Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Sol

 

 

Ó sol que miras p’lo céu!

Vens e banhas o ventre

Tocas o meu pelo véu

Molhas, seco e quente.

 

Azuis sorrisos tu brilhas

Esperança, de ti, existência

E as estrelas, tuas filhas,

Choram à noite, vivência.

 

Milhas de longe e de luz

Abraças a terra fecunda

Beijas o mar que seduz

Semente pátria profunda

 

Alento dás tempo à hora

Montanhas, campos de sal

Eriges estruturas de flora

Invocas o Deus contra o mal

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:02
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Enfermidade

 

 

Enfermidade da vida

E a vida própria perdida

Que é o que temos

E é o que dentro tememos

 

Fugimos do amor e do sorriso

Corremos ao Inferno, esquecido o paraíso

Choramos a vida e o sal

Abraçamos o sofrer e o mal

 

Amamos o ouro, jóias e cimento

Todas as posses e poder

E vis coisas de tormento

 

Queremos, para não mais saber

Parar a vida no firmamento

Abrir os olhos e deixar de ver.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:18
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Não cortem o cordão

 

 

Não cortem o cordão que liga o corpo à criança do sonho,

o cordão astral à criança aldebarã, não cortem

o sangue, o ouro. A raiz da floração

coalhada com o laço

no centro das madeiras

negras. A criança do retrato

revelada lenta às luzes de quando

se dorme. Como já pensa, como tem unhas de mármore.

Não talhem a placenta por onde o fôlego

do mundo lhe ascende à cabeça.

Linhas cristalográficas atravessando os cornos.

 

A veia que a liga à morte.

Não lhe arranquem o bloco de água abraçada aonde chega

braço a braço. Sufoca.

Mas não desatem o abraço louco.

 

A terra move-a quando se move.

 

Não limpem o sal na boca. Esse objecto asteróide,

não o removam.

A árvore de alabastro que as ribeiras

frisam, deixem-na rasgar-se:

- Das entranhas, entre duas crianças, a que era viva

e a criança do sopro, suba

tanta opulência. O trabalho confuso:

que seja brilhante a púrpura.

Fieiras de enxofre, ramais de quartzo, flúor agreste nas bolsas

pulmonares. Deixem que se espalhem as redes

da respiração desde o caos materno ao sonho da criança

exacerbada,

única.

 

Herberto Hélder

 

publicado por Lagash às 16:30
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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