Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Bebido o luar

 

 

Bebido o luar, ébrios de horizontes,

Julgamos que viver era abraçar

O rumor dos pinhais, o azul dos montes

E todos os jardins verdes do mar.

 

Mas solitários somos e passamos,

Não são nossos os frutos nem as flores,

O céu e o mar apagam-se exteriores

E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

 

Por que jardins que nós não colheremos,

Límpidos nas auroras a nascer,

Por que o céu e o mar se não seremos

Nunca os deuses capazes de os viver.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

publicado por Lagash às 16:24
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Luta

 

 

Fluxo e refluxo eterno...

João de Deus.

 

Dorme a noite encostada nas colinas.

Como um sonho de paz e esquecimento

Desponta a lua. Adormeceu o vento,

Adormeceram vales e campinas...

 

Mas a mim, cheia de atracções divinas,

Dá-me a noite rebate ao pensamento.

Sinto em volta de mim, tropel nevoento,

Os Destinos e as Almas peregrinas!

 

Insondável problema!... Apavorado

Recua o pensamento!... E já prostrado

E estúpido à força de fadiga,

 

Fito inconsciente as sombras visionárias,

Enquanto pelas praias solitárias

Ecoa, ó mar, a tua voz antiga.

 

Antero de Quental

 

publicado por Lagash às 16:11
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Para ser grande, sê inteiro

 

 

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

 

Ricardo Reis

 

publicado por Lagash às 16:05
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Lua dourada

 

 

Que bela lua dourada

adornou a nossa noite

amiga que passou.

Que tom de mel

que premiou a conversa

e a noite que suave

a nós nos agraciou.

E tu, tão bela como

a lua, sorriste e riste,

e como que por encanto

ficaste assim, triste…

Talvez seja pela noite

estar mudada,

por estares talvez

cansada,

ou pela lua se ter deitado,

no mar doce enamorado.

 

Beijo-te o teu sorriso lindo

e o teu rosto, bela

com este poema

e desejo que a nossa vida

nos dê muitas noites como aquela.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:23
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009

O tempo que passa passou

 

 

Passo por todos os minutos do tempo

Pergunto-me se os vi e senti…

Esqueço e sei que os perdi…

Passam segundos lentos no vento.

 

Não sei como parar o andamento

Daquelas gordas horas da tarde,

Quando o coração de amor arde,

Acelerando o ritmo do batimento.

 

Sigo a marcha da fila eterna,

Que corre sem termo pela rua

Certo que passará lua após lua.

 

Não sei então se saberei

Num ápice quando olhar para o fim

O tempo que resta para mim.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:04
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Nocturno

 

 

Espírito que passas, quando o vento

Adormece no mar e surge a Lua,

Filho esquivo da noite que flutua,

Tu só entendes bem o meu tormento...

 

Como um canto longínquo – triste e lento –

Que voga e subtilmente se insinua,

Sobre o meu coração, que tumultua,

Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

 

A ti confio o sonho em que me leva

Um instinto de luz, rompendo a treva,

Buscando, entre visões, o eterno Bem.

 

E tu entendes o meu mal sem nome,

A febre de Ideal, que me consome,

Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

 

Antero de Quental

 

publicado por Lagash às 16:00
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Nocturno

 

 

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

 

Antero de Quental

 

publicado por Lagash às 16:27
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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