Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Languidez

 

("Jove Decadente" por Ramon Casas, 1910) 

 

 

Tardes da minha terra, doce encanto,

Tardes duma pureza de açucenas,

Tardes de sonho, as tardes de novenas,

Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

 

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!...

Horas benditas, leves como penas,

Horas de fumo e cinza, horas serenas,

Minhas horas de dor em que eu sou santo!

 

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,

Que poisam sobre duas violetas,

Asas leves cansadas de voar...

 

E a minha boca tem uns beijos mudos...

E as minhas mãos, uns pálidos veludos,

Traçam gestos de sonho pelo ar...

 

Florbela Espanca

 

publicado por Lagash às 16:27
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Barrow-on-furness V

 

 

 

Há quanto tempo, Portugal, há quanto 

Vivemos separados! Ah, mas a alma, 

Esta alma incerta, nunca forte ou calma, 

Não se distrai de ti, nem bem nem tanto. 

 

Sonho, histérico oculto, um vão recanto... 

O rio Furness, que é o que aqui banha, 

Só ironicamente me acompanha, 

Que estou parado e ele correndo tanto... 

 

Tanto? Sim, tanto relativamente... 

Arre, acabemos com as distinções,  

As subtilezas, o interstício, o entre, 

A metafísica das sensações — 

 

Acabemos com isto e tudo mais... 

Ah, que ânsia humana de ser rio ou cais!

 

Álvaro de Campos

 

publicado por Lagash às 16:07
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 25 de Julho de 2009

Os tempos - Tormenta

 

(Boca do Inferno - foto de Fernando E. R. Lemos) 

 

 

Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?

Nós, Portugal, o poder ser.

Que inquietação do fundo nos soergue?

O desejar poder querer.

 

Isto, e o mistério de que a noite é o fausto...

Mas súbito, onde o vento ruge,

O relâmpago, farol de Deus, um hausto

Brilha, e o mar ‘scuro ‘struge.

 

Fernando Pessoa

in Mensagem

 

publicado por Lagash às 16:10
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Minha Pátria

 

 

Portugal, meu amigo, meu pai.

Pariste-me, deste-me vida, pátria,

e o futuro para mim assim se vai.

És mãe do mundo meu, mátria.

 

Desistes e paras pátria! Tens medo?

Será o teu soldado que deserta?

Ou és tu que retiras em segredo?

Enfrenta o meu mundo e desperta.

 

Abana o globo como só tu sabes!

Mostra novas coisas, novos mundos...

Vence a apatia que acalma os mares!

 

Da Taprobana e Índia além foste na tua memória,

e agora é este peito português que te pede:

Conquista-te a ti novamente e volta à glória.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:07
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Mar Português

 

 

(Rochas, da autoria do Bentes) 

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal 

São lágrimas de Portugal! 

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 

Quantos filhos em vão rezaram! 

Quantas noivas ficaram por casar 

Para que fosses nosso, ó mar! 

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena 

Se a alma não é pequena. 

Quem quer passar além do Bojador 

Tem que passar além da dor. 

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 

Mas nele é que espelhou o céu. 

 

Fernando Pessoa, em “Mensagem”

 

publicado por Lagash às 16:19
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Pátria

 

(foto da autoria Rui Breia - Quinas) 

 

Por um país de pedra e vento duro

Por um país de luz perfeita e clara

Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência

Que a miséria longamente desenhou

Rente aos ossos com toda a exactidão

Dum longo relatório irrecusável

 

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas

Palavras sempre ditas com paixão

Pela cor e pelo peso das palavras

Pelo concreto silêncio limpo das palavras

Donde se erguem as coisas nomeadas

Pela nudez das palavras deslumbradas

 

— Pedra rio vento casa

 

Pranto dia canto alento

Espaço raiz e água

Ó minha pátria e meu centro

Eu minha vida daria

E vivo neste tormento

 

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

publicado por Lagash às 16:14
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Acreditar

 

 

Falta-nos acreditar… Falta-nos fé… Não em divindades e coisas sobrenaturais,

Mas sim em nós próprios.

 

Vamos acreditar que conseguimos. Vamos sonhar com o topo. Se tivermos o topo em vista, então o topo é possível alcançar. Se apenas metade da montanha almejarmos então o melhor que conseguiremos é essa metade! E nunca o topo!

 

O mal de não conseguir está no querer pouco, ou querer muito e desejar pouco. O sonho comanda a vida.

 

O sonho, o objectivo, a meta é o que nos move.

 

Força Portugal – eu acredito!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 10:30
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Onde penduro o chapéu

 

 

 

 

 

Passei por muitos arvoredos,

Pinhais, montes, cidades e vilas,

Colinas, lagos, prédios e ruínas,

Beleza sem fim e horríveis penedos

 

Andei por planícies e montanhas,

Caminhei por vales e estreitos,

Toquei casas e apartamentos,

Imensas vivendas estranhas

 

Vivi em barracas e mansões,

Comi do pior, também do melhor,

Topónimos todos, não sei de cor,

Vi lugares de luz e escuridões

 

Seja a sarjeta ou um céu

Seja na praia ou na serra

Na verdade a minha terra

É onde penduro o chapéu

 

Mário L. Soares (Poema a concurso em "Poemas da minha terra - Poesia em rede")

publicado por Lagash às 14:52
link do post | comentar | favorito
|

Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

mais sobre mim

procurar em Lagash

 

Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

posts recentes

Languidez

Barrow-on-furness V

Os tempos - Tormenta

Minha Pátria

Mar Português

Pátria

Acreditar

Onde penduro o chapéu

arquivos

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

tags

todas as tags

links

Prémios

Users Online
free counters
blogs SAPO

subscrever feeds