Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Felicidade

 

 

Pela flor pelo vento pelo fogo

Pela estrela da noite tão límpida e serena

Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo

Pelo amor sem ironia – por tudo

Que atentamente esperamos

Reconheci a tua presença incerta

Tua presença fantástica e liberta

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Desejo

 

 

Desejo a você...

Fruto do mato

Cheiro de jardim

Namoro no portão

Domingo sem chuva

Segunda sem mau humor

Sábado com seu amor

Filme do Carlitos

Chope com amigos

Crónica de Rubem Braga

Viver sem inimigos

Filme antigo na TV

Ter uma pessoa especial

E que ela goste de você

Música de Tom com letra de Chico

Frango caipira em pensão do interior

Ouvir uma palavra amável

Ter uma surpresa agradável

Ver a Banda passar

Noite de lua Cheia

Rever uma velha amizade

Ter fé em Deus

Não ter que ouvir a palavra não

Nem nunca, nem jamais e adeus.

Rir como criança

Ouvir canto de passarinho

Sarar de resfriado

Escrever um poema de Amor

Que nunca será rasgado

Formar um par ideal

Tomar banho de cachoeira

Pegar um bronzeado legal

Aprender uma nova canção

Esperar alguém na estação

Queijo com goiabada

Pôr-do-Sol na roça

Uma festa

Um violão

Uma seresta

Recordar um amor antigo

Ter um ombro sempre amigo

Bater palmas de alegria

Uma tarde amena

Calçar um velho chinelo

Sentar numa velha poltrona

Tocar violão para alguém

Ouvir a chuva no telhado

Vinho branco

Bolero de Ravel...

E muito carinho meu.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Escreve-me

 

 

Escreve-me! Ainda que seja só

Uma palavra, uma palavra apenas,

Suave como o teu nome e casta

Como um perfume casto d'açucenas!

 

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo

Que te não vejo, amor! Meu coração

Morreu já, e no mundo aos pobres mortos

Ninguém nega uma frase d'oração!

 

"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,

Folhas leves e tenras de boninas,

Um poema d'amor e felicidade!

 

Não queres mandar-me esta palavra apenas?

Olha, manda então... brandas... serenas...

Cinco pétalas roxas de saudade...

 

Florbela Espanca

 

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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Saudade

 

 

Quantas saudades

Da minha infância

Fui tão feliz

Quando em criança

 

Tinha bonecas

Feitas de trapos

De pele grosseira

Os meus sapatos

 

Gorros de lã

Minha mãe fazia

Leite de cabra

Muito eu bebia

 

Junto à lareira

Histórias me contava

Meu querido pai

Que eu tanto amava

 

Quando chegar o meu fim

P’ra junto dele quero ir

Virá um anjo do céu

P’ro caminho conduzir

 

Ermelinda Miranda

in Quadras Soltas (Saudade)

 

publicado por Lagash às 16:19
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Sonho da Felicidade

 

(Ermelinda Miranda em 26 de Abril de 2009) 

 

 

Já perdi

Já ganhei

Já sorri

Já chorei

 

Sou feliz

Ou não sou?

Sou carente

E amor dou

 

Quando precisas de mim

Se algo me pedes digo sim

Eu estou sempre presente

 

Quantas alegrias eu dou

E se me chamas eu vou

Gosto de ti, está assente

 

Ermelinda Miranda

 

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Conto dias

 

 

 

Que felicidade desenrola dentro de mim

por debitar litros de palavras a rodos?

Nenhuma mesmo. Sinto tudo e nada.

Sinto tudo o que digo, e nada do que saiu…

 

Conto dias de vida hoje, e muito poucos

a ter para a frente. E tanto que me falta

fazer, e completar. Tanta vida por viver.

Debito pois, sim. Talvez assim possa ser livre.

 

Liberto-me do que não quero. Do que sinto.

Do que não sinto. Do que faz falta.

Vejo ao longe o que não tenho e minto.

 

Sou o que quero. Quero mais do que posso.

Rompo barreiras com o meu abraço.

Mas sei que daqui não passo.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
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Sábado, 1 de Agosto de 2009

Vazio

 

 

Há um vazio dentro de mim

do tamanho de todas as pessoas

do mundo. De volume gigante,

de olhos negros e mortos.

Sem vida está o meu coração.

Não sinto. Estou dormente.

Durmo sobre um molho de

recordações sem sentido

e velhas. Também sem vida.

Acordo com vontade de dormir

e seguir um sonho falso, irreal,

que revela o desejo escondido

de felicidade.

Como me posso preencher?

Qual é o sentido?

Para quê?

 

Mário L. Soares

 

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

O melhor do mundo são as crianças

 

 

O melhor do mundo são as crianças

que têm a inocência do bem,

e o futuro da humanidade

nos olhos que sorriem.

Têm a beleza nas tranças,

a sabedoria de mais ninguém,

nas lágrimas, felicidade,

e amor por outro alguém.

 

Gosto de ver a traquinagem

inocente, do mais reguila miúdo

que parte o vidro e mente

à gente, mesmo que seja sem querer.

Olha o mundo e tem coragem,

acredita no nada e no tudo,

cai no chão e segue em frente,

e sabe agora o que é ser.

 

Mário L. Soares

mote de Fernando Pessoa

 

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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Impossível

 

 

Nós podemos viver alegremente,

Sem que venham com fórmulas legais,

Unir as nossas mãos, eternamente,

As mãos sacerdotais.

 

Eu posso ver os ombros teus desnudos,

Palpá-los, contemplar-lhes a brancura,

E até beijar teus olhos tão ramudos,

Cor de azeitona escura.

 

Eu posso, se quiser, cheio de manha,

Sondar, quando vestida, p’ra dar fé,

A tua camisinha de bretanha,

Ornada de crochet.

 

Posso sentir-te em fogo, escandecida,

De faces cor-de-rosa e vermelhão,

Junto a mim, com langor, entredormida,

Nas noites de verão.

 

Eu posso, com valor que nada teme,

Contigo preparar lautos festins,

E ajudar-te a fazer o leite-creme,

E os mélicos pudins.

 

Eu tudo posso dar-te, tudo, tudo,

Dar-te a vida, o calor, dar-te cognac,

Hinos de amor, vestidos de veludo,

E botas de duraque

 

E até posso com ar de rei, que o sou!

Dar-te cautelas brancas, minha rola,

Da grande lotaria que passou,

Da boa, da espanhola,

 

Já vês, pois, que podemos viver juntos,

Nos mesmos aposentos confortáveis,

Comer dos mesmos bolos e presuntos,

E rir dos miseráveis.

 

Nós podemos, nós dois, por nossa sina,

Quando o Sol é mais rúbido e escarlate,

Beber na mesma chávena da China,

O nosso chocolate.

 

E podemos até, noites amadas!

Dormir juntos dum modo galhofeiro,

Com as nossas cabeças repousadas,

No mesmo travesseiro.

 

Posso ser teu amigo até à morte,

Sumamente amigo! Mas por lei,

Ligar a minha sorte à tua sorte,

Eu nunca poderei!

 

Eu posso amar-te como o Dante amou,

Seguir-te sempre como a luz ao raio,

Mas ir, contigo, à igreja, isso não vou,

Lá essa é que eu não caio!

 

Cesário Verde

 

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Sábado, 16 de Maio de 2009

Parabéns Doutores!

 

 

Aos novos Doutores!

Que longe vos leve o sucesso!

E que o mundo vos traga louvores,

Que seja uma carreira expresso!

 

Que o ensino vos tenha levado

Boas coisas a saber,

E que vos tenham mostrado

Como a arte fazer.

 

Com amigos, mais ajuda,

De muitos livros, e de família,

O quadro concilia.

 

No aprendiz está o mérito – o ás!

E no professor, o companheiro,

É isso que o mestre faz.

 

Mário L. Soares

 

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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Se eu pudesse trincar a terra toda

 

(paisagem comestível de Carl Warner) 

 

Se eu pudesse trincar a terra toda 

E sentir-lhe um paladar,

 

E se a terra fosse uma coisa para trincar

Seria mais feliz um momento ... 

Mas eu nem sempre quero ser feliz. 

É preciso ser de vez em quando infeliz 

Para se poder ser natural...

 

Nem tudo é dias de sol,

E a chuva, quando falta muito, pede-se.

Por isso tomo a infelicidade com a felicidade

Naturalmente, como quem não estranha

Que haja montanhas e planícies

E que haja rochedos e erva...

 

O que é preciso é ser-se natural e calmo

Na felicidade ou na infelicidade,

Sentir como quem olha,

Pensar como quem anda,

E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,

E que o poente é belo e é bela a noite que fica...

Assim é e assim seja...

 

Alberto Caeiro em "O Guardador de rebanhos"

 

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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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