Domingo, 31 de Janeiro de 2010

A Inigualável

 

 

Ai, como eu te queria toda de violetas

E flébil de cetim...

Teus dedos longos, de marfim,

Que os sombreassem jóias pretas...

 

E tão febril e delicada

Que não pudesse dar um passo -

Sonhando estrelas, transtornada,

Com estampas de cor no regaço...

 

Queria-te nua e friorenta,

Aconchegando-te em zibelinas -

Sonolenta,

Ruiva de éteres e morfinas...

 

Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata -

Teus frenesis, lantejoulas;

E os ócios em que estiolas,

Luar que se desbarata...

 

……………

 

Teus beijos, queria-os de tule,

Transparecendo carmim -

Os teus espasmos, de seda...

 

— Água fria e clara numa noite azul,

Água, devia ser o teu amor por mim...

 

Mário de Sá-Carneiro

 

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Languidez

 

("Jove Decadente" por Ramon Casas, 1910) 

 

 

Tardes da minha terra, doce encanto,

Tardes duma pureza de açucenas,

Tardes de sonho, as tardes de novenas,

Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

 

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!...

Horas benditas, leves como penas,

Horas de fumo e cinza, horas serenas,

Minhas horas de dor em que eu sou santo!

 

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,

Que poisam sobre duas violetas,

Asas leves cansadas de voar...

 

E a minha boca tem uns beijos mudos...

E as minhas mãos, uns pálidos veludos,

Traçam gestos de sonho pelo ar...

 

Florbela Espanca

 

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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

E a caravana abana…

 

 

De vila à cidade,

engolimos alegres quilómetros

e pautamos uma viagem

por escritas e visitas, que

iremos de Sul a Norte,

no desenlaço da regra

e fronteira invisível,

desconhecido lado e lugar

na troca gira de volante,

veloz, um beijo e queijo

com mimos de vinho,

seremos a aventura ardente,

palpitantes do inseguro,

na desvenda parcial

de pessoas e luares.

 

Tu, meu homem suado

em arrepio prazerento,

o descanso soletrado

no brilho do sol igual,

da costa azurada,

esfomeados encantados,

eu, a mulher em ti só,

irei a praça das aldeias

de sorrisos alegrettos,

faremos salada de tomate

com orégões e amor,

assobios de chocolate

com rum e línguas

enroladas de conversas.

 

 

Em silêncio natura-magnífico,

sopramos as cortinas

de cores e símbolos,

com maternal costura,

ora, abertas, ora, fechadas,

no momento digamos

assim, toliçamos,

penetramos e cantamos

do roteiro a seguir,

na caravana que abana,

de suave em louco

riso sobre rodas,

pesadas em cúmplice,

do mais puro destino

desta bela viagem,

em vai-vem perpétuo.

 

 

Brinda Priem

in http://made-in-belgium.blogspot.com/

 

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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Lembranças

 

 

(amigos com 16 anos em média proprietários e locutores de uma rádio local pirata de grande sucesso na margem sul) 

 

Lembranças, meu Deus…

Que lembranças tenho,

De tudo e de todos os meus,

Em mim marcadas em estanho.

 

Lembro amigos que cá ficam,

Dos risos e bons momentos,

Tenho os maus para contradição,

Do choro e dos lamentos.

 

Lembro festas de arrepiar,

Com bebida e muita dança,

De boas comidas manjar,

Rebolar ao encher a pança.

 

Lembro trabalho e também lazer,

Viagens e muito passeio,

Beleza e grandeza que me deu prazer,

Tudo isto, trago em meu seio.

 

Lembro os beijos e abraços,

Tenho em mim as despedidas,

No coração levo os amassos

Das noites de amor perdidas.

 

Lembro as lágrimas que sofri,

De amores que já foram,

As promessas que já perdi…

Das vidas que me marcaram.

 

Guardo-as dentro de mim,

São minhas, só eu as posso ter,

Tenho-as com carinho, assim…

Espero nunca as perder…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:25
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Terça-feira, 10 de Março de 2009

Mais um beijinho

 

(desconheço o autor da foto) 

 

Meu amor de pequenino,

vens de mansinho,

dizes olá devagarinho,

pedes-me um beijinho.

 

Solto com carinho,

encosto os lábios levezinho,

com a mão no queixinho

do meu belo amorzinho.

 

Fecho apenas um olhinho

com amor molhadinho,

quente no meu colinho,

dou-te mais este beijinho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:18
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Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Soneto

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Lábios

que encontram outros lábios

num meio de caminho, como peregrinos

interrompendo a devoção, nem pobres

nem sábios numa embriaguez sem vinho:

 

que silêncio os entontece quando

de súbito se tocam e, cegos ainda,

procuram a saída que o olhar esquece

num murmúrio de vagos segredos?

 

É de tarde, na melancolia turva

dos poentes, ouvindo um tocar de sinos

escorrer sob o azul dos céus quentes,

que essa imagem desce de agosto, ou

setembro, e se enrola sem desgosto

no chão obscuro desse amor que lembro.

 

Nuno Júdice

publicado por Lagash às 16:22
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Traição

 

(foto retirada de http://semadocante.blogs.sapo.pt/ - desconheço o autor) 

 

Viajo até o ponto mais arrepiante da tua nuca

Percebo o endurecimento do seu corpo

Teus seios

Teus braços

Tua boca

Arrepios

Calafrios

Minha mão decorando teus poros

A ponto de contá-los

Um a um

Conheço o gosto de cada centímetro

Beijos

Cheiros

Misturas

Sinto tremores

Amores

Fisgadas

Calafrios

Minha mão decorando teus pelos

Conheço-os um a um

Cobertura delicada

Da meiga e rija vulva

Que sabe dizer o meu nome

Que me beija

Já não sei onde fica a sua boca

Língua

Mistura

Carnes em estado de fusão

Corpos em estado de tesão

Gozo

Gritos

Beijos

Mentiras

Promessas falsas

Traição

 

Silvio Helder Lencioni Senne

 

publicado por Lagash às 16:14
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Três versos de Vicente Roskopt

 

(O Beijo de Constantin Brancusi) 

 

Os dias sem beijinhos são uma seca!

São tão maus de passar!

É uma coisa que me inquieta...

São dias que se alongam e que teimam em perdurar!

 

 

Dias com beijinhos indesejados são piores

e não deixam de acontecer.

Eu que sou alérgico a flores,

se o torno também com beijos, um dia acabo por morrer!

 

 

Ai... há beijinhos tão bons...

Ai... há raparigas tão giras...

Mas são um escândalo esses sons,

quando eu te beijo e tu suspiras!

 

Vicente Roskopt

 

publicado por Lagash às 16:06
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Poema Romântico - Sexual

 

(foto de Tommy L. Edwards) 

 

Bebi-te num beijo perfumado,

Naveguei o teu corpo só

Tomado no cetim dos lençóis,

No calor de mil Sóis,

Pele nua em olhos de dó

De silêncio imaculado.

 

Diluí-me no teu suspiro,

Em leves toques da tua mão

Perdida num cheio luar,

Num deserto de mar

Cativo na solidão,

Na pureza que te tiro.

 

Sei-me um pedaço de ti,

Pele rosada dos teus seios,

Palavra solta em tua boca

De ti mulher louca

Sombra dos meus receios,

Que tão bela nunca vi.

 

Rasga-se um sorriso no prazer

Numa lágrima de alegria,

De desejo escondido do passado,

Pensamento assim, ousado,

Gritado em sã histeria

Para mais ninguém saber.

 

Leio-me nas tuas linhas,

Masturbo todas as palavras

Pintadas de tantas cores,

Decoradas como flores

Nestes olhos que lavras,

Neste amor que me tinhas.

 

Fernando Jorge M. Saiote (Alemtagus)

 

publicado por Lagash às 16:26
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

O nosso mundo

 

(escultura "o beijo" de Rodin - versão em marmore exposta no Musée Rodin em Paris) 

 

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos

Como um divino vinho de Falerno

Poisando em ti o meu olhar eterno

Como poisam as folhas sobre os lagos...

 

Os meus sonhos agora são mais vagos

O teu olhar em mim, hoje é mais terno...

E a Vida já não é o rubro inferno

Todo fantasmas tristes e presságios!

 

A Vida, meu amor, quero vivê-la!

Na mesma taça erguida em tuas mãos,

Bocas unidas hemos de bebê-la!

 

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...

Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...

O mundo, Amor!...As nossas bocas juntas!...

 

Florbela Espanca

  

(original da autora arquivado na Biblioteca Nacional de Portugal no Campo Grande em Lisboa - Espólio de Florbela Espanca)

publicado por Lagash às 16:06
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Amor agridoce

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Doce amor de sal em torrões,

Salpicados de suor nas secas bocas

Amantes sorvendo a água em monções,

Odores de amores, esfregadas as pernas loucas.

 

Beijos sem destino tocam cabelos,

Lágrimas sem dor forçam a entrada,

Gritos abafados em rostos belos…

Olhos extasiados cheios de vida penetrada.

 

Transportados para fora da estratosfera  

Voam em bebedeiras de sabor a pele,

Quentes de abraços que o amor enternecera.

 

Vagem doce com molho de mel que corre,

Sopa de línguas e carne com muito gosto,

Saber o amor da vida que não morre…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:05
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Lembranças

  

 

Lembranças, meu Deus…

Que lembranças tenho,

De tudo e de todos os meus,

Em mim marcadas em estanho.

 

Lembro amigos que cá ficam,

Dos risos e bons momentos,

Tenho os maus para contradição,

Do choro e dos lamentos.

 

Lembro festas de arrepiar,

Com bebida e muita dança,

De boas comidas manjar,

Rebolar ao encher a pança.

 

Lembro trabalho e também lazer,

Viagens e muito passeio,

Beleza e grandeza que me deu prazer,

Tudo isto, trago em meu seio.

 

Lembro os beijos e abraços,

Tenho em mim as despedidas,

No coração levo os amassos

Das noites de amor perdidas.

 

Lembro as lágrimas que sofri,

De amores que já foram,

As promessas que já perdi…

Das vidas que me marcaram.

 

Guardo-as dentro de mim,

São minhas, só eu as posso ter,

Tenho-as com carinho, assim…

Espero nunca as perder…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:19
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

O sol nas noites e o luar nos dias

 

 

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
 
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
 
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
 
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia

publicado por Lagash às 16:32
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Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Beijos, são poucos...

 

Beijos mais ainda,

Que os outros

Foram poucos

E estes quais

Cerejas vêm uns

Atrás dos outros,

E são tão poucos...

Levas mais,

Contigo outros,

E são poucos,

Loucos...

Para ti muitos...

Beijos, já roucos...

 

 

Mário L. Soares (31/03/2008 02h32)

publicado por Lagash às 10:05
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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