro de 1933

 

publicado por Lagash às 16:24
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Eu

 

 

Até agora eu não me conhecia,

Julgava que era Eu e eu não era

Aquela que em meus versos descrevera

Tão clara como a fonte e como o dia.

 

Mas que eu não era Eu não o sabia

mesmo que o soubesse, o não dissera...

Olhos fitos em rutila quimera

Andava atrás de mim... e não me via!

 

Andava a procurar-me - pobre louca! -

E achei o meu olhar no teu olhar,

E a minha boca sobre a tua boca!

 

E esta ânsia de viver, que nada acalma,

E a chama da tua alma a esbrasear

As apagadas cinzas da minha alma!

 

Florbela Espanca

 

publicado por Lagash às 16:03
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Terça-feira, 7 de Abril de 2009

Chão

 

 

Apetece-me des-ser-me;

reatribuir-me a átomo.

cuspir castanhos grãos

mas gargantadentro;

isto seja: engolir-me para mim

poucochinho a cada vez

um por mais um: areios.

assim esculpir-me a barro

e re-ser chão. muito chão.

apetece-me chãonhe-ser-me.

 

Ondjaki

 

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Domingo, 8 de Março de 2009

Beijo de novo

 

(Isabelle Adjani) 

 

Mulher que te beijo de novo,

tens a voz de um pássaro tropical,

sorris quando me movo,

És linda, bela e natural.

 

Toco-te a mão e retrais-te…

Aproximo-me e falo-te,

respondes e vais-te…

Dizes, não falas, calo-te.

 

Altiva, sabes ser,

presente para o homem.

Entendes o meu querer.

 

Levanto-te o véu.

Aos teus olhos doces de sol,

dou o dia, dou o céu.

 

Mário L. Soares

 

 

 

publicado por Lagash às 16:25
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Recomeço

 

Em aprumo aponto o dedo

No espelho olho o que me dá medo

Corro aos papéis em segredo

E escrevo sem enredo

 

Vou em frente e entro pelo meu caminho

A minha mente manda ou não estou sozinho

Crio rápido sem qualquer alinho

Não penso no que sou nem que definho

 

Sinto ganas de recomeçar

Vontade de não parar

Força para me elevar

Energia para me levantar

 

Volvo ao que era antes de ser

Retorno a mim mesmo sem poder

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 16:13
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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Graal

 

(pintura de Dante Gabriel Rossetti - "The Damsel of the Sanct Grael" ou "O Santo Graal" exposta no museu Tate Britain em Londres)

 

Aqui estou eu rendido,

Por aquilo que é e é!

Seja então! E eu também o serei!

Não temerei e estarei ao nível e ao mesmo pé!

 

Será de nós a nossa vida

Apenas fotos e filmes… esses

Sons, ideias e sensações?

Essas coisas que nos acontecem

Será? É isso que é o que é?

 

É realmente… pronto, não

Argumento! Não discuto!

Não refuto! Mas então que

Dê fruto!

 

Que se ponha nos dedos aqui!

Que mostre por dentro de si…

- Que vai por ali, que não vi!!

Porra! Nem sei bem o que perdi!

 

Valerá a pena esta cena?

Que vivemos, no fundo, por um lema,

Numa vida de cinema…

Sem chama!

 

Beijo e amo tudo!

Tudo quero abraçar,

Querer caminhar e receber…

É isso que quero

 

Venham beijos e noites

Para que possa viver, amar e beijar

No verdadeiro!

 

Vivam-se os dias em contagem

De gotas de suor que nas

Estalagmites estalam vindas de

Estalactites, outras…

 

Amem-se os aranhiços e

Refastelem-se as moscas, sem mal!

Amem, pois o que é, é!

- É isso mesmo! É esse

O nosso Graal!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:18
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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