Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

O sexo é sagrado...

 

 

O sexo é sagrado,

como salgadas são as gotas de suor

que brotam dos meus poros

e encharcam nossas peles.

A noite é meu templo

onde me torno uma deusa enlouquecida

sentindo teus pelos sobre a minha pele.

Neste instante já não sou nada,

somente corpo,

boca,

pele,

pêlos,

línguas,

bocas.

E a vida brota da semente,

dos poucos segundos de êxtase.

Tuas mãos como um brinquedo

passeiam pelo meu corpo.

Não revelam segredos

desvendam apenas o pudor do mundo,

descobrem a febre dos animais.

Então nos tornamos um

ao mesmo tempo em que

a escuridão explode em festa.

A noite amanhece sem versos,

com a música do seu hálito ofegante.

O sol brota de dentro de mim.

Breves segundos.

Por alguns instantes dispo-me do sofrimento.

Eu fui feliz.

 

Cláudia Marczak

 

publicado por Lagash às 16:13
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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Languidez

 

("Jove Decadente" por Ramon Casas, 1910) 

 

 

Tardes da minha terra, doce encanto,

Tardes duma pureza de açucenas,

Tardes de sonho, as tardes de novenas,

Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

 

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!...

Horas benditas, leves como penas,

Horas de fumo e cinza, horas serenas,

Minhas horas de dor em que eu sou santo!

 

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,

Que poisam sobre duas violetas,

Asas leves cansadas de voar...

 

E a minha boca tem uns beijos mudos...

E as minhas mãos, uns pálidos veludos,

Traçam gestos de sonho pelo ar...

 

Florbela Espanca

 

publicado por Lagash às 16:27
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

A noite desce…

 

 

Como pálpebras roxas que tombassem

Sobre uns olhos cansados, carinhosas,

A noite desce... Ah! doces mãos piedosas

Que os meus olhos tristíssimos fechassem!

 

Assim mãos de bondade me beijassem!

Assim me adormecessem! Caridosas

Em braçados de lírios, de mimosas,

No crepúsculo que desce me enterrassem!

 

A noite em sombra e fumo se desfaz...

Perfume de baunilha ou de lilás,

A noite põe embriagada, louca!

 

E a noite vai descendo, sempre calma...

Meu doce Amor tu beijas a minh'alma

Beijando nesta hora a minha boca!

 

Florbela Espanca

 

publicado por Lagash às 16:13
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Invenção

 

("Maja desnuda" de Goya) 

 

 

Se é por mim que traço

o teu retrato,

a sobrancelha, a boca

o pensamento

 

É por ti, também

que já o guardo

e o demoro naquilo que eu

invento

 

A mão descida ali

o ombro inclinado

 

Os dedos descuidados

o gesto de que me lembro

 

Se é por mim que faço

o teu retrato

dizendo de ti mais do que

entendo

 

É por ti que o testemunho

e faço:

o nariz, a face dissimulando os dentes

 

Deixo para o fim os lábios

os olhos deste mar

com a cor do luar

a meio de Agosto

 

Se desvendo de ti o sol-posto

é porque vejo o coração

amar

e nada mais me dá tamanho gosto

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:15
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Eu te amo

 

 

  

Ah, se já perdemos a noção da hora

Se juntos já jogamos tudo fora

Me conta agora como hei-de partir

 

Se, ao te conhecer, e pra sonhar, fiz tantos desvarios

Rompi com o mundo, queimei meus navios

Me diz pra onde é que ainda posso ir

 

Se nós nas travessuras das noites eternas

Já confundimos tanto as nossas pernas

Diz com que pernas eu devo seguir

 

Se entornaste a nossa sorte pelo chão

Se na bagunça do teu coração

Meu sangue errou de veia e se perdeu

 

Como, se na desordem do armário embutido

Meu paletó enlaça o teu vestido

E o meu sapato ainda pisa no teu

 

Como, se nos amamos feito dois pagãos

Teus seios ainda estão nas minhas mãos

Me explica como que cara eu vou sair

 

Não, acho que estás te fazendo de tonta

Te dei meus olhos pra tomares conta

Agora conta como hei-de partir

 

Tom Jobim / Chico Buarque

Interpretado por Chico Buarque e Elis Regina

publicado por Lagash às 16:06
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Bailarina vermelha

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Ela passa,

a papoila rubra,

esvoaçando graça,

a sorrir...

Original tentação

de estranho sabor:

a sua boca - romã luzente,

a refulgir!...

 

As mãos pálidas, esguias,

dolorosas soluçando,

vão recortando

em ritmos de beleza

gestos de ave endoidecida...

Preces, blasfémias,

cálidas estesias

passam delirando!...

 

Mordendo-lhe o seio

túrgido e perfurante,

delira a flama sangrenta

dos rubis...

E a cinta verga, flexuosa,

na luxuria dominante

dos quadris...

 

Um jeito mais quebrado no andar...

 

Um pouco mais de sombra no olhar

bistrado de lilás...

 

E ela passa

entornando dor,

a agonizar beleza!...

Um sonho de volúpia

que logo se desfaz,

em ruivas gargalhadas

dispersas... desgrenhadas!...

 

Magoam-se os meus sentidos

num cálido rubor...

 

E nos seus braços endoidecem

as anilhas d'oiro refulgindo

num feérico clamor!...

 

E ela passa...

 

Fulva, esguia, incoerente...

Flor de vicio

esvoaçando graça

na noite tempestuosa

do meu olhar!...

Como uma brasa ardente,

e infernal e dolorosa,

... a bailar...

 

a bailar!...

 

Judith Teixeira

 

publicado por Lagash às 16:11
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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