Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

O melhor pretexto

 

("Um sorriso de criança", foto de Fernando Leão - olhares.aeiou.pt/FLeao )

 

É tão frágil a vida,

tão efémero, tudo!

(Não é verdade, amiga,

olhinhos-cor-de-musgo ?)

 

E ao mesmo tempo é forte,

forte da veleidade,

de resistir à morte

quanto maior a idade.

 

Assim, aos trinta e sete,

fechados alguns ciclos,

a vida ainda pede

mais sentimento, vínculos.

 

Não tanto os que nos deram

a fúria de viver,

como esses descobertos

depois de se saber

 

Que a vida não é outra

senão a que fazemos

(e a vida é uma só,

pois jamais voltaremos).

 

Partidários da vida,

melhor: do que está vivo,

digamos "não!" a tudo

que tenha outro sentido.

 

E que melhor pretexto

(quem o saiba que o diga!)

teremos p'ra viver

senão a própria vida?

 

Alexandre O'Neill

in "Poemas com endereço"

 

publicado por Lagash às 16:27
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Sábado, 15 de Agosto de 2009

Desejo

 

 

Quero-te ao pé de mim na hora de morrer.

Quero, ao partir, levar-te, todo suavidade,

Ó doce olhar de sonho, ó vida dum viver

Amortalhado sempre à luz duma saudade!

 

Quero-te junto a mim quando o meu rosto branco

Se ungir da palidez sinistra do não ser,

E quero ainda, amor, no meu supremo arranco

Sentir junto ao meu seio teu coração bater!

 

Que seja a tua mão tão branda como a neve

Que feche o meu olhar numa carícia leve

Em doce perpassar de pétala de lis...

 

Que seja a tua boca rubra como o sangue

Que feche a minha boca, a minha boca exangue!...

.......................................................................

Ah, venha a morte já que eu morrerei feliz!...

 

Florbela Espanca

in “O Livro D’ele”

 

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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Façam favor de ser felizes

Era esta uma expressão muito utilizada pelo Raul Solnado e que me habituei a ouvir em casa muitas vezes também pelo meu pai.

 

Já com saudade do falecido Raul Solnado, deixo-vos um texto que o ajudou a tornar celebre, que encenei com uma amiga e que é absolutamente fantástico – “Ida à guerra de 1908”.

 

A ti Raul, que não te conheci pessoalmente, mas que conheci pela obra que fica, seja pela casa do artista, peças de teatro, concursos, vídeos, filmes e gravações como esta.

 

A todos: “Façam favor de ser felizes!”

 

Mário L. Soares

 

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Domingo, 2 de Agosto de 2009

O Encoberto

 

 

Que símbolo fecundo

Vem na aurora ansiosa?

Na Cruz Morta do Mundo

A Vida, que é a Rosa.

 

Que símbolo divino

Traz o dia já visto?

Na Cruz, que é o Destino,

A Rosa que é o Cristo.

 

Que símbolo final

Mostra o sol já desperto?

Na Cruz morta e fatal

A Rosa do Encoberto.

 

Fernando Pessoa

in “A Mensagem”

 

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Sábado, 1 de Agosto de 2009

Vazio

 

 

Há um vazio dentro de mim

do tamanho de todas as pessoas

do mundo. De volume gigante,

de olhos negros e mortos.

Sem vida está o meu coração.

Não sinto. Estou dormente.

Durmo sobre um molho de

recordações sem sentido

e velhas. Também sem vida.

Acordo com vontade de dormir

e seguir um sonho falso, irreal,

que revela o desejo escondido

de felicidade.

Como me posso preencher?

Qual é o sentido?

Para quê?

 

Mário L. Soares

 

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Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Será que é a morte que chama por mim?

 

 

Será que é a morte que chama por mim?

Será que caí em sorte e me enterram na lama?

Por que nada ouço?

Por que não te ouço?

Sinto-me fraco,

sinto-me outro,

noutra condição que não a humana.

 

Ainda me recordo de ti...

Talvez tu, também, de mim!

 

Mas já é tarde... e escurece.

Fecham-se-m'os olhos

cobertos pela lama.

 

Acordo.

 

Imagem fraca e diluída.

Senti-me só.

Senti tanta agonia.

Não te senti, meu amor.

Senti que havia chegado a minha hora.

Procuro-te na cama:

"Como senti a tua falta!"

Chego-me junto a ti

e abraço-te tal como no primeiro dia.

 

Vicente Roskopt

mais poesia do Vicente Roskopt em http://osedutorfarsolas.blogspot.com/

 

publicado por Lagash às 16:19
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Morte de Michael Jackson

Morreu na noite de ontem (25 de Junho de 2009) Michael Jackson. Descanse em paz.

 

 

 

 

Naku penda piya-naku taka

Piya-mpenziwe

(I love you too-I want you

Too-my love)

 

Liberian girl . . .

You came and you changed

My world

A love so brand new

Liberian girl . . .

You came and you changed

Me girl

A feeling so true

 

Liberian girl

You know that you came

And you changed my world,

Just like in the movies,

With two lovers in a scene

And she says . . .

Do you love me

And he says so endlessly . . .

I love you, Liberian girl

 

Naku penda piya-naku taka

Piya-mpenziwe

 

Liberian girl . . .

More precious than

Any pearl

Your love so complete

Liberian girl . . .

You kiss me then,

Ooh, the world

You do this to me

 

Liberian girl

You know that you came

And you changed my world,

Just like in the movies,

With two lovers in a scene

And she says,

 

Do you love me

And he says so endlessly

I love you, Liberian girl

Naku penda piya-naku taka

Piya-mpenziwe

 

Liberian girl

You know that you came

And you changed my world,

I wait for the day,

When you have to say

I do,

And Ill smile and say it too,

And forever well be true

I love you, Liberian girl,

All the time

 

I love you Liberian girl,

All the time

 

Michael Jackson

 

Michael, mesmo com toda a polémica que a tua vida envolveu, seja pela cor da pele ou a falta dela, escândalos, o rancho “neverland” ou outras extravagâncias, não posso deixar de lembrar que marcaste a tua passagem pela minha vida com a tua música e com a tua imagem. Quem não se lembra do thriller e do seu vídeo clip (teledisco) fantástico? Quem não lembra com saudade os teus gritinhos histéricos nas músicas? Quem não recorda com nostalgia o “We are the world”?

 

Foi-se um homem único e fica outra obra tão única como ele.

 

R.I.P. – Rest In Peace Michael.

 

Mário L. Soares

 

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Sábado, 6 de Junho de 2009

Diluente

 

(Foto: GettyImages) 

 

A vizinha do número catorze ria hoje da porta

De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.

Ria naturalmente com a alma na cara.

Está certo: é a vida.

A dor não dura porque a dor não dura.

Está certo.

Repito: está certo.

Mas o meu coração não está certo

O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.

 

Cá está a lição, ó alma da gente!

Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,

Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?

Estou só no mundo, como um pião de cair.

Posso morrer como o orvalho seca.

Por uma arte natural de natureza solar,

Posso morrer à vontade da deslembrança,

Posso morrer como ninguém…

Mas isto dói,

Isto é indecente para quem tem coração…

Isto..

Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas…

Glória? Amor? O anseio de uma alma humana?

Apoteose às avessas…

Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida!

 

Álvaro de Campos

 

publicado por Lagash às 16:20
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

A dualidade entre o bem e o mal

 

 

 

O Yin-Yang, branco e negro, a noite e o dia, morte e vida, a luz e a escuridão, o belo e o feio.

 

“O que era a noite sem o dia?

E a luz sem a escuridão?

O contraste é a razão

Porque a gente os avalia.

 

Tendo por esta medida,

Tudo para um mesmo fim,

Até tu, a própria vida,

Não eras nada sem mim.”

 

Disse António Aleixo no Auto da Vida e da Morte, na personagem da “morte” dirigindo-se à “vida”.

 

Assim funciona o mundo.

 

Podemos olha-lo como o belo e o feio. Quando olhamos para uma bela mulher (ou homem), temo-la como bela porquê? Porque temos padrões de beleza definidos pela nossa cultura no geral, e educação e meio onde vivemos em particular. A mais ínfima variável vai para os gostos pessoais que são insignificantes quando analisarmos o caso à distância.

 

Mas como podemos “saber” se a mulher que vemos é bela ou não? – Apenas e só pela distinção. O cérebro através de vários processos “compara” as imagens que captamos pelos olhos com as nossas memórias numa “pasta de ficheiros” imaginária com o nome “mulheres que já vi” que estará hierarquizado por ordem de “beleza” (uma será mais bela que outra) e enquadrará a mulher que vemos agora com a “lista”. Como é obvio este processo é instantâneo e imperceptível. Pela comparação temos o “contraste” do Aleixo.

 

Vemos o mundo também pelo conceito económico de satisfação / utilidade como no paradoxo copo de água / diamante, onde se por um lado a teoria valor trabalho dá mais “valor” ao diamante, torna-se completamente inversa quando estamos no meio do deserto e a água passa a ter toda a importância e nenhum valor imediato no diamante. Também será variável de acordo com a satisfação - se bebermos vários copos de água, a sua utilidade marginal vai diminuindo ao ponto de a curva descer e chegar a ser negativa, quando já deitamos água pelos olhos de tanto beber. Temos então as necessidades dos clássicos da economia de Adam Smith, Ricardo e Marx, a definir os nossos critérios de diferenciação. O bom do menos bom é definido assim.

 

Então e quando temos apenas bom e não temos mau? Pois. Aí temos uma requalificação e um imediato reordenamento da lista. No exemplo das mulheres, se apenas conhecermos mulheres belas e nenhuma feia (e muito importante – nunca poderíamos ter conhecido nenhuma mulher feia – caso contrário teríamos uma referência anterior), ao olhar duas belas mulheres, como serão diferentes, estarão sujeitas a uma hierarquização similar, mas como não há grau inferior, a feia será a menos bela aos nossos olhos e a mais bela será bela apenas e começara um novo processo.

 

Vendo neste prisma as coisas, o bem e o mal serão calibrados um pelo outro, co-existindo e tornando-se mutuamente necessários para a qualificação dos mesmos.

 

Sem as mortes horrendas da guerra daríamos o mesmo valor à paz? Sem o ódio, como seria o amor? Sem a injustiça, faríamos justiça? A ausência de luz seria a escuridão?

 

Deixo-vos com este pensamento, na esperança de que haja esperança quando olharmos o mundo e vermos o mal a surgir. Considerando o perfeito equilíbrio da natureza pela forma como a vemos. Esse mal fará o bom ser melhor, com certeza.

 

Mário L. Soares

 

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Domingo, 12 de Abril de 2009

Páscoa

 

 

A Páscoa judaica é (primeiramente) a comemoração da liberdade desse povo que era escravizado no antigo Egipto. A Páscoa nunca cai no mesmo dia, mas o dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 Março (a data do equinócio) e até 25 de Abril. Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicea em 325 d.C., definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a "lua eclesiástica".

 

A palavra Páscoa tem a sua origem do nome em hebraico da festa judaica, “Pessach” , não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egipto para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário.

 

O Ovo de Páscoa, têm origens ancestrais e pagãs, muito antes da era de Cristo, onde na Ucrânia, os Chineses e alguns povos europeus e do norte de África, tinham o hábito de ofertar ovos de galinha pintados simbolizando o início da vida (primavera) venerando Eostre – Deusa da fertilidade e do renascimento (anglo-saxã, daí o termo Easter), onde o coelho era símbolo pela sua virilidade sexual. Os franceses, já mais recentemente, começaram a tradição dos ovos de chocolate.

 

A Páscoa celebra a Ressurreição de Jesus Cristo ou a sua vitória sobre a morte, depois de ser morto por crucificação que ocorreu em 30 ou 33 d.C.

 

Ao terceiro dia Cristo ressuscitou…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:19
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Morte de Jesus Cristo

 

(Jim Caviezel no papel de Jesus no filme "A paixão de Cristo" de Mel Gibson)

 

Jesus Cristo, o “prometido”, o “messias”, ou o filho de Deus vivo.

 

Era descendente de David, filho de Maria, nasceu em Belém na Judeia e viveu em Nazaré grande parte da sua vida, daí ser conhecido também pelo “Nazareno”. Cristo, do grego “Christós” é a tradução de “Messias”, e é esse o seu significado.

 

Um anjo anunciou ao profeta Daniel, segundo o velho testamento (Daniel 9:25, 26), que o Messias surgiria após o restabelecimento de Jerusalém e antes da destruição do templo. A profecia indicava a vinda de um ser humano, descendente de David, que pudesse recuperar Israel e devolvê-la aos filhos de Israel, reconstruindo a nação e restaurando a paz no mundo.

 

Jesus viveu para a salvação da humanidade e morreu para a salvar. Ressuscitou ao terceiro dia.

 

A Sexta-feira Santa, ou Sexta-feira da Paixão, é a Sexta-feira antes do Domingo de Páscoa. É a data em que os cristãos lembram o julgamento, paixão, crucificação, morte e sepultura de Jesus Cristo, através de diversos ritos religiosos.

 

Segundo a tradição cristã, a ressurreição de Cristo aconteceu no domingo seguinte ao dia 14 de Nisã, no calendário hebraico. A mesma tradição refere ser esse o terceiro dia desde a morte. Assim, contando a partir do domingo, e sabendo que o costume judaico, tal como o romano, contava o primeiro e o último dia, chega-se à sexta-feira como dia da morte de Cristo.

 

A Sexta-feira Santa é um feriado móvel que serve de referência para outras datas. É calculado como sendo a primeira Sexta-feira de lua cheia após o equinócio de Outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte, podendo ocorrer entre 22 de Março e 25 de Abril.

 

Mário L. Soares

(recolhi partes da Wikipédia)

 

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Morte de Agostinho da Silva

 

 

George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906 e morreu em Lisboa no dia 3 de Abril de 1994.

 

Agostinho da Silva é dos mais paradoxais pensadores portugueses do século XX. O tema mais candente da sua obra foi a cultura de língua portuguesa, num fraternal abraço ao Brasil e aos países lusófonos. Todavia, a questão das filosofias nacionais não é para si decisiva, parecendo-lhe antes uma questão académica: «Não sei se há filosofias nacionais, e não sei se os filósofos, exactamente porque reflectem sobre o geral, se não internacionalizam desde logo».

 

O problema de que parte é a procura de uma razão de ser para Portugal: «o que eu quero é que a filosofia que haja por estes lados arranque do povo português, faça que o povo português tenha confiança em si mesmo», entendendo por «povo português» não apenas os portugueses de Portugal, mas também os do Brasil, laçados de índios e negros, os portugueses de África, tribais e pretos, como também os da Índia, de Macau e de Timor.

 

Embarcando num sonho universalista em que os portugueses que vivem apenas para Portugal não têm razão de ser, apresentou-se aos olhos tantas vezes desconcertados dos seus leitores como um cavaleiro do Quinto Império, um reinado do Espírito Santo, respirando um misto de franciscanismo e de joaquimismo e, em todo o caso, obra mais de cigarras que de formigas como era próprio das crianças: «Restaurar a criança em nós, e em nós a coroarmos Imperador, eis aí o primeiro passo para a formação do império», o que é dizer que o primeiro passo dos impérios está sempre no espírito dos homens, aptos para servir, como os antigos templários ou os cavaleiros da Ordem de Cristo.

 

Um império sem clássicos imperadores, que leve aos povos do mundo uma filosofia capaz de abranger a liberdade por que se bate a América, a segurança económica conseguida pela União Soviética, e a renúncia aos bens que depois de ter estado na filosofia de Lao-tsé, diz estar também na de Mao-tsé, mas uma filosofia que as três possam corrigir, purgando a primeira de imperialismos, a segunda da burocracia, e a terceira de catecismos.

 

 

 

É esta uma filosofia que, como gostava de dizer, não parte imediatamente de uma reflexão sobre as ciências exactas, como em Descartes ou Leibniz, mas da fé, como em Espinosa. Partir de crenças como ponto vital e tomar como símbolo preferido que a palavra «crer» parece ter a mesma origem que a palavra «coração», fazendo depois como o Infante, abrindo-se à ciência dos seus pilotos, astrónomos e matemáticos. Tudo dito e defendido com a tranquilidade de quem sabe que até hoje ninguém desvendou os mistérios do mundo e conhece por isso os limites das soluções positivas.

 

Assim, seria possível valorizar aquilo que a seu ver nos distinguiria como povo e como cultura: um povo e uma cultura capazes de albergar em si «tranquilamente, variadas contradições impenetráveis, até hoje, ao racionalizar de qualquer pensamento filosófico».

 

Império do futuro precavido e purgado dos males que arruinaram os quatro anteriores, sem manias de mando, ambições de ter e de poder, sem trabalho obrigatório, sem prisões e sem classes sociais, sem crises ideológicas e metafísicas. Esse já não era o império europeu, dessa Europa ávida de saber e de poder, e por isso esgotada como modelo para os outros 80% da humanidade, menos ávida de poder e mais preocupada com o ser.

 

Trazer por isso o mundo à Europa, como outrora levámos a Europa ao mundo, tal a missão da cultura de língua portuguesa, construindo o seu domínio com uma base espiritual e sem base em terra, porque a propriedade escraviza e só não ter nos torna livres.

 

Obras

Sentido histórico das civilizações clássicas, 1929; A religião grega, 1930; Glosas, 1934; Sete cartas a um jovem filósofo, 1945; Diário de Alcestes, 1945; Moisés e outras páginas bíblicas, 1945; Reflexão, 1957; Um Fernando Pessoa, 1959; As aproximações, 1960; Educação de Portugal, 1989; Do Agostinho em torno do Pessoa; Dispersos, 1988.

 

Bibliografia

António Quadros, Introdução à Filosofia da História, Lisboa, 1982.

 

Fonte: Pedro Calafate em Instituto Camões

 

publicado por Lagash às 10:19
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Sábado, 28 de Março de 2009

Nascimento de Alexandre Herculano

 

 

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nasceu em Lisboa em 28 de Março de 1810 e morreu em Santarém a 13 de Setembro de 1877, tinha 67 anos.

 

Alexandre Herculano nasceu, no Pátio do Gil, à Rua de S. Bento, numa modesta família de origem popular; a mãe, Maria do Carmo de São Boaventura, filha e neta de pedreiros da Casa Real; o pai, Teodoro Cândido de Araújo, era funcionário da Junta dos Juros (Junta do Crédito Público).

 

Na sua infância e adolescência não pode ter deixado de ser profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo da França, que conduziriam à Revolução de 1820. Até aos 15 anos frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Néry, então instalados no Convento das Necessidades em Lisboa, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica, mas aberta às novas ideias científicas. Impedido de prosseguir estudos universitários (o pai cegou em 1827, ficando impossibilitado de prover ao sustento da família) ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária.

 

Com apenas 21 anos, participará, em circunstâncias nunca inteiramente esclarecidas, na revolta de 21 de Agosto de 1831 do Regimento nº 4 de Infantaria de Lisboa contra o governo ditatorial de D. Miguel I, o que o obrigará, após o fracasso daquela revolta militar, a refugiar-se num navio francês fundeado no Tejo, nele passando à Inglaterra e, posteriormente, à França (Rennes), indo depois juntar-se ao exército Liberal de D. Pedro IV, na Ilha Terceira (Açores).

 

Alistado como soldado no Regimento dos Voluntários da Rainha, como Garrett, é um dos 7 500 "Bravos do Mindelo", assim designados por terem integrado a expedição militar comandada por D. Pedro IV que desembarcou, em 8 de Julho de 1832,na praia do Mindelo (na verdade, um pouco mais a sul, na praia de Arnosa de Pampelido, um pouco a Norte do Porto - hoje "praia da Memória"), a fim de cercar e tomar a cidade do Porto. Como soldado, participou em acções de elevado risco e mérito militar.

 

 

 

Passado à disponibilidade pelo próprio D. Pedro IV, foi por este nomeado segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto. Aí permaneceu até ter sido convidado a dirigir a Revista Panorama, de Lisboa, revista de carácter artístico e científico de que era proprietária a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela própria rainha D. Maria II, de que foi redactor principal de 1837 a 1839.

 

Em 1842 retomou o papel de redactor principal e publicou o Eurico o Presbítero, obra maior do Romance Histórico em Portugal no século XIX. Mas a obra que vai transformar Alexandre Herculano no maior português do século XIX é a sua História de Portugal, cujo primeiro volume é publicado em 1846. Obra que introduz a historiografia científica em Portugal, não podia deixar de levantar enorme polémica, sobretudo com os sectores mais conservadores, encabeçados pelo clero. Atacado pelo clero por não ter admitido como verdade histórica o célebre Milagre de Ourique – segundo o qual Cristo aparecera ao rei Afonso Henriques naquela batalha -, Herculano acaba por vir a terreiro em defesa da verdade científica da sua obra, desferindo implacáveis golpes sobre o clero ultramontano, sobretudo nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba.

 

O prestígio que a História de Portugal lhe granjeara leva a Academia das Ciências de Lisboa a nomeá-lo seu sócio efectivo (1852) e a encarregá-lo do projecto de recolha dos Portugaliae Monumenta Historica (recolha de documentos valiosos dispersos pelos cartórios conventuais do país), projecto que empreende em 1853 e 1854.

 

Herculano permanecerá fiel aos seus ideais políticos e à Carta Constitucional, que o impedira de aderir ao Setembrismo. Apesar de estreitamente ligado aos círculos do novo poder Liberal (foi deputado às Cortes e preceptor do futuro Rei D. Pedro V), recusou fazer parte do primeiro Governo da Regeneração, chefiado pelo Duque de Saldanha. Recusou honrarias e condecorações e, a par da sua obra literária e científica, de que nunca se afastou inteiramente, preferiu retirar-se progressivamente para um exílio que tinha tanto de vocação como de desilusão.

 

Numa carta a Almeida Garrett confessara ser seu mais íntimo desejo ver-se entre quatro serras, dispondo de algumas leiras próprias, umas botas grosseiras e um chapéu de Braga. Ainda desempenhando o cargo de Presidente da Câmara de Belém (1854, 1855), cargo que abandona rapidamente.

 

Em 1857, após o seu casamento com D. Mariana Meira, retira-se definitivamente para a sua quinta de Vale Lobos (Azóia, Santarém) para se dedicar (quase) inteiramente à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual - ancorado no porto tranquilo e feliz do silêncio e da tranquilidade, como escreverá na advertência prévia ao primeiro volume dos Opúsculos.

 

Em Vale de Lobos, Herculano exerce um autêntico magistério moral sobre o País. Na verdade, este homem frágil e pequeno, mas dono de uma energia e de um carácter inquebrantáveis era um exemplo de fidelidade a ideais e a valores que contrastavam com o pântano da vida pública portuguesa. “Isto dá vontade de morrer!”, exclamara ele, decepcionado pelo espectáculo torpe da vida pública portuguesa, que todos os seus ideais vilipendiara.

 

Aquando da segunda viagem do Imperador do Brasil a Portugal, em 1867, Herculano entendeu retribuir, em Lisboa, a visita que o monarca lhe fizera em Vale de Lobos, mas devido à sua débil saúde contraiu uma pneumonia dupla de que viria a falecer, em Vale de Lobos, em 13 de Setembro de 1877.

 

Estudou Latim, Lógica e Retórica no Palácio das Necessidades e, mais tarde, na Academia da Marinha Real, estudou matemática com a intenção de seguir uma carreira comercial. Descontente com o governo de Miguel I de Portugal, exilou-se na França, onde escreveu os seus melhores poemas. Voltou a Portugal, em 1832, continuou a fazer poesia, como A Voz do Profeta em 1836 e A Harpa do Crente em 1838. No jornal Panorama por volta de 1840; publicou obras de ficção, como Eurico, o Presbítero de 1844, e ganhou fama como historiador; publicou a História de Portugal, em quatro volumes, e História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal.

 

Herculano foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal.

 

Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.

 

Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polémicas da época, que se somam à sua intensa actividade jornalística. A parte mais significativa da obra literária de Herculano se concentra em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao género conhecido como narrativa histórica. Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do literato, que cria ou amplia tramas para compor seus enredos. Dessa forma, o autor situa acção num tempo passado, procurando reconstituir uma época. Para isso, contribuem descrições pormenorizadas de quadros antigos, como festas religiosas, indumentárias, ambientes e aposentos, topografias de cidades. São frequentes as intervenções do narrador, que tece comentários filosóficos, sociais ou políticos, muitas vezes relacionando o passado narrado com o quotidiano do século XIX.

 

A narrativa de carácter histórico foi desenvolvida inicialmente por Walter Scott (1771-1832), poeta e novelista escocês que escreveu A Balada do Último Menestrel e Ivanhoé, entre outros trabalhos. Também o francês Vitor Hugo (1802-1885) serviu de modelo a Herculano: Hugo escreveu o romance histórico Nossa Senhora de Paris, em que surge Quasímodo, o famoso “Corcunda de Notre-Dame”. A partir desses modelos, desenvolveu-se a narrativa histórica de Herculano, que pode ser considerada o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal.

 

As Lendas e Narrativas são formadas por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas. Herculano abordou vários períodos da história da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.

 

O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Assim, a partir disto, as narrativas históricas foram gradativamente enfocando épocas cada vez mais próximas do século XIX.

 

Fonte: Wikipédia (com algumas alterações de minha autoria)

 

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Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Não choreis os mortos

 

(foto de Sergei Ponomarev)

 

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, à solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

 

E, quando à tarde, o Sol, entre brasidos,

Agonizar… guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puras,

Para os que vivem, nudos e vencidos.

 

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer.

 

E, ao meditar, então, na paz da Morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer.

 

Pedro Homem de Mello

 

publicado por Lagash às 16:05
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Morte de Natália Correia

 

(Natália Correia por Mário L. Soares) 

 

Natália de Oliveira Correia nasceu em Fajã de Baixo, na ilha de São Miguel nos Açores em 13 de Setembro de 1923, e morreu em Lisboa a 16 de Março de 1993, foi uma intelectual, poetisa e activista social, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. Deputada à Assembleia da República de 1980 a 1991, interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Foi a autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC)

 

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. Foi uma figura central das tertúlias que reuniam em Lisboa nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas nas décadas de 1950 e 1960. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.

 

Quando tinha apenas onze anos o pai emigrou para o Brasil, fixando-se Natália com a mãe e a irmã em Lisboa, cidade onde fez os seus estudos liceais. Iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infanto-juvenil mas rapidamente se afirmou como poeta.

 

Notabilizou-se através de diversas vertentes da escrita, já que foi poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora, tornou-se conhecida na imprensa escrita e, sobretudo, na televisão, com o programa Mátria, onde advogou uma forma especial de feminismo – afastado do conceito politicamente correcto do movimento — o matricismo —, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.

 

Dotada de invulgar talento oratório e grande coragem combativa, tomou parte activa nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no apoio às candidaturas para a Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969). Foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia, uma das grandes editoras portuguesas do tempo.

 

A sua intervenção política pública levou-a ao parlamento, para onde foi eleita em 1980 nas listas do PPD (Partido Popular Democrático), passando a independente. Foi autora de polémicas intervenções parlamentares, das quais ficou célebre, num debate sobre o aborto, em 1982, a réplica satírica que fez a um deputado do CDS sobre a fertilidade do mesmo.

 

Fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), David Mourão-Ferreira ("a irmã que nunca tive"), José-Augusto França ("a mais linda mulher de Lisboa"), Luiz Pacheco ("esta hierofântide do século XX"), Almada Negreiros, Mário Cesariny ("era muito mais linda que a mais bela estátua feminina do Miguel Ângelo"), Ary dos Santos ("beleza sem costura"), Amália Rodrigues, Fernando Dacosta, entre muitos outros. Foi uma entusiasmada e grande impulsionadora pelo aparecimento do espectáculo de café-concerto em Portugal, na figura do polémico travesti Guida Scarllaty, o actor Carlos Ferreira, na época um jovem arquitecto de quem era grande amiga. Na sua casa, foi anfitriã de escritores famosos como Henry Miller, Graham Greene ou Ionesco.

 

Natália Correia recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade; era já detentora da Ordem de Santiago.

 

Natália Correia casou quatro vezes. Após dois primeiros curtos casamentos, casou em Lisboa a 31 de Julho de 1953 com Alfredo Luiz Machado (1904-1989), a sua grande paixão, bem mais velho do que ela e já viúvo, casamento este que durou até à morte deste, a 17 de Fevereiro de 1989. (São já notáveis as cartas de amor da jovem Natália para Alfredo Luiz Machado.) Em 1990, tinha Natália 67 anos de idade, celebrou um casamento de conveniência com o seu colaborador e amigo Dórdio Guimarães.

 

Na madrugada de 16 de Março de 1993, morreu, subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim. A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa), constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada.

 

Fonte: Wikipédia com algumas (poucas) alterações da minha autoria.

 

Acrescento que é uma das minhas poetisas favoritas, principalmente pela sua “força” e frontalidade – traço de personalidade que tento incluir (pela pura imitação por admiração ao belo) na minha vida.

 

Natália Correia tem na poesia um estilo muito próprio que nos transporta do dia a dia, a um imaginário palpável, interventivo e acutilante, sempre muito directo. Tem também nos seus mais românticos poemas uma doçura apaixonada de uma menina de 16 anos.

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 10:19
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