Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Bebido o luar

 

 

Bebido o luar, ébrios de horizontes,

Julgamos que viver era abraçar

O rumor dos pinhais, o azul dos montes

E todos os jardins verdes do mar.

 

Mas solitários somos e passamos,

Não são nossos os frutos nem as flores,

O céu e o mar apagam-se exteriores

E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

 

Por que jardins que nós não colheremos,

Límpidos nas auroras a nascer,

Por que o céu e o mar se não seremos

Nunca os deuses capazes de os viver.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

publicado por Lagash às 16:24
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Miosótis - Forget me not

 

 

A Primavera chegou.

Dois jovens enamorados passeavam nas margens de um rio caudaloso.

Inesperadamente um ramo de miosótis surgiu flutuando nas águas revoltas.

 

A jovem, encantada com as flores, quis tirá-las do rio.

 

O jovem, de forma destemida, atirou-se à água para as apanhar e dar à sua amada como prova do seu amor.

 

Mas a forte corrente do rio não permitiu que ele pudesse regressar à margem.

Sentindo-se sem forças e na eminência de se afogar, ainda gritou:

- Não me esqueças, ama-me sempre!

 

 

 

Desde então, o miosótis floresce nas margens dos rios e simboliza: Não-me-esqueças...

 

Lenda popular

 

A história recente atribuiu-lhe ainda outro significado, não menos importante ou dramático e com uma carga emocional fortíssima.

 

Logo após a tomada do poder de Hitler, os maçons alemães perceberam que a maçonaria estava em perigo na Alemanha. Mais tarde viram que estaria em perigo também pelo resto da Europa e pelo mundo, bem como a própria vida dos maçons. Assim, como forma de reconhecimento imediato e aberto, em substituição do tradicional esquadro e compasso, a Grande Loja da Alemanha decidiu substitui-lo por uma flor – o miosótis, já que o outro símbolo era amplamente conhecido pelo regime Nazi. Era usado na lapela do casaco.

 

Serviu desta forma para que os maçons se reconhecessem e para mantê-los ligados entre si.

 

 

 

Actualmente os maçons usam o “Forget me not” na lapela em memória dos mortos da grande guerra e como forma de repudio às atrocidades do holocausto. Significa assim, “nunca esquecerei”. Pode ser usado também em memória de um irmão que partiu.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:01
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Magnólias

 

 

nascem vazias de amarelo

as magnólias que se inclinam

oblíquas a uma terra despovoada

da dimensão da flor

murmuram suas pétalas pelo vento

galopante e assustado fugido dos

desertos que eram florestas

 

lentas azuis as estrelas estalam

agapantos jacarandás

sangue adormecido dos fenómenos

que os olhos à luz fazem desaparecer

 

ausentes as asas adormecem

trilhos estilhaçados na terra

onde o longe e a distância

permanecem na tortura

do pensamento

sem etecétera

 

Ó as searas de flores os

gerânios as açucenas

os corações abertos dos rapazes

aos lilases

perfume de entrega permanente

musculado e frágil advento

de um tempo que há-de partir

mergulhado nos estames das mãos

para se transmutar em beijos

oferecidos às bocas

 

no chão da terra aturada e escura

as magnólias pálidas sombrias

escorrem mel torturado e morno

onde rapazes deixam o abraço

doce permanente como o pecado

 

o orvalho da manhã reclama as

magnólias que fecundadas devolvem

à terra o sangue

dos rapazes exaustos cansados

 

é manhã a terra toda de repente

desmaia atormentada nua e quente

 

Henrique Levy

 

publicado por Lagash às 16:29
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