Domingo, 7 de Fevereiro de 2010

A meu favor

 

 

A meu favor

Tenho o verde secreto dos teus olhos

Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor

O tapete que vai partir para o infinito

Esta noite ou uma noite qualquer

 

A meu favor

As paredes que insultam devagar

Certo refúgio acima do murmúrio

Que da vida corrente teime em vir

O barco escondido pela folhagem

O jardim onde a aventura recomeça.

 

Alexandre O’Neil

 

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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

São crianças

 

 

São crianças aquelas

Que vês ao fundo

No caminho que velas

Na trilha do mundo

 

Brilham os olhos

Lágrimas de amor

E abraços aos molhos

Pedaços sem dor

 

É amor o que vendem

E sonhos escondidos

São as coisas que sentem

 

São os choros sentidos

E a alegria que aprendem

No coração garantidos

 

Mário L. Soares

 

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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

Hora Nostálgica #30 - Olhos nos olhos

 

 

Quando você me deixou, meu bem

Me disse pra ser feliz e passar bem

Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci

Mas depois, como era de costume, obedeci

 

Quando você me quiser rever

Já vai me encontrar refeita, pode crer

Olhos nos olhos, quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais

 

E que venho até remoçando

Me pego cantando

Sem mais nem porquê

E tantas águas rolaram

Quantos homens me amaram

Bem mais e melhor que você

 

Quando talvez precisar de mim

'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim

Olhos nos olhos, quero ver o que você diz

Quero ver como suporta me ver tão feliz 

 

Chico Buarque

 

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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Adoração

 

 

Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão

Em mim não é amor; filha, é adoração!

Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.

Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,

E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa

Em meus lábios, oh! quando essa infinita graça

do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante

Eu sinto? virgem linda, inefável, radiante,

Envolta num clarão balsâmico da lua,

A minh'alma ajoelha, trémula, aos pés da tua!

Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:

Além de bela és santa; além de estrela és rosa.

Bendito seja o deus, bendita a Providência

Que deu o lírio ao monte e à tua alma a inocência,

O deus que te criou, anjo, para eu te amar,

E fez do mesmo azul o céu e o teu olhar!...

 

Guerra Junqueiro

 

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Languidez

 

("Jove Decadente" por Ramon Casas, 1910) 

 

 

Tardes da minha terra, doce encanto,

Tardes duma pureza de açucenas,

Tardes de sonho, as tardes de novenas,

Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

 

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!...

Horas benditas, leves como penas,

Horas de fumo e cinza, horas serenas,

Minhas horas de dor em que eu sou santo!

 

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,

Que poisam sobre duas violetas,

Asas leves cansadas de voar...

 

E a minha boca tem uns beijos mudos...

E as minhas mãos, uns pálidos veludos,

Traçam gestos de sonho pelo ar...

 

Florbela Espanca

 

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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

 

 

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços...

 

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca... o eco dos teus passos...

O teu riso de fonte... os teus abraços...

Os teus beijos... a tua mão na minha...

 

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

 

E é como um cravo ao sol a minha boca...

Quando os olhos se me cerram de desejo...

E os meus braços se estendem para ti...

 

Florbela Espanca

 

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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Fechar os olhos

 

 

“De tempos a tempos é bom fecharmos os olhos, e naquele escuro dizer para nós próprios, ‘Eu sou o feiticeiro, e quando abrir os meus olhos verei o mundo que criei, e para com o qual eu, e apenas eu, sou completamente responsável.’ Lentamente, então, as pestanas abrem-se como as cortinas de um palco. E seguramente, estará lá o nosso mundo, tal e qual como o construímos.”

 

Richard Bach

in “A ponte para o sempre” de 1984. A tradução é minha a partir do Inglês.

 

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Invenção

 

("Maja desnuda" de Goya) 

 

 

Se é por mim que traço

o teu retrato,

a sobrancelha, a boca

o pensamento

 

É por ti, também

que já o guardo

e o demoro naquilo que eu

invento

 

A mão descida ali

o ombro inclinado

 

Os dedos descuidados

o gesto de que me lembro

 

Se é por mim que faço

o teu retrato

dizendo de ti mais do que

entendo

 

É por ti que o testemunho

e faço:

o nariz, a face dissimulando os dentes

 

Deixo para o fim os lábios

os olhos deste mar

com a cor do luar

a meio de Agosto

 

Se desvendo de ti o sol-posto

é porque vejo o coração

amar

e nada mais me dá tamanho gosto

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:15
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Sábado, 21 de Março de 2009

Quero apenas cinco coisas

 

 

Quero apenas cinco coisas…

Primeiro é o amor sem fim

A segunda é ver o Outono

A terceira é o grave Inverno

Em quarto lugar o Verão

A quinta coisa são teus olhos

Não quero dormir sem teus olhos.

Não quero ser... sem que me olhes.

Abro mão da Primavera para que continues me olhando.

 

Pablo Neruda

 

publicado por Lagash às 13:11
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Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Os teus pés

 

 

Quando não posso contemplar teu rosto,

contemplo os teus pés.

 

Teus pés de osso arqueado,

teus pequenos pés duros.

 

Eu sei que te sustentam

e que teu doce peso

sobre eles se ergue.

 

Tua cintura e teus seios,

a duplicada purpura

dos teus mamilos,

a caixa dos teus olhos

que há pouco levantaram voo,

a larga boca de fruta,

tua rubra cabeleira,

pequena torre minha.

 

Mas se amo os teus pés

é só porque andaram

sobre a terra e sobre

o vento e sobre a água,

até me encontrarem.

 

Pablo Neruda

 

publicado por Lagash às 16:02
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Eu te amo

 

 

  

Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei-de partir

 

Se, ao te conhecer, e pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que ainda posso ir

 

Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

 

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

 

Como, se na desordem do armário embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato ainda pisa no teu

 

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios ainda estão nas minhas mãos

Me explica como que cara eu vou sair

 

Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei-de partir

 

Tom Jobim / Chico Buarque

Interpretado por Chico Buarque e Elis Regina

publicado por Lagash às 16:06
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Os teus olhos

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Os teus olhos

exigindo

ser bebidos

 

Os teus ombros

reclamando

nenhum manto

 

Os teus seios

pressupondo

tantos pomos

 

O teu ventre

recolhendo

o relâmpago

 

David Mourão Ferreira

publicado por Lagash às 16:19
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Meus Lindos Olhos

 

  

 

Meus lindos olhos, qual pequeno deus

Pois são divinos, de tão belos os teus.

Quem tos pintou com tal condão

Jamais neles sonhou criar tanta imensidão.

 

De oiro celeste,

Filhos de uma chama agreste

Astros que alto o céu revestem

E onde a tua história é escrita.

 

Meus lindos olhos, de lua cheia

Um esquecido do outro, a brilhar p´rá rua inteira.

Quem não conhece o teu triste fado

Não desvenda em teu riso um chorar tão magoado.

 

Perdões pedidos

Num murmúrio desolado

Quando o réu morava ao lado

Mais cruel não pode ser.

 

Este fado que aqui canto

Inspirou-se só em ti

Tu que nasces e renasces

Sempre que algo morre em ti

Quem me dera poder cantar

Horas, dias, tão sem fim

Quando pedes só pra mim

Por favor só mais um fado

 

Mafalda Arnauth

  

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 
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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Eu gostaria tanto…

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Eu gostaria tanto,

de deitar minha cabeça

no teu colo,

pra voar nas asas

dos teus sonhos

e mergulhar no oceano

das tuas vontades.

Eu gostaria tanto,

de me embriagar

no cheiro do teu corpo,

de me queimar nas labaredas

dos teus lábios

e me banhar na poesia

dos teus olhos.

Eu gostaria tanto,

de te arrancar dos braços

do teu mundo

e convidar o raio

de uma estrela

para pintar azul

no chão da nossa rua.

Eu gostaria tanto,

das minhas mãos

brincando em teus cabelos,

até que o véu da noite se rasgasse

e o teu sorriso amanhecesse em mim.

 

Carlos Magno de Almeida

 

publicado por Lagash às 16:24
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Aurora / Menina dos olhos de água

 

 

Aurora

 

Nascido do frio e da vertigem

um teimoso sol desponta em cada madrugada

com esse sol renasce também em cada homem

a esperança de um dia novo

distinto

absoluto e diferente

em que tudo pudesse acontecer

pela primeira vez

enchem-se então os olhos de espanto e de memória

e rebenta-nos uma saudade enorme do futuro

e uma sede tranquila de infinito

e em cada novo dia reaprendemos o ciclo

e em cada novo dia nos apaixonamos

e desistimos

e ressuscitamos

do enorme chão de água que nos cerca


Pedro Barroso (lido por Mário Viegas)

 

 

Menina dos olhos de água

 

Menina em teu peito sinto o tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar
Menina em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar
Aprendi nos 'esteiros' com soeiro
E aprendi na 'fanga' com redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
E sinto o mundo inteiro no teu colo
Aprendi a amar a madrugada
Que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
E dás rumo à fragata que escolhi
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar

 

Pedro Barroso

 

publicado por Lagash às 16:08
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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