Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

O sexo é sagrado...

 

 

O sexo é sagrado,

como salgadas são as gotas de suor

que brotam dos meus poros

e encharcam nossas peles.

A noite é meu templo

onde me torno uma deusa enlouquecida

sentindo teus pelos sobre a minha pele.

Neste instante já não sou nada,

somente corpo,

boca,

pele,

pêlos,

línguas,

bocas.

E a vida brota da semente,

dos poucos segundos de êxtase.

Tuas mãos como um brinquedo

passeiam pelo meu corpo.

Não revelam segredos

desvendam apenas o pudor do mundo,

descobrem a febre dos animais.

Então nos tornamos um

ao mesmo tempo em que

a escuridão explode em festa.

A noite amanhece sem versos,

com a música do seu hálito ofegante.

O sol brota de dentro de mim.

Breves segundos.

Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.

Eu fui feliz.

 

Cláudia Marczak

 

publicado por Lagash às 16:13
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O teu colo

 

 

Onde eu deito

a cabeça

e descanso…

 

Onde os meus olhos

se fecham de sono

e prazer…

 

Onde é o abrigo

do meu medo

e que alberga…

 

Onde está o quente

do amor que nos une

e brinda…

 

Onde tu és

e eu sou

e nós somos…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 13:21
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Mais que o teu corpo

 

(Anne Hathaway) 

 

Mais que o teu corpo quero o teu pudor

quero o destino e a alma e quero a estrela

e quero o teu prazer e a tua dor

o crepúsculo e a aurora e a caravela

para o amor que fica além do amor.

 

A alegria e o desastre e o não sei quê

de que fala Camões e é como água

que dos dedos se escapa e só se vê

quando o prazer se torna quase mágoa.

 

Estar em ti como quem de si se parte

e assim se entrega e dando não se dá

quero perder-me em ti e quero achar-te

como num corpo o corpo que não há.

 

Manuel Alegre

 

publicado por Lagash às 16:23
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

O prazer da crítica

 

 

 

"Se há no mundo alguma coisa especialmente díficil

e para a qual, apesar disso,

nos sentimos preparados,

é a arte de criticar."

 

J. L. Martín Descalzo

 

Dizia Dale Carnegie que “a critica é fútil”. Disse também que ao criticarmos alguém ferimos o orgulho dessa pessoa, magoamos o seu íntimo. Não quis, nem se quer para este efeito, analisar o merecimento da crítica ou a pertinência da mesma. Ou até, da intenção da crítica, que pode em determinadas circunstâncias ser a única medida para solucionar um problema. Apenas disse que o era. E é!

 

Não me cabe a mim a elaborada missão de criticar quem critica, se assim o fosse, estaria a incorrer no erro já anteriormente criticado. Não. Antes farei uma incursão pelos momentos deliciosos da crítica, que todos nós já experimentámos e que continuamos a fazer, diariamente sem dó nem piedade.

 

Que sentimos quando apontamos o dedo a um político? Governante? Polícia? Funcionário público? Professor? Colega de trabalho? Ou um mero condutor que se cruza no nosso caminho na estrada? Satisfação? Poder? Ódio? Raiva?

 

Tem tudo a ver com a transferência de energias, diz James Redfield no seu romance best-seller “A profecia Celestina”, e que a crítica será uma das armas de ataque contra o oponente a enfrentar e derrotar, a fim de sugar a sua energia pela vitória, pelo cansaço e aniquilação. Há mestres na crítica e no confronto. Esses bem falantes que conseguem reinar dividindo ("Divide et regna" – como já era usado por Luis XI de França, Filipe II da Macedónia, ou até pelos Césares da Roma imperial) e agraciando o seu próprio ego com a taça de vitória sobre o oponente vencido.

 

O curioso é que a transferência energética fará mais sentido, quando analisada como um fenómeno científico possível, no confronto directo e pessoal, e não à cobarde distância. Ora, sabemos que se pode criticar alguém mesmo quando essa pessoa está ausente, ou simplesmente não nos pode ouvir, certo? Então que tipo de energia é transferida? - a do ouvinte! Ele dá-nos a energia de bom grado. Vejamos um exemplo simples: estou com um qualquer Manel no café e digo – “estes turistas conduzem mal que se farta!”, o outro poderá dizer – “tens toda a razão, pá! Os gajos são uns aselhas!”. Isto criará entre mim e o Manel uma sensação de cumplicidade pela partilha de uma opinião comum. O Manel dá-me um pouco da sua energia e eu agradeço e retribuo, com um sorriso que indicia – “nós é que somos bons condutores – os turistas não prestam!” e partilho um pouco da minha energia. A energia é partilhada e não subtraída aos outros – que coitados (ou não) nem sabem que lhe “cortam a casaca”.

 

A crítica contra terceiros ausentes (chamemos-lhe assim) é muito comum e normalmente resulta numa animada troca de críticas subsequentes que têm exactamente o mesmo objectivo da primeira, como por exemplo (e no seguimento do exemplo dos turistas), “então e os lisboetas? Nem queiras saber, pá!”. E assim por diante na bondade da partilha de cúmplices opiniões contra os outros.

 

Imaginemos agora outra situação de confronto que pode resultar do ”síndrome dos turistas maus condutores”, que é quando o outro diz: “eu sou turista, pá!” (que todos somos ou fomos) ou mais comummente “eu sou lisboeta, pá!” para o caso do alvo serem os ditos. O que pode ter como consequência uma de duas coisas: ou o Manel retrata-se e corrige “nem todos os lisboetas, é os velhos que eu me refiro, pá!” ou então vai à luta e diz “sim pá, tu és um banana ao volante!” o que direcciona a uma discussão directa (com troca de energias a subtrair) e que pode ter mil resultados, entre eles o insulto e a violência, mas que não terá um desfecho muito diferente de vencedor e vencido.

 

Qualquer que seja a situação a crítica tem como objectivo imediato e necessário a satisfação da necessidade de afirmação e poder perante o outro e si próprio de um egoísmo puro e básico.

 

Sugiro a quem possa interessar, onde me incluo a mim próprio, e sem qualquer crítica, que possamos elogiar, louvar, criar, engrandecer, estimar e acariciar, o que está bem e quem temos pela frente, em vez de criticar.

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 16:17
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

Amar o teu amor

 

 

Com um beijo começa a minha senda,

Vou contigo nesta viagem deleitosa…

Sabes o que quero e vens com um sorriso,

Apalpo e toco o que a imaginação desvenda,

Respiro a tua escura furna amistosa,

Apertas, agarras, sabes onde preciso…

 

O meu corpo bebe o teu seio

Delicia o sabor dos meus lábios

Lubrifica os olhos da minha mente

Abrem-se os corpos pelo seu meio

Os sexos unem-se, são sábios…

Tocam-se gozando o tempo presente.

 

Habito no abrigo da tua tenda de mel,

Que é gente disfarçada de lobo,

E que sabe, com toda a mestria,

Deleitar quem te apraz o anel…

Penetro-o, e grunho como um bobo…

Entro e amo como um deus grego faria.

 

Gritas de amor, perdida no alto,

Voas no céu, percorres o mato,

Nadas em mim, molhas o leito,

Arranhas a pele que tomas de assalto…

Encontras-te em mim, e no imediato…

Franzes os olhos, beijas o meu peito…

 

Como me adora o teu quente abraço,

Tal como te quero o pescoço,

E chupo com avidez acendido…

E sorvo loucamente o teu cansaço,

Dás-te completamente e sem esforço,

Culmino, e consagro-te o meu líquido…

 

Em beijos, delicio a paixão,

Relaxo suavemente e com estima,

Carinho, uma lágrima, no teu rosto…

Que corre até ao coração.

E toca por dentro e por cima,

Do amor que no peito foi posto.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
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Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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