Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Silêncio

 

 

Já o silêncio não é de oiro: é de cristal;

redoma de cristal este silêncio imposto.

Que lívido museu! Velado, sepulcral.

Ai de quem se atrever a mostrar bem o rosto!

 

Um hálito de medo embaciando o vidrado

dá-nos um estranho ar de fantasmas ou fetos.

Na silente armadura, e sobre si fechado,

ninguém sonha sequer sonhar sonhos completos.

 

Tão mal consegue o luar insinuar-se em nós

que a própria voz do mar segue o risco de um disco...

Não cessa de tocar; não cessa a sua voz.

Mas já ninguém pretende exp'rimentar-lhe o risco!

 

David Mourão-Ferreira

 

publicado por Lagash às 16:24
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Coragem

 

(Stupe Island) 

 

 

Será enfrentar o medo ou conseguir vencer a dor. Pode ser vencer obstáculos. É tornear o perigo de frente. É fazer ou dizer alguma coisa conseguindo superar uma ameaça subjacente à acção ou consequente ao que foi dito.

 

Sendo o medo um sentimento gerado por um estímulo externo ou interno provocado por uma ameaça, dor (física ou psicológica) ou traumas do passado, que gera reacções de alerta e atenção no corpo humano com injecção de adrenalina e cortisol, preparando-o para resistir à agressão “medo” – a coragem é a acção ou reacção originada por essa alteração hormonal, e que defende o ser humano do que o atormenta.

 

Filosoficamente, a coragem é um acto altruísta que (como indica) tem como objectivo a defesa ou luta por algo superior a quem o faz, ou cujo ganho é externo a quem o faz. Dessa forma a coragem é um sentimento que tem características únicas e que nos leva a superarmos as nossas limitações e levarmos um pouco mais longe as nossas acções.

 

Nos filmes e na música, a coragem é um dos mais fortes sentimentos a ser descritos, pela sua sempre originalidade e particular distinção perante os outros sentimentos.

 

Poeticamente, a coragem foi, desde sempre descrita e exaltada. Desde os heróis romanos e gregos, envolvidos em mitologia e divindades, até aos anónimos nas guerras, passando pelo comum dos mortais, que também pode ser herói.

 

E na nossa vida? Quem tem coragem para ter coragem? Que tem coragem de mudar de vida? Quem o quer fazer, e não tem coragem? Quem não gostava, às vezes, de ter coragem?

 

Tenhamos coragem! Tenhamo-la!

 

A vida é curta, e devemos seguir o nosso coração. Abracemos o futuro com sorrisos, lágrimas e medo (sim, medo), mas sem olhar para trás! Com confiança e principalmente – coragem.

 

Força para todos!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:25
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Drive


Incubus - Drive (music Video)
Enviado por Tnert. - Videos de musica, clipes, entrevista das artistas, shows e muito mais.

 

 

Sometimes, I feel the fear of uncertainty stinging clear

And I can't help but ask myself how much I let the fear

Take the wheel and steer

It's driven me before

And it seems to have a vague, haunting mass appeal

But lately I'm beginning to find that I

Should be the one behind the wheel

 

Whatever tomorrow brings, I'll be there

With open arms and open eyes yeah

 

Whatever tomorrow brings, I'll be there

I'll be there

 

So if I decide to waiver my chance to be one of the hive

Will I choose water over wine and hold my own and drive?

It's driven me before

And it seems to be the way that everyone else gets around

But lately I'm beginning to find that

When I drive myself my light is found

 

Whatever tomorrow brings, I'll be there

With open arms and open eyes yeah

 

Whatever tomorrow brings, I'll be there

I'll be there

 

Would you choose water over wine

Hold the wheel and drive

 

Whatever tomorrow brings, I'll be there

With open arms and open eyes yeah

 

Whatever tomorrow brings, I'll be there

I'll be there

 

Incubus

 

publicado por Lagash às 16:04
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

O Mistério

 

 

Andando por aquelas ruas desertas, já era de noite, ele percebeu que não estava sozinho. Por um instante ficou imóvel para escutar aquilo que julgava ser passos, enquanto os seus olhos vasculhavam à sua volta em busca de vultos ou movimentos estranhos. Como não viu nada, pensou ser uma coisa da sua imaginação.

 

Começou outra vez a caminhar; dessa vez mais lentamente e, uma vez mais julgou ouvir passos que não eram os seus. Encostou-se à parede e ficou sem respirar por um momento; isso permitiria-lhe aguçar os sentidos e ouvir com mais clareza. E nada, apenas o incrível silêncio da noite. A sua mente já começava a trabalhar com muitas possibilidades. Era como naquelas horas em que se escuta um barulho qualquer e sons estranhos parecem intrometer-se no meio.

 

Lembrou-se de uma explicação que ouvira sobre isso; disseram-lhe uma vez: “As palavras quando são pronunciadas, acabam por criar entre elas, quer dizer, no intervalo entre uma e outra, sons inexistentes...”. Podia até ser isso.

 

Depois ele pensou: “a quem interessaria seguir-me a meio da noite?” Estava claro que aquilo era uma coisa da sua mente, apenas mais uma das suas brincadeiras sem explicação. Lembrou-se então do dia que acordara a meio da noite com um grande barulho, onde apanhara um susto tão grande, que em vez de correr da cama em direcção à porta, correu em direcção à parede. Simplesmente ficara desorientado, sem saber se era de manhã ou de noite, ou onde estava, ou se tinha um nome.

 

Depois de chocar contra a parede, ele chegou a duvidar se realmente existira o tal barulho, ou não fora uma invenção de sua mente. Mas agora era diferente, pois estava bem acordado. Mas a sua imaginação já tinha iniciado um processo irreversível, de criar as mais estranhas possibilidades para explicar aqueles supostos passos que escutara. Este era um grande problema, uma vez que ela criava sempre coisas que não existiam, e até que tudo ficasse esclarecido, nem ela desistiria da busca, nem ele deixaria de ter medo.

 

Ele pensou sobre isso; sobre o porquê da mente inventar as coisas e estas parecerem ser de verdade. “Deviam explicar isto na escola”, comentou tentando distrair-se. Mas, na escola só explicavam coisas sem importância, que de nada serviriam para acalmá-lo naquele momento de medo. De que lhe servia, por exemplo, saber naquele instante, qual a distância em quilómetros entre a terra e a lua; ou quantos planetas existem no espaço?

 

Olhou para cima e viu dezenas de pontinhos brilhantes, que chamavam estrelas, e estes pontinhos mais pareciam rir da sua incapacidade em vencer o seu próprio medo. Ali, naquele espaço inalcançável, tudo parecia tranquilo, e a existência dos seus problemas, da sua angústia em não saber resolver aquela questão, nada para eles significava. Escutou ao longe os latidos dos cães à noite, que pareciam combinar entre si quando deviam iniciar e parar a algazarra, na maioria das vezes sem motivo nenhum. Bastava um começar, e logo os outros o imitavam, como se aquilo fosse uma conversação de longa distância entre eles. Se calhar até era isso mesmo.

 

Como estava numa rua principal, andou mais um pouco e entrou num beco. Ali permaneceu quieto e oculto na escuridão do beco, enquanto aguardava a passagem do seu suposto seguidor. Depois pensou se não seria pior, pois ao passar diante do beco, ele com certeza que o veria logo. Escondeu-se atrás de uns sacos de lixo que estavam ali próximos e lá permaneceu, enquanto sua mente fazia de tudo para o atormentar com suas ideias mais esquisitas.

 

Do ponto onde se encontrava, podia ver um pequeno trecho iluminado da rua principal, como se fosse uma janela. Então escutou os passos, e como estava imóvel, respirando a longos intervalos para não atrapalhar a sua audição, aquele barulho de modo algum podia ter como origem ele próprio. Se ficou aliviado em saber finalmente que os passos não eram coisa da sua imaginação, logo os seus pensamentos, como se fossem um conselheiro cruel que o detestava, iniciaram um novo processo para tentar explicar o que viria a seguir. “Se pelo menos eles se aquietassem, ajudaria tanto...”, referiu-se amargurado em relação aos seus pensamentos.

 

E à medida que os passos se aproximavam da entrada do beco, mais a sua mente brincava a torturá-lo com as mais estranhas e horripilantes fantasias. Observando melhor, percebeu que a meio da enxurrada de pensamentos que brigavam entre si por um pouco de atenção, nada havia para motivá-lo, para lhe dar ânimo, mas apenas para dar-lhe desânimo, aflição e cada vez mais medo.

 

Viu uma sombra se aproximando lentamente da entrada do beco e o seu coração disparou, enquanto já imaginava em que direcção deveria correr para escapar do perigo. Mas, de repente, a poucos passos da entrada do beco, a sombra projectada no chão, parou de se mover e ali permaneceu como que de vigília. De olhos fixos, ele observava a sombra para ver se se movia, e foi nesse momento que aconteceu um verdadeiro milagre.

 

Ele descobriu que aquele beco era onde era a sua casa; lembrou-se ao sentir o peculiar cheiro de lixo sobre o qual a sua mãe dizia sempre: “Não é toda a gente que tem o privilégio que nós temos! Enquanto os outros precisam andar muito para encontrar um caixote do lixo, nós já moramos em frente a um enorme. Só imundície fina...”. E animado ele viu o buraco onde morava, e entrou lá sossegado. Afinal de contas, aquilo podia ser muito bem um gato, que é o pior pesadelo de um rato.

 

Alberto S. Grimm

 

publicado por Lagash às 16:07
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O teu colo

 

 

Onde eu deito

a cabeça

e descanso…

 

Onde os meus olhos

se fecham de sono

e prazer…

 

Onde é o abrigo

do meu medo

e que alberga…

 

Onde está o quente

do amor que nos une

e brinda…

 

Onde tu és

e eu sou

e nós somos…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 13:21
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Medo / Miedo

 

 

Tienen miedo del amor y no saber amar

Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz

Tienen miedo de pedir y miedo de callar

Miedo que da miedo del miedo que da

 

Tienen miedo de subir y miedo de bajar

Tienen miedo de la noche y miedo del azul

Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar

Miedo que da miedo del miedo que da

 

El miedo es una sombra que el temor no esquiva

El miedo es una trampa que atrapó al amor

El miedo es la palanca que apagó la vida

El miedo es una grieta que agrandó el dolor

 

Tenho medo de gente e de solidão

Tenho medo da vida e medo de morrer

Tenho medo de ficar e medo de escapulir

Medo que dá medo do medo que dá

 

Tenho medo de acender e medo de apagar

Tenho medo de esperar e medo de partir

Tenho medo de correr e medo de cair

Medo que dá medo do medo que dá

 

O medo é uma linha que separa o mundo

O medo é uma casa aonde ninguém vai

O medo é como um laço que se aperta em nós

O medo é uma força que não me deixa andar

 

Tienen miedo de reir y miedo de llorar

Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser

Tienen miedo de decir y miedo de escuchar

Miedo que da miedo del miedo que da

 

Tenho medo de parar e medo de avançar

Tenho medo de amarrar e medo de quebrar

Tenho medo de exigir e medo de deixar

Medo que dá medo do medo que dá

 

O medo é uma sombra que o temor não desvia

O medo é uma armadilha que pegou o amor

O medo é uma chave, que apagou a vida

O medo é uma brecha que fez crescer a dor

 

El miedo es una raya que separa el mundo

El miedo es una casa donde nadie va

El miedo es como un lazo que se apierta en nudo

El miedo es una fuerza que me impide andar

 

Medo de olhar no fundo

Medo de dobrar a esquina

Medo de ficar no escuro

De passar em branco, de cruzar a linha

Medo de se achar sozinho

De perder a rédea, a pose e o prumo

Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

 

Medo estampado na cara ou escondido no porão

O medo circulando nas veias

Ou em rota de colisão

O medo é do Deus ou do demo

É ordem ou é confusão

O medo é medonho, o medo domina

O medo é a medida da indecisão

 

Medo de fechar a cara

Medo de encarar

Medo de calar a boca

Medo de escutar

Medo de passar a perna

Medo de cair

Medo de fazer de conta

Medo de dormir

Medo de se arrepender

Medo de deixar por fazer

Medo de se amargurar pelo que não se fez

Medo de perder a vez

 

Medo de fugir da raia na hora H

Medo de morrer na praia depois de beber o mar

Medo... que dá medo do medo que dá

Medo... que dá medo do medo que dá

 

Lenine

acompanhado por Julieta Venegas

 

publicado por Lagash às 16:27
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Medo do escuro

 

 

Sombrias as estradas,

As esquinas, o beco,

Sons crepitantes ecoam na noite,

Luzes errantes deixam-te cego,

O medo entranha quando sobes a escada.

 

Abres a porta e há escuro à frente,

Vais devagar, pé ante pé,

Algo te diz – está ali mais alguém…

Tremem as pernas, não sabes o que é!

Pensamentos de sangue turvam-te a mente.

 

Pegas numa faca e segues p’ro quarto,

Deténs-te na entrada sem respirar,

Encostas o ouvido p’ra tentar ouvir

Empurras a porta, bem devagar

Corre o gato e dás um salto!

 

 

 

Pousas a faca e respiras cansado,

O alívio agora é estar tudo parado,

Sabes então, que nada fez sentido,

Tudo era pensamento perdido…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:00
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Thriller

 

 

It's close to midnight and something evil's lurking in the dark

Under the moonlight, you see a sight that almost stops your heart

You try to scream but terror takes the sound before you make it

You start to freeze as horror looks you right between the eyes

You're paralyzed

 

'Cause this is thriller, thriller night

And no one's gonna save you from the beast about strike

You know it's thriller, thriller night

You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

 

You hear the door slam and realize there's nowhere left to run

You feel the cold hand and wonder if you'll ever see the sun

You close your eyes and hope that this is just imagination, girl!

But all the while you hear the creature creeping up behind

You're out of time

 

'Cause this is thriller, thriller night

There ain't no second chance against the thing with forty eyes, girl

Thriller, thriller night

You're fighting for your life inside a killer, thriller tonight

 

Night creatures calling, the dead start to walk in their masquerade

There's no escaping the jaws of the alien this time

(They're open wide)

This is the end of your life

 

They're out to get you, there's demons closing in on every side

They will possess you unless you change that number on your dial

Now is the time for you and I to cuddle close together, yeah

All through the night I'll save you from the terror on the screen

I'll make you see

 

That this is thriller, thriller night

'Cause I can thrill you more than any ghost would ever dare try

Thriller, thriller night

So let me hold you tight and share a

Killer, diller, chiller, thriller here tonight

 

'Cause this is thriller, thriller night

Girl, I can thrill you more than any ghost would ever dare try

Thriller, thriller night

So let me hold you tight and share a killer, thriller, ow!

 

(I'm gonna thrill ya tonight)

Darkness falls across the land

The midnight hour is close at hand

Creatures crawl in search of blood

To terrorize y'alls neighborhood

 

I'm gonna thrill ya tonight, ooh baby

I'm gonna thrill ya tonight, oh darlin'

Thriller night, baby, ooh!

 

The foulest stench is in the air

The funk of forty thousand years

And grizzly ghouls from every tomb

Are closing in to seal your doom

 

And though you fight to stay alive

Your body starts to shiver

For no mere mortal can resist

The evil of the thriller

 

Michael Jackson

 

publicado por Lagash às 10:16
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Fear of the dark

 

 

 

I am a man who walks alone

And when Im walking a dark road

At night or strolling through the park

 

When the light begins to change

I sometimes feel a little strange

A little anxious when its dark

 

Fear of the dark, fear of the dark

I have a constant fear that someone’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

 

Have you run your fingers down the wall

And have you felt your neck skin crawl

When you’re searching for the light?

Sometimes when you’re scared to take a look

At the corner of the room

You’ve sensed that something’s watching you

 

Have you ever been alone at night

Thought you heard footsteps behind

And turned around and no one’s there?

And as you quicken up your pace

You find it hard to look again

Because you’re sure there’s someone there

 

Watching horror films the night before

Debating witches and folklore

The unknown troubles on your mind

Maybe your mind is playing tricks

You sense and suddenly eyes fix

On dancing shadows from behind

 

Fear of the dark, fear of the dark

I have a constant fear that someone’s always near

Fear of the dark, fear of the dark

I have a phobia that someone’s always there

 

When I’m walking a dark road

I am a man who walks alone

 

Iron Maiden 

publicado por Lagash às 16:14
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Rebordos de morango

 

 

Rebordos de morango,

Mastigados de manteiga

Migalhas de biscoito na correia

Esborratas de molho de frango.

 

Beijos com os lábios doridos

Dentes que batem no canino

Sorriso de embaraço clandestino

Abraços em peitos sentidos.

 

Poesia de um qualquer meio perdido,

Palavras sem lugar mal proferidas,

Mãos, elas, vendidas ao destino.

 

Vidas, já vividas, por caminhos magoadas,

Não têm força, têm medo,

Do amor, e das comidas, já suadas…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:16
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Poema pouco original do medo

 

 

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

 

Alexandre O'Neill

 

publicado por Lagash às 12:40
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Escuro

 

 

Belo é o escuro e o preto!

Nada se vê nem se palpa

Tudo a medo nos salta

Surdo ruído secreto.

 

Frio é o chão que se pisa

Os olhos não vêem e piscam

À frente as palmas amparam

E tocam a parede que é lisa

 

Confia-se o terreno conhecido

De certo já por ali se passou

Uma quina nos aguilhoou  

 

Há medo no passo perdido

Há a lágrima que se chorou

Está ali o que nos magoou

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 23:05
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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