Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Amor, pois que é palavra essencial

 

(Foto de Oleg Kosirev) 

 

Amor - pois que é palavra essencial

comece esta canção e toda a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,

reúna alma e desejo, membro e vulva.

 

Quem ousará dizer que ele é só alma?

Quem não sente no corpo a alma expandir-se

até desabrochar em puro grito

de orgasmo, num instante de infinito?

 

O corpo noutro corpo entrelaçado,

fundido, dissolvido, volta à origem

dos seres, que Platão viu completados:

é um, perfeito em dois; são dois em um.

 

Integração na cama ou já no cosmo?

Onde termina o quarto e chega aos astros?

Que força em nossos flancos nos transporta

a essa extrema região, etérea, eterna?

 

Ao delicioso toque do clitóris,

já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,

a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

 

Vai a penetração rompendo nuvens

e devassando sóis tão fulgurantes

que nunca a vista humana os suportara,

mas, varado de luz, o coito segue.

 

E prossegue e se espraia de tal sorte

que, além de nós, além da própria vida,

como activa abstracção que se faz carne,

a ideia de gozar está gozando.

 

E num sofrer de gozo entre palavras,

menos que isto, sons, arquejos, ais,

um só espasmo em nós atinge o climax:

é quando o amor morre de amor, divino.

 

Quantas vezes morremos um no outro,

no húmido subterrâneo da vagina,

nessa morte mais suave do que o sono:

a pausa dos sentidos, satisfeita.

 

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,

estendidos na cama, qual estátuas

vestidas de suor, agradecendo

o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

publicado por Lagash às 16:04
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010

O “Lagash” faz hoje 2 anos!!

 

 

Parabéns ao blog “Lagash”. Hoje é o seu segundo aniversário. Não me parabenizo a mim próprio porque, obviamente, eu não sou o blog, apenas o alimento. Dou-lhe poesia, prosa, música e vídeos e outras coisas que ele se vai habituando a comer, e que vou filtrando conforme o apetite do menino, e os seus gostos pessoais, mas eu não sou ele!

 

Não há aqui falsas modéstias nem inversão de papeis. É mesmo assim. Se somos o que comemos, então “Lagash” é Fernando Pessoa, ortónimo  e seus heterónimos, Natália Correia e Florbela Espanca, Camões e Almeida Garrett, Eugénio de Andrade e O’Neil, Sophia de Mello Breyner e Manuel Alegre. E é Pink Floyd e Dire Straits, Zeca Afonso e Sérgio Godinho, Duran Duran e A-Há, Rádio Macau e Xutos e Pontapés, Police e John Lennon… entre muitos outros.

 

Certo é, que alimento o blog (qual pelicano) de mim próprio um pouco também, com custo, por vezes, é certo, e com cansaço, por outras, também. Mas sempre na condição de alguém ler, ouvir e ver, o que quer que “postei”. E como fui também eu que o pus no mundo, faz de mim, pai, e a ele filho. E como quem “faz um filho, fá-lo por gosto”, e como alimentá-lo é preciso, para que tudo faça sentido, então todas as dificuldades e revezes que o “meu” (dele ou seu) blog me traz, não têm qualquer importância.

 

“Lagash” é o que “comeu”, é quem o fez, é quem o alimenta, é quem o lê e quem o ouve e segue todos os dias - é o que é!

 

Assim, digo:

 

“Parabéns Lagash! Tens dois anos de idade completos - hoje. Qualquer dia vais para a escola e começas a fumar e a pedir-me dinheiro para o bilhar! Portanto, vê se cresces e continuas a engordar. Continua a ser bonito por dentro (como diz a mamã) e a mostrares o melhor que existe daquilo que és. A ser respeitador e amante de tudo o que está em ti, dos autores de que te alimentas e com eles cresces, dos leitores e ouvintes que te respeitam e amam. Faz-te Homem e avança sem medo, estrada fora em velocidade cruzeiro de um «post» por dia, um dia de cada vez… e se um dia, um dia falhares um dia, não faz mal, acontece. Amanhã é outro dia, tens muitos dias e tu és grande. Força. Beijinhos e abraços.”

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Retrospectiva 2009

 

 

15 de Janeiro - O Airbus A320 da US Airways precisou fazer uma amaragem forçada nas águas geladas do rio Hudson, em Manhattan. Os passageiros aguardaram resgate sobre as asas do avião. Mais de 150 pessoas estavam a bordo e todos sobreviveram. O avião teve problemas após se chocar com pássaros. O “mayor” de Nova York, Michael Bloomberg, elogiou o excelente desempenho do piloto Chelsey Sullenberger, disse que ele fez um “trabalho magistral” ao pousar o avião no rio. O governador do Estado de Nova York, David Paterson disse que foi um “milagre no Hudson”.

Um verdadeiro herói! Imaginem o que seria se um avião amarasse no Tejo?! O mais incrível é que ninguém morreu!

 

 

 

20 de Janeiro – O primeiro presidente negro dos EUA, Barack Obama fez o juramento de posse, em Washington, ao lado da sua mulher, Michelle Obama. A diva Aretha Franklin cantou durante cerimónia e milhões de pessoas em todo o mundo assistiram e celebraram a posse de Obama, o 44° presidente norte-americano.

Para mim significou esperança para os Estados Unidos e para o mundo (em separado claro). Por outro lado, claro, significou o fim do “reinado” Bush. Finalmente!

 

 

 

2 de Março – O presidente da Guiné Bissau, João Bernardo Vieira foi assassinado durante um ataque armado à sua residência em Bissau.

 

 

 

6 de Abril - Um terramoto de 5,8 graus na escala Richter atinge a região de Abruzzo, no centro da Itália. O tremor, com epicentro em Áquila, danificou mais de 10 mil edificações na região. Outros terramotos sacudiram a região nos dias que se seguiram. Cerca de 300 pessoas morreram e 60 mil ficaram desalojadas.

A lembrar a sorte que tivemos em 1969 quando um sismo de intensidade superior (7,3) assolou Lisboa e o sul de Portugal e que apenas provocou 13 vitimas mortais, das quais apenas 2 de implicação directa, as outras foram por doenças cardíacas agravadas com a comoção.

 

 

 

8 de Abril - A imprensa noticia o primeiro caso da gripe “suína” (ou “A”), causado pelo vírus influenza A, também chamado de H1N1, no México. O vírus se alastra rapidamente por diversas regiões como Estados Unidos, Europa, América do Sul e a Organização Mundial de Saúde (OMS) chega a dar alerta nível 6, o máximo na escala de pandemias. Os sintomas são semelhantes aos da gripe comum, o contágio é similar à gripe “normal” e a probabilidade de provocar a morte é exactamente a mesma. Máscaras e álcool foram adoptados como meios preventivos e passaram a fazer parte do quotidiano das pessoas, tal como planos de contingência, muito jornal vendido e pânico generalizado. O mais recente balanço da OMS aponta que a gripe suína já matou quase 10 mil pessoas desde Abril em mais de 208 países e territórios, o que comparado com a gripe normal é quase insignificante, e se compararmos a outras doenças é absolutamente ridículo!

É altura de acordar e perceber que tudo não passa de uma maneira de vender “Tamiflu” aos milhões!

 

 

 

11 de Junho - Real Madrid anunciou neste dia a maior contratação da história do futebol mundial. O clube espanhol assinou contracto, por 94 milhões de euros (mais de R$ 250 mi), com atacante português Cristiano Ronaldo, eleito pela Fifa, em Dezembro de 2008, o melhor jogador do mundo. Zidane, por 75 milhões e Kaká por 65 são (até agora) as contratações mais caras do futebol.

Parabéns ao Ronaldo. Deixou-nos a todos muito orgulhosos.

 

 

 

25 de Junho - O cantor e compositor Michael Jackson sofreu uma paragem cardíaca na sua casa, em Los Angeles. As investigações demoraram mais de 2 meses e segundo o documento divulgado, a morte de Michael Jackson foi causada por uso abusivo de medicamentos. O seu médico, Dr. Conrad Murray, teria dado sedativos, particularmente benzodiazepinas, (como por exemplo o Xanax) que, mesmo em doses aceitáveis, podem intensificar a acção do anestésico usado por Jackson, o propofol, diminuindo a capacidade respiratória. Em 08 de julho, o cantor recebeu uma grande homenagem póstuma no ginásio Staples Center em Los Angeles. O rei da pop, foi enterrado em um caixão folheado a ouro no dia 3 de Setembro, no cemitério Forest Lawn, também em Los Angeles (ode também repousavam David Carradine, Bette Davis e Marvin Gaye, entre outros), mais de dois meses depois de sua morte, numa cerimónia privada apenas com a presença da família e amigos.

Para mim uma enorme perda para a música.

 

25 de junho - A eterna 'Pantera', a actriz Farrah Fawcett, faleceu no mesmo dia que o cantor Michael Jackson, devido a um cancro rectal. Farrah celebrizou-se inicialmente na sua interpretação de Jill Munroe na série televisiva “As panteras” e lutava contra a doença havia 2 anos e meio.

 

 

 

14 de Setembro – A estrela de 'Dirty Dancing' e 'Ghost', Patrick Swayze, morreu aos 57 anos de cancro no pâncreas. O actor lutou contra a doença desde 2008. Um choque. Pelo menos para mim que nem sabia que ele estava doente. Bons filmes, boas actuações. Ficam as recordações.

 

 

 

13 de Dezembro - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi agredido com uma estátua por um homem durante encontro com simpatizantes em Milão. O chefe do governo Italiano, de 73 anos, sofreu uma fractura no nariz, dois dentes partidos e um corte nos lábios cortados. O homem que agrediu Berlusconi foi detido imediatamente após o incidente e foi indiciado pela agressão. Louco? Talvez sim, talvez não?

 

 

 

1 de Dezembro – Entra em vigor após ser ratificado, finalmente, por todos os países da EU, o Tratado de Lisboa, assinado em 13 de Dezembro de 2007.

 

 

 

17 de Dezembro - A terra tremeu na Península Ibérica e em Marrocos, exactamente às  01:37:47h, numa intensidade de 6,0 na escala de Richter, segundo o Instituto de Meteorologia de Portugal. Não houve danos a registar. Foi o maior sismo sentido em Portugal desde 1969. Mais do que tudo um susto e um aviso da Natureza.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 22:10
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Domingo, 27 de Dezembro de 2009

Natal

 

 

Natal. Na província neva.

Nos lares aconchegados

Um sentimento conserva

Os sentimentos passados.

 

Coração oposto ao mundo,

Como a família é verdade!

Meu pensamento é profundo,

Estou só, e sonho saudade.

 

E como é branca de graça

A paisagem que não sei,

Vista de trás da vidraça

Do lar que nunca terei.

 

Fernando Pessoa

 

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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Chove e é dia de Natal

 

 

Chove. É dia de Natal.

Lá para o Norte é melhor:

Há a neve que faz mal,

E o frio que ainda é pior.

 

E toda a gente é contente

Porque é dia de o ficar.

Chove no Natal presente.

Antes isso que nevar.

 

Pois apesar de ser esse

O Natal da convenção,

Quando o corpo me arrefece

Tenho o frio e Natal não.

 

Deixo sentir a quem quadra

E o Natal a quem o fez,

Pois se escrevo ainda outra quadra

Fico gelado dos pés.

 

Fernando Pessoa

 

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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Emoção e Poesia

 

(Fernando Pessoa por Mário L. Soares) 

 

Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem quão mais fácil é escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual está profundamente apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral, escrita a respeito de uma mulher abstracta.

 

Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever. Três espécies de emoções produzem grande poesia - emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito tempo depois; e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto. Não a insinceridade, mas sim, uma sinceridade traduzida, é a base de toda a arte.

 

Fernando Pessoa

 

Deixo-vos esta reflexão de Fernando Pessoa no 74º aniversário da sua morte. Este que é o maior poeta de todos os tempos e de todas as nações. É também um pensador, um filósofo, um amante da arte e do estudo, do saber e do Homem.

 

Uma personagem única, uma imagem única, uma mente e intelecto únicos, um Homem único.

 

Mário L. Soares

 

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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Não fume

 

 

Porque uma imagem, às vezes, vale mais que mil palavras…

 

Celebra-se hoje o dia do não fumador.

 

Não fume… pela sua saúde e pela saúde dos que o rodeiam. Obrigado.

 

Leia o poema

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:24
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Morte do Infante D. Henrique – O Navegador

 

(estátua do Infante D. Henrique da autoria de Leopoldo de Almeida, por ocasião das comemorações dos 500 anos da sua morte) 

 

Morreu a 13 de Novembro de 1460, na Vila de Sagres, no Algarve, o Infante D. Henrique. Nasceu no dia 4 de Março de 1394, no Porto. Morreu portanto com 66 anos.

 

O Infante D. Henrique, filho de D. João I, mestre de Avis e que fundador da geração com o mesmo nome. Ele (o Infante) e seus irmãos constituem a Ínclita Geração – nome atribuído aos filhos de D. João I e Filipa de Lencastre – de que fazem parte, D. Duarte, Rei de Portugal, D. Pedro, Duque de Coimbra, D. Isabel de Portugal, mulher de Filipe III, Duque de Borgonha, Infante João de Portugal, 3º Condestável de Portugal (avô de D. Isabel de Castela e D. Manuel I), e por último D. Fernando, o Infante Santo.

 

Com tais “grandes almas” suas “pares”, como referiu a respeito de seus irmãos, na boca do Infante D. João de Portugal, Fernando Pessoa na Mensagem, o Infante D. Henrique foi talvez o que, de todos, mais se destacou pelos seus feitos de conquista, manutenção e colonização de território, mas principalmente de descoberta. Como foram a descoberta e colonização dos arquipélagos Madeira, os Açores, e Cabo Verde, a passagem do Cabo Bojador e Cabo Branco.

 

O Navegador, como ficou para a história, foi armado cavaleiro e recebeu os títulos de Duque de Viseu, Senhor da Covilhã, e foi Grão-mestre da Ordem de Cristo, sucessora da Ordem dos Templários.

 

Figura altiva e inconfundível é hoje um símbolo nacional adoptado por diversas instituições, organismos e empresas. Foi e é tema de poesia e prosa, e é a figura de destaque num dos mais conhecidos monumentos nacionais – o padrão dos descobrimentos, mandado erigir por Salazar – entre os 30 ilustres aí representados.

 

Mário L. Soares

 

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Morto estás!

 

 

Morto estás!

Morto ficas!

De morto não passas!

 

Neste dia de morte e de mortos,

Lembramos os que foram…

Choramos com os que ficam…

Saudamos os que partiram…

Rezamos para não irmos e por todos…

Abraçamos a nossa vida,

E sorrimos…

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 16:19
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Meu querido pai

 

 

Meu querido pai…

Deixo-te estas palavras

conjugadas com o maior cuidado.

São palavras de amor lavradas

cheias de saudade do passado

que por nós passa e vai.

 

Meu pai querido…

Venho por esta via

dizer-te que te quero,

que és o que eu ser devia,

ser à tua imagem espero,

e que és o céu colorido.

 

Meu pai amigo…

Sou o melhor que consigo

do exemplo teu,

e tento a custo ser parecido

a ti, que és modelo meu,

e a trilha quando perdido.

 

Companheiro, meu pai…

Quero os parabéns dar-te,

e dizer-te que te amo,

meu forte, meu baluarte.

É por ti que eu chamo

- Meu querido pai.

 

Mário L. Soares

ao meu pai, Joaquim Soares, pelo seu 74º aniversário.

 

publicado por Lagash às 16:23
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Milagre de Fátima

 

 

Ao meio dia de 13 de Outubro de 1917, deu-se o milagre do sol, que, segundo os pastorinhos, já tinha sido anunciado anteriormente pela virgem aparecida. O milagre em que o sol “baixou” e chegou perigosamente perto das cabeças dos presentes, e depois circundou a região e regressando ao seu lugar, foi presenciado por mais de 70.000 pessoas na Cova da Iria em Fátima.

 

 

 

Independentemente da discutível veracidade do acontecido, que, como se sabe, divide opiniões (e não cabe a mim tomar partido em tal), marcou a região, o país, a época, e o mundo religioso. Repercutiu-se durante décadas no nosso país e no estrangeiro e marcou o então lema de vida portuguesa – entre futebol e fado, tínhamos Fátima para completar os famosos 3 f’s portugueses. Felizmente evoluímos desde então, mas, cabe agora recordar o que é a nossa história e o que é a nossa crença colectiva.

 

 

 

Além disso, o eterno santo padre contemporâneo, o papa João Paulo II, que tomou parte activa nas premonições da virgem de Fátima, deixou a bala do atentado perpetrado no dia 13 de Maio de 1981 (aniversário da primeira aparição de Fátima) contra si no altar de Maria. O que adiciona história, ainda mais misticismo, mistério e o cunho directo do maior representante do catolicismo.  

 

 

Fátima foi e é, um destino religioso e turístico, com indiscutível mística, que contagia mesmo os não religiosos. Os actuais monumentos erigidos no local das aparições e arredores, têm tal imponência que transmite ao nosso consciente e subconsciente uma mensagem de paz e calma.

 

Se ainda não visitaram – visitem. Mesmo que não tenham prometido nada, mesmo que não seja em peregrinação, mesmo não sendo católicos ou religiosos.

 

Mário L. Soares

 

“Nenhum testemunho é suficiente para demonstrar um milagre, a não ser que o testemunho seja de natureza tal que a sua falsidade seja mais milagrosa do que o facto que tenta demonstrar.”

 

David Hume

 

in Dos Milagres – 1748

 

 

publicado por Lagash às 16:28
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Nascimento de John Lennon

 

(John Lennon - foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

John Winston Ono Lennon, batizado como John Winston Lennon, MBE, Nasceu em Liverpool a 9 de Outubro de 1940 (faria hoje 69 anos de idade) e foi assassinado em Nova Iorque a 8 de Dezembro de 1980, com apenas 40 anos.

 

Foi um ícone do século XX, músico, cantor, compositor, escritor e activista em favor da paz.

 

Na época dos Beatles, John Lennon formou com Paul McCartney o que seria uma das mais famosas duplas de compositores de todos os tempos, a dupla Lennon/McCartney.

 

 

(John Lennon - foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Em 1968, John Lennon apaixonou-se pela artista plástica Yoko Ono e depois disto ela se tornou a pessoa mais importante na vida e carreira do músico inglês. Em 1970, os Beatles chegaram ao fim e a partir de então John dedicou-se à carreira a solo.

 

Afastado da música desde 1975, por se dedicar mais à família desde o nascimento de seu filho com Yoko Ono, Sean Lennon, John voltou aos estúdios em 1980 para gravar um novo álbum. Era como um recomeço. Porém em 8 de dezembro do mesmo ano, John foi assassinado em Nova York por Mark David Chapman quando retornava do estúdio de gravação junto com a mulher.

 

Dentre as composições de destaque de John Lennon estão “Help!", "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love" enquanto fazia parte dos Beatles e "Imagine", "Happy Xmas /(War is Over)" , "Woman" , "(Just Like) Starting Over" e "Watching the Wheals" a solo.

 

Em 2002, John Lennon entrou em oitavo lugar em uma pesquisa feita pela BBC como os 100 mais importantes britânicos de todos os tempos.

 

Fonte: Wikipédia (com algumas alterações da minha autoria).

 

Falta ainda dizer que a poesia de John Lennon deixa em nós todos uma sensação de liberdade, idealismo e esperança no ser humano e no futuro.

 

Um abraço para ti – onde quer que estejas John…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:30
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Morte de Amália Rodrigues

 

 

Amália da Piedade Rodrigues, nasceu em Lisboa a 23 de Julho de 1920 (festejava o seu aniversário a 1 de Julho) de 1920 e faleceu também em Lisboa no dia 6 de Outubro de 1999. Faz hoje 10 anos.

 

Filha de um músico sapateiro que, para sustentar os quatro filhos e a mulher, tentou a sua sorte em Lisboa. Amália terá nascido, segundo o seu assento de nascimento, às cinco horas de 23 de Julho de 1920 na rua Martim Vaz, na freguesia lisboeta da Pena. Amália pretendia, no entanto, que o aniversário fosse celebrado a 1 de Julho ("no tempo das cerejas"), e dizia : Talvez por ser essa a altura do mês em que havia dinheiro para me comprarem os presentes. Catorze meses depois, o pai, não tendo arranjado trabalho, volta com a família para o Fundão. Amália fica com os avós na capital.

 

A sua faceta de cantora cedo se revela. Amália era muito tímida, mas começa a cantar para o avô e os vizinhos, que lhe pediam. Na infância e juventude, cantarolava tangos de Carlos Gardel e canções populares que ouvia e lhe pediam para cantar.

 

Aos 9 anos, a avó, analfabeta, manda Amália para a escola, que tanto gostava de frequentar. Contudo, aos 12 anos tem que interromper a sua escolaridade como era frequente em casas pobres. Escolhe então o ofício de bordadeira, mas depressa muda para ir embrulhar bolos.

 

 

 

 

Aos 14 anos decide ir viver com os pais, que entretanto regressam a Lisboa. Mas a vida não é tão boa como em casa do avós. Amália tinha que ajudar a mãe e aguentar o irmão mais velho, autoritário.

 

Aos 15 anos vai vender fruta para a zona do Cais da Rocha, e torna-se notada devido ao especialíssimo timbre de voz. Integra a Marcha Popular de Alcântara (nas festividades de Santo António de Lisboa) de 1936. O ensaiador da Marcha insiste para que Amália se inscreva numa prova de descoberta de talentos, chamada Concurso da Primavera, em que se disputava o título de Rainha do Fado. Amália acabaria por não participar, pois todas as outras concorrentes se recusavam a competir com ela.

 

Conhece nessa altura o seu futuro marido, Francisco da Cruz, um guitarrista amador, com o qual casará em 1940. Um assistente recomenda-a para a casa de fados mais famosa de então, o Retiro da Severa, mas Amália acaba por recusar esse convite, e depois adiar a resposta, e só em 1939 irá cantar nessa casa.

 

 

 

Estreia-se no teatro de revista em 1940, como atracção da peça Ora Vai Tu, no Teatro Maria Vitória. No meio teatral encontra Frederico Valério, compositor de muitos dos seus fados.

 

Em 1943 divorcia-se a seu pedido. Torna-se então independente. Neste mesmo ano actua pela primeira vez fora de Portugal. A convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira, canta em Madrid.

 

Em 1944 consegue um papel proeminente, ao lado de Hermínia Silva, na opereta Rosa Cantadeira, onde interpreta o Fado do Ciúme, de Frederico Valério. Em Setembro, chega ao Rio de Janeiro acompanhada pelo maestro Fernando de Freitas para actuar no Casino Copacabana. Aos 24 anos, Amália tem já um espectáculo concebido em exclusivo para ela. A recepção é de tal forma entusiástica que o seu contrato inicial de 4 semanas se prolongará por 4 meses. É convidada a repetir a tournée, acompanhada por bailarinos e músicos.

 

É no Rio de Janeiro que Frederico Valério compõe um dos mais famosos fados de todos os tempos: Ai Mouraria, estreado no Teatro República. Grava discos, vendidos em vários países, motivando grande interesse das companhias de Hollywood.

 

 

 

Em 1947 estreia-se no cinema com o filme Capas Negras, o filme mais visto em Portugal até então, ficando 22 semanas em exibição. Um segundo filme, do mesmo ano, é Fado, História de uma Cantadeira.

 

Amália é apoiada por artistas inovadores como Almada Negreiros e António Ferro. Esse que a convida pela primeira vez a cantar em Paris, no Chez Carrère, e a Londres, no Ritz, em festas do departamento de Turismo que o próprio organiza.

 

A internacionalização de Amália aumenta com a participação, em 1950, nos espectáculos do Plano Marshall, o plano de "apoio" dos EUA à Europa do pós-guerra, em que participam os mais importantes artistas de cada país. O êxito repete-se por Trieste, Berna,Paris e Dublin (onde canta a canção Coimbra, que, atentamente escutada pela cantora francesa Yvette Giraud, é popularizada por ela em todo o mundo como Avril au Portugal).

 

Em Roma, Amália actua no Teatro Argentina, sendo a única artista ligeira num espectáculo em que figuram os mais famosos cantores de música clássica.

 

 

 

Em Setembro de 1952 a sua estreia em Nova Iorque fez-se no palco do La Vie en Rose, onde ficou 14 semanas em cartaz.

 

Ainda nos Estados Unidos, em 1953 canta pela primeira vez na televisão (na NBC), no programa do Eddie Fisher patrocinado pela Coca-Cola, que teve que beber e de que não gostara nada. Grava discos de fado e de flamenco. Convidam-na para ficar, mas não fica por que não quer.

 

Nos EUA editou o seu primeiro LP (as gravações anteriores eram em discos de 78 rotações). Amalia Rodrigues Sings Fado From Portugal and Flamenco From Spain, lançado em 1954 pela Angel Records, assinala a sua estreia no formato do long-play, a 33 rotações, criado apenas seis anos antes e, na época, ainda longe de conhecer a expressão de mercado que depois viria a conquistar. O álbum, que seria editado em 1957 em Inglaterra e, um ano depois, em França, nunca teve prensagem portuguesa.

 

 

 

Amália dá ao fado um fulgor novo. Canta o repertório tradicional de uma forma diferente, sincretizando o que é rural e urbano.

 

Canta os grandes poetas da língua portuguesa (Camões, Bocage), além dos poetas que escrevem para ela (Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira, Ary dos Santos, Manuel Alegre, O’Neill). Conhece também Alain Oulman, que lhe compõe várias canções.

 

O seu fado de Peniche é proibido por ser considerado um hino aos que se encontram presos em Peniche, Amália escolhe também um poema de Pedro Homem de Mello Povo que lavas no rio, que ganha uma dimensão política.

 

Em 1961, casa-se com o seu segundo marido, o engenheiro brasileiro César Seabra, com quem fica até à morte deste, em 1997.

 

Em 1966, volta aos Estados Unidos, actuando no Lincoln Center, em Nova Iorque, com o maestro Andre Kostelanetz frente a uma orquestra, num programa essencialmente feito de canções do folclore português numa das noites e num outro, feito de fados (também com orquestra), na seguinte.

 

O mesmo espectáculo foi encenado, dias depois, no Hollywood Bowl.

 

Voltaria ao Lincoln Center em 1968.

 

Ainda em 1966, o seu amigo Alain Oulman é preso pela PIDE. Amália dá todo o seu apoio ao amigo e tudo faz para que seja libertado e posto na fronteira.

 

Em 1969, Amália é condecorada pelo novo presidente do conselho, Marcelo Caetano, na Exposição Mundial de Bruxelas antes de iniciar uma grande digressão à União Soviética.

  

 

 

Em 1971, encontra finalmente Manuel Alegre, exilado em Paris.

 

 

 

Em 1974 grava o álbum Encontro - Amália e Don Byas com o saxofonista Dob Byas.

 

Na chegada da democracia são-lhe prestadas grandes homenagens. É condecorada com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo então presidente da República, Mário Soares. Ao mesmo tempo, atravessa dissabores financeiros que a obrigam a desfazer-se de algum do seu património.

 

Em 1990, em França, depois da Ordem das Artes e das Letras, recebe, desta vez das mãos do presidente Mitterrand, a Légion d'Honneur.

 

 

 

Ao longo dos anos que passam, vê desaparecer o seu compositor Alain Oulman, o seu poeta David Mourão-Ferreira e o seu marido, César Seabra, com quem era casada há 36 anos.

 

Em 1997 é editado pela Valentim de Carvalho o seu último álbum com gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975 (Segredo). Amália publica um livro de poemas (Versos). É-lhe feita uma homenagem nacional na Exposição Mundial de Lisboa (Expo 98).

 

Em Abril de 1999, Amália desloca-se pela última vez a París, sendo condecorada na Cinemateca Francesa, por os muitos espectáculos que deu naquela cidade e, dever-se a ela o facto da França começar a apreciar o Fado. Já ligeiramente debilitada, agradeceu aos franceses o facto de se ter começado a projectar no mundo, pois era a partir de França que os seus discos se começaram a espalhar.

 

 

 

A 6 de Outubro de 1999, Amália Rodrigues morre, em sua casa, repentinamente, ao início da manhã, com 79 anos, poucas horas depois de regressar da sua casa de férias no litoral alentejano. Imediatamente, o então primeiro-ministro, António Guterres, decreta Luto Nacional por três dias. No seu funeral centenas de milhares de lisboetas descem à rua para lhe prestar uma última homenagem. Foi sepultada no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Dois anos depois, em Julho de 2001, o seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional, em Lisboa. (após pressão dos seus admiradores e uma modificação da lei que exigia um mínimo de quatro anos antes da trasladação), onde repousam as personalidades consideradas expoentes máximos da nacionalidade.

 

Sabe-se então que Amália, vista por muitos como um dos Fs da ditadura ("Fado, Fátima e Futebol"), colaborara economicamente com o Partido Comunista Português quando este era clandestino. Amália Rodrigues representou Portugal em todo o mundo, de Lisboa ao Rio de Janeiro, de Nova Iorque a Roma, de Tóquio à União Soviética, do México a Londres, de Madrid a Paris (onde actuou tantas vezes no prestigiosíssimo Olympia).

Propagou a cultura portuguesa, a língua portuguesa e o fado.

 

O meu pai conheceu a “Senhora Dona Amália” como lhe chamou na altura, quando esta lhe pediu uma parte de uma flor (penso que hortênsias) que estavam num lindo vaso ao lado da sua casa, onde o meu pai trabalhava. O meu pai disse que sim, prometendo-as para breve – já que tinha que pedir ao dono das flores para a cortar, o que não sabia fazer de qualquer forma. Chegou a fazê-lo, mas nunca pode entregar-lhas, já que passado pouco tempo faleceu na mesma casa de onde lhe tinha pedido as flores. São coisas da vida. Fica o fado... e as hortênsias.

 

 

 

Mário L. Soares

Fonte: Wikipédia (como alterações da minha autoria)

 

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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

República!!

Às 10 horas da manhã do dia 5 de Outubro de 1910…

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Domingo, 27 de Setembro de 2009

Morte de Ramalho Ortigão

(Ramalho Ortigão) 

 

José Duarte Ramalho Ortigão, nasceu no Porto, a 24 de Novembro de 1836 e morreu em Lisboa em 27 de Setembro de 1915, com 78 anos.

 

Nasceu na Casa de Germalde na freguesia de Santo Ildefonso. Era o mais velho de nove irmãos, filhos do primeiro-tenente de artilharia Joaquim da Costa Ramalho Ortigão e de D. Antónia Alves Duarte Silva Ramalho Ortigão.

Viveu a sua infância numa quinta do Porto com a avó materna, com a educação a cargo de um tio-avô e padrinho Frei José do Sacramento. Em Coimbra, frequentou brevemente o curso de Direito, começando a trabalhar como professor de francês no colégio da Lapa, no Porto, de que seu pai era director, e onde ensinou, entre outros, Eça de Queirós e Ricardo Jorge. Por essa altura, iniciou-se no jornalismo colaborando no Jornal do Porto.

 

Em 24 de Outubro de 1859 casou com D. Emília Isaura Vilaça de Araújo Vieira, de quem veio a ter três filhos: Vasco, Berta e Maria Feliciana.

 

Ainda no Porto, envolveu-se na Questão Coimbrã com o folheto "Literatura de hoje", acabando por enfrentar Antero de Quental num duelo de espadas, a quem apodou de cobarde por ter insultado o velho António Feliciano de Castilho. Ramalho ficou fisicamente ferido no duelo travado, em 6 de Fevereiro de 1866, no Jardim de Arca d'Água.

 

No ano seguinte, em 1867, visita a Exposição Universal em Paris, de que resulta o livro Em Paris, primeiro de uma série de livros de viagens. Insatisfeito com a sua situação no Porto, muda-se para Lisboa com a família, agarrando uma vaga para oficial da Academia das Ciências de Lisboa.

 

Reencontra em Lisboa o seu ex-aluno Eça de Queirós e com ele escreve um "romance execrável" (classificação dos autores no prefácio de 1884): O mistério da estrada de Sintra (1870). No mesmo ano, Ramalho Ortigão publica ainda Histórias cor-de-rosa e inicia a publicação de Correio de Hoje (1870-71). Em parceria com Eça de Queirós, surgem em 1871 os primeiros folhetos de As Farpas, de que vem a resultar a compilação em dois volumes sob o título Uma Campanha Alegre. Em finais de 1872, o seu amigo Eça de Queirós parte para Havana exercer o seu primeiro cargo consular no estrangeiro, continuando Ramalho Ortigão a redigir sozinho As Farpas.

 

Entretanto, Ramalho Ortigão tornara-se uma das principais figuras da chamada Geração de 70. Vai acontecer com ele o que aconteceu com quase todos os membros dessa geração. Numa primeira fase, pretendiam aproximar Portugal das sociedades modernas europeias, cosmopolitas e anticlericais. Desiludidos com as Luzes europeias do progresso material, porém, numa segunda fase voltaram-se para as raízes de Portugal e para o programa de um "reaportuguesamento de Portugal". É dessa segunda fase a constituição do grupo "Os Vencidos da Vida", do qual fizeram parte, além de Ramalho Ortigão, o Conde de Sabugosa, o Conde de Ficalho, Marquês de Soveral, Conde de Arnoso, Antero de Quental, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Carlos Lobo de Ávila, Carlos de Lima Mayer e António Cândido. À intelectualidade proeminente da época juntava-se agora a nobreza, num último esforço para restaurar o prestígio da Monarquia, tendo o Rei D. Carlos I sido significativamente eleito por unanimidade "confrade suplente do grupo".

 

 

(Caricatura de Ramalho Ortigão por Raphael Bordalo Pinheiro em 1880) 

 

Na sequência do assassínio do Rei, em 1908, escreve D. Carlos o Martirizado. Com a implantação da República, em 1910, pede imediatamente a Teófilo Braga a demissão do cargo de bibliotecário da Real Biblioteca da Ajuda, escrevendo-lhe que se recusava a aderir à República "engrossando assim o abjecto número de percevejos que de um buraco estou vendo nojosamente cobrir o leito da governação". Saiu em seguida para um exílio voluntário em Paris, onde vai começar a escrever as Últimas Farpas (1911-1914) contra o regime republicano. O conjunto de As Farpas, mais tarde reunidas em quinze volumes, a que há que acrescentar os dois volumes das Farpas Esquecidas, e o referido volume das Últimas Farpas, foi a obra que mais o notabilizou por estar escrita num português muito rico, com intuitos pedagógicos, sempre muito crítico e revelando fina capacidade de observação. Eça de Queirós escreveu que Ramalho Ortigão, em As Farpas, "estudou e pintou o seu país na alma e no corpo".

 

Regressa a Portugal em 1912 e, em 1914 dirige a célebre Carta de um velho a um novo, a João do Amaral, onde saúda o lançamento do movimento de ideias políticas denominado Integralismo Lusitano:

 

"A orientação mental da mocidade contemporânea comparada à orientação dos rapazes do meu tempo estabelece entre as nossas respectivas cerebrações uma diferença de nível que desloca o eixo do respeito na sociedade em que vivemos obrigando a elite dos velhos a inclinar-se rendidamente à elite dos novos"

 

Vítima de um cancro, recolheu-se na casa de saúde do Dr. Henrique de Barros, na então Praça do Rio de Janeiro, em Lisboa, vindo a falecer em 27 de Setembro de 1915, na sua casa da Calçada dos Caetanos, Freguesia da Lapa.

 

Foi Comendador da Ordem de Cristo e Comendador da Ordem da Rosa, no Brasil. Além de bibliotecário na Real Biblioteca da Ajuda, foi Secretário e Oficial da Academia Nacional de Ciências, Vogal do Conselho dos Monumentos Nacionais, Membro da Sociedade Portuguesa de Geografia, da Academia das Belas-Artes de Lisboa, do Grémio Literário, do Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, e da Sociedade de Concertos Clássicos do Rio de Janeiro. Em Espanha, foi Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica, membro da Academia de História de Madrid, da Sociedade Geográfica de Madrid, da Real Academia de Belas Artes de S. Fernando, da Union Ibero-Americana, e da Real Academia Sevillana de Buenas Letras.

 

Fonte: Wikipédia (com algumas alterações de minha autoria)

 

 

publicado por Lagash às 16:19
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