Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Saudade

 

 

Quantas saudades

Da minha infância

Fui tão feliz

Quando em criança

 

Tinha bonecas

Feitas de trapos

De pele grosseira

Os meus sapatos

 

Gorros de lã

Minha mãe fazia

Leite de cabra

Muito eu bebia

 

Junto à lareira

Histórias me contava

Meu querido pai

Que eu tanto amava

 

Quando chegar o meu fim

P’ra junto dele quero ir

Virá um anjo do céu

P’ro caminho conduzir

 

Ermelinda Miranda

in Quadras Soltas (Saudade)

 

publicado por Lagash às 16:19
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Confio

 

 

Confio no sorriso de uma criança,

creio no ser melhor todos os dias.

Acredito no cume da montanha

que toca o céu com as mãos.

 

Confio naquele olhar infinito,

no porvir mais desejado,

na sinceridade dos Homens,

e na verdade da Palavra.

 

Confio no saber e nos livros,

no bem sobre o mal,

no coração de um mendigo,

mesmo que falseie o seu mundo.

 

Confio em ti e no momento,

e no que sentes assim.

Confio-te o meu ser – agora.

Confio na tua mão e no amor.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:21
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Não cortem o cordão

 

 

Não cortem o cordão que liga o corpo à criança do sonho,

o cordão astral à criança aldebarã, não cortem

o sangue, o ouro. A raiz da floração

coalhada com o laço

no centro das madeiras

negras. A criança do retrato

revelada lenta às luzes de quando

se dorme. Como já pensa, como tem unhas de mármore.

Não talhem a placenta por onde o fôlego

do mundo lhe ascende à cabeça.

Linhas cristalográficas atravessando os cornos.

 

A veia que a liga à morte.

Não lhe arranquem o bloco de água abraçada aonde chega

braço a braço. Sufoca.

Mas não desatem o abraço louco.

 

A terra move-a quando se move.

 

Não limpem o sal na boca. Esse objecto asteróide,

não o removam.

A árvore de alabastro que as ribeiras

frisam, deixem-na rasgar-se:

- Das entranhas, entre duas crianças, a que era viva

e a criança do sopro, suba

tanta opulência. O trabalho confuso:

que seja brilhante a púrpura.

Fieiras de enxofre, ramais de quartzo, flúor agreste nas bolsas

pulmonares. Deixem que se espalhem as redes

da respiração desde o caos materno ao sonho da criança

exacerbada,

única.

 

Herberto Hélder

 

publicado por Lagash às 16:30
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Sábado, 13 de Junho de 2009

A Criança que fui chora na estrada

 

 

A Criança que fui chora na estrada,

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

 

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou

A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

 

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

 

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

 

Fernando Pessoa, 22 de Setembro de 1933

 

publicado por Lagash às 16:24
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

O melhor do mundo são as crianças

 

 

O melhor do mundo são as crianças

que têm a inocência do bem,

e o futuro da humanidade

nos olhos que sorriem.

Têm a beleza nas tranças,

a sabedoria de mais ninguém,

nas lágrimas, felicidade,

e amor por outro alguém.

 

Gosto de ver a traquinagem

inocente, do mais reguila miúdo

que parte o vidro e mente

à gente, mesmo que seja sem querer.

Olha o mundo e tem coragem,

acredita no nada e no tudo,

cai no chão e segue em frente,

e sabe agora o que é ser.

 

Mário L. Soares

mote de Fernando Pessoa

 

publicado por Lagash às 16:03
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Terça-feira, 10 de Março de 2009

Mais um beijinho

 

(desconheço o autor da foto) 

 

Meu amor de pequenino,

vens de mansinho,

dizes olá devagarinho,

pedes-me um beijinho.

 

Solto com carinho,

encosto os lábios levezinho,

com a mão no queixinho

do meu belo amorzinho.

 

Fecho apenas um olhinho

com amor molhadinho,

quente no meu colinho,

dou-te mais este beijinho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:18
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

O mundo está na tua mão

 

(O Mundo na mão - foto de Deyvis Malta) 

 

O mundo está na tua mão, amigo

 

Sabes, se quiseres tudo é teu…

Se alcançares consegues…

Se abrires a mão agarras o céu!

Se olhares em frente percebes!

 

O mundo está na tua mão, amor

 

Dá a semente e o fruto recebes!

Dá o sangue, recebes a vida!

Dá um beijo e amor concebes!

Olha nos olhos da pessoa querida…

 

O mundo está na tua mão, criança

 

O segredo está na simplicidade,

Está no carinho e no amor,

Na justiça e na verdade,

Está na audácia e no valor…

 

O mundo está na tua mão

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:17
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Depus a máscara

 

 

Depus a máscara e vi-me ao espelho. —

Era a criança de há quantos anos.

Não tinha mudado nada...

É essa a vantagem de saber tirar a máscara.

É-se sempre a criança,

O passado que foi

A criança.

Depus a máscara, e tornei a pô-la.

Assim é melhor,

Assim sem a máscara.

E volto à personalidade como a um términus de linha.

 

Álvaro de Campos

 

publicado por Lagash às 16:02
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Domingo, 1 de Junho de 2008

Uma criança no vento

 

 

Uma criança no vento,

Com o cabelo solto de suor,

Brinca com os olhos sabendo,

Há alguém ao seu redor…

 

Ama o que toca e ri…

Descobre mil coisas pequenas,

Não sabe algumas e outras sim,

Todas lhes são terrenas.

 

Belas, espertas, dão cabo do soalho…

Cansam os pais, ficam doentes,

Sorriem, choram e dão trabalho,

Gastam dinheiro e nunca estão contentes,

 

A responsabilidade é grande a de um pai,

Nos dias de hoje, não só, pode ser cruel,

Neste agreste mundo em que ela cai,

Há em nós grave papel.

 

Meu Deus, que farei eu comigo?

Se quero uma assim…

A vida só faz sentido,

Se tiver uma extensão de mim…

  

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 22:25
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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