Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

O sexo é sagrado...

 

 

O sexo é sagrado,

como salgadas são as gotas de suor

que brotam dos meus poros

e encharcam nossas peles.

A noite é meu templo

onde me torno uma deusa enlouquecida

sentindo teus pelos sobre a minha pele.

Neste instante já não sou nada,

somente corpo,

boca,

pele,

pêlos,

línguas,

bocas.

E a vida brota da semente,

dos poucos segundos de êxtase.

Tuas mãos como um brinquedo

passeiam pelo meu corpo.

Não revelam segredos

desvendam apenas o pudor do mundo,

descobrem a febre dos animais.

Então nos tornamos um

ao mesmo tempo em que

a escuridão explode em festa.

A noite amanhece sem versos,

com a música do seu hálito ofegante.

O sol brota de dentro de mim.

Breves segundos.

Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.

Eu fui feliz.

 

Cláudia Marczak

 

publicado por Lagash às 16:13
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Bolero

 

("The Passion of Dance" - um quadro a óleo de Drew Jacoby) 

 

O crescendo continuo… o infiltrar e embeber da música pelo corpo e sentir… o infinito inalcançável… constante ‘suspense’… constante repetição… crescendo…

 

O querer mais além… a simplicidade do amor… a sensualidade no aumento do vigor… aumenta o volume… o tamanho, a sensação… o toque… o sentir…

 

A masculinidade e a feminilidade repetindo-se em movimentos pélvicos… belos e cheios de sedução…

 

O suor e o prazer em aromas fortes… a força e o controlo… a luta continua pelo fim… o prazer…

 

Depois… depois o cume… o alto pico, clímax, qual orgasmo explosivo que extasia todos os sentidos…

 

A beleza da dança para ornamentar uma peça de 1928 que foi imortalizada mais tarde também no cinema com a famosa Bo Derek (quem a esqueceu?). Foi composta por Ravel para a dança de um homem ou de uma mulher, e é esta (para mim) a sua melhor interpretação.

 

Porque a dança também é palavra expressada com o corpo - e diz-nos tanto…

 

Gozem (não encontro melhor palavra) o Bolero de Ravel.

 

Mário L. Soares

 

 


Bolero 2
Enviado por audiodelux. - Videos Independentes
publicado por Lagash às 16:15
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Sábado, 23 de Maio de 2009

Tocas-te

 

 

Tocas-te suavemente no quente dos lençóis, e o suor inunda o quarto. As janelas embaciadas apenas deixam entrar a luz do nascer do dia por entre as pequenas aberturas das persianas por onde entram também os olhares de um ou outro passeante que por ali tenha a sorte de andar.

 

O cheiro eleva-se no ar e mistura-se com o da torrada queimada que fizeste há pouco e com a barra de incenso de ontem já apagada no apoio, murcha e sem vida.

 

Um bafo de gata assanhada meio abafado faz-se ouvir seguido de duas ou três inspirações rápidas pelo meio dos dentes e interrompidas por espasmos…

 

Mais um pouco de movimento e mais um gemido.

 

Viras-te para cima e olhas o céu que está para lá do telhado da casa junto dos teus pensamentos mais fantasiosos. A mão esquerda toda o peito, esfregando os mamilos como se de limpeza precisassem e estes respondem apontando o infinito. A direita lá em baixo, peganhenta e molhada, atolando-se nos folhos do teu íntimo. Fechas os olhos outra vez e viras a cara para o lado direito, com o queixo na clavícula e a boca entreaberta que baba saliva para o ombro, sequiosa por abocanhar os fantasmas que a mente produz em catadupa só para este momento.

 

Descobres o corpo lançando o lençol com os pés a um mar no chão que banha a areia da tua cama e te refresca com uma lufada de ar fresco…

 

Esticas a perna esquerda. A direita, dobrada, apoia e abres-te ao mundo o mais possível.

 

Esticas o dedo grande do pé direito em direcção ao fundo da cama formando uma linha recta com o pé e a canela como se em pontas dançasses. O outro pé pelo contrário, está flectido e os dedos para trás, abertos, como as tuas duas pernas que arqueiam agora e elevam as nádegas ao tecto… onde tu já estás… perdida, leve e flutuante, em prazer… um grito abafado de quente…

 

Inspiras rápido, expiras fundo e forte. Contrais os músculos do abdómen e das nádegas, e prendes a respiração… mexes rápido os dedos em todas as direcções como um DJ num disco, abanas e gritas três vezes em impulsos para cima e para baixo como se empurrasses o tecto com as ancas…

 

Respiras e relaxas…

 

Será que os vizinhos te ouviram? - Que vergonha…

 

É manhã e vais tomar banho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:24
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Nas ervas

 

(Debora Salvalaggio)

 

Escalar-te lábio a lábio,

percorrer-te: eis a cintura

o lume breve entre as nádegas

e o ventre, o peito, o dorso

descer aos flancos, enterrar

 

os olhos na pedra fresca

dos teus olhos,

entregar-me poro a poro

ao furor da tua boca,

esquecer a mão errante

na festa ou na fresta

 

aberta à doce penetração

das águas duras,

respirar como quem tropeça

no escuro, gritar

às portas da alegria,

da solidão.

 

porque é terrivel

subir assim às hastes da loucura,

do fogo descer à neve.

 

abandonar-me agora

nas ervas ao orvalho -

a glande leve.

 

Eugénio de Andrade

publicado por Lagash às 16:17
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Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Orgasmo

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Segura o mastro e navega-me…

Abre-te para o mundo e goza…

Beija-me o pescoço, protege-me.

Olha os meus olhos, libidinosa…

 

Enterra-te forte bem no fundo

Onde ninguém conseguirá desterrar

Cerra os dentes e murmura num segundo,

Queres andar sem tocar o chão, pelo ar…

 

Está quase, e queres mais,

Abres as mãos e os olhos,

Pedes, sim, contraís os abdominais…

 

Sigo-te os sinais, e dou-te o que é meu,

Abraço-te o tronco e retesas

Arqueias as costas e estás no céu…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:11
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Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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