Domingo, 30 de Novembro de 2008

Morte de Fernando Pessoa

 

("Retrato de Fernando Pessoa" - Quadro de Almada Negreiros de 1954 pintado para o restaurante Irmãos Unidos) 

 

Às três horas e vinte minutos da tarde de 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, capital portuguesa, Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos, em frente da ópera de Lisboa (Teatro de São Carlos). De famílias da pequena aristocracia, pelo lado paterno e materno, o seu pai era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do «Diário de Notícias», Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa; e a sua mãe D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), natural da Ilha Terceira (Açores). Viviam com eles a avó Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília.

 

 

(Fernando Pessoa em menino) 

 

É baptizado em 21 de Julho na Igreja dos Mártires, no Chiado. Os padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão por detrás do nome Fernando António encontra-se relacionada com Santo António: a sua família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de baptismo de Santo António, cujo dia tradicionalmente consagrado em Lisboa é 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.

 

A sua infância e adolescência foram marcadas por factos que o influenciariam posteriormente. Às cinco horas da manhã de 24 de Julho de 1893, o seu pai morre com 43 anos vítima de tuberculose. A morte é reportada no Diário de Notícias do dia. Joaquim de Seabra Pessoa deixou-o com apenas cinco anos, a mãe e o seu irmão Jorge que viria a falecer no outro ano sem chegar a completar um ano. A mãe então vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e mudam-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São Marçal. É também nesse período que surge o seu primeiro heterónimo, Chevalier de Pas, facto relatado pelo próprio Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, numa carta de 1935 em que fala extensamente sobre a origem dos heterónimos. Ainda no mesmo ano cria seu primeiro poema, um verso curto com a infantil epígrafe de À Minha Querida Mamã. Sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895 por procuração, na Igreja de São Mamede em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban (África do Sul), o qual havia conhecido um ano antes. Em África, Pessoa viria a demonstrar possuir desde cedo habilidades para a literatura.

 

 

(Fernando Pessoa aos 20 anos de idade) 

 

O padrasto e a mãe. Em razão do casamento, muda-se com a mãe e um tio-avô, Manuel Gualdino da Cunha, para Durban, onde passa a maior parte da sua juventude. Viajam no navio Funchal até à Madeira e depois no paquete Inglês Hawarden Castle até ao Cabo da Boa Esperança. Tendo que dividir a atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propiciava momentos de reflexão. Em Durban recebe uma educação britânica, o que lhe proporciona um profundo contacto com a língua inglesa. Os seus primeiros textos e estudos são feitos em inglês. Mantém contato com a literatura inglesa através de autores como Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley, Alfred Tennyson, entre outros. O inglês teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, além de utilizar o idioma em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como O Corvo e Annabel Lee de Edgar Allan Poe. Com excepção de Mensagem, os únicos livros publicados em vida são os das colectâneas dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 Sonnets e English Poems I - II e III, escritos entre 1918 e 1921.

 

Faz o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street, onde realiza a sua primeira comunhão e percorre em dois anos o equivalente a quatro. Em 1899 ingressa na Durban High School, onde permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da turma, no mesmo ano cria o pseudónimo Alexander Search, no qual envia cartas a si mesmo utilizando esse nome. No ano de 1901 é aprovado com distinção no seu primeiro exame da Cape Scholl High Examination, escreve os primeiros poemas em inglês. Na mesma época morre sua irmã Madalena Henriqueta, de dois anos. De férias, parte em 1901 com a família para Portugal. No navio em que viajam, o paquete König, vem o corpo da sua irmã falecida. Em Lisboa mora com a família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º. 109, 3º. Esquerdo. Na capital portuguesa nasce João Maria, quarto filho do segundo casamento da mãe de Pessoa. Viaja com o padrasto, a mãe e os irmãos à Ilha Terceira, nos Açores, onde vive a família materna. Também partem para Tavira onde para visitar os parentes paternos. Nessa época escreve a poesia Quando ela passa.

 

 

(Fernando Pessoa) 

 

Fernando Pessoa permanece em Lisboa enquanto todos regressam para Durban: a mãe, o padrasto, os irmãos e a criada Paciência que viera com eles. Volta sozinho para a África no vapor Herzog. Na mesma época, tenta escrever romances em inglês e matricula-se na Commercial School. Lá estuda à noite enquanto de dia se ocupa com disciplinas humanísticas. Em 1903, candidata-se à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame para a admissão, não obtém uma boa classificação, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Recebe por isso o Queen Victoria Memorial Prize («Prémio Rainha Vitória»). Um ano depois novamente ingressa na Durban High School onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universitário. Aprofunda a sua cultura, lendo clássicos ingleses e latinos; escreve poesia e prosa em inglês e surgem os heterónimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher; nasce a sua irmã Maria Clara e publica o jornal do liceu um ensaio crítico intitulado Macaulay. Por fim, encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul após realizar na Universidade o «Intermediate Examination in Arts», adquirindo bons resultados.

 

Deixando a família em Durban, regressou definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em 1905. Passa a viver com a avó Dionísia e as duas tias na Rua da Bela Vista, 17. A mãe e o padrasto também retornam a Lisboa, durante um período de férias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produção de poemas em inglês e em 1906 matricula-se no Curso Superior de Letras (actual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. É nesta época que entra em contacto com importantes escritores de literatura da língua portuguesa. Interessa-se pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre Antônio Vieira.

 

 

(Fernando Pessoa, 1928, aos 40 anos - foto do seu bilhete de identidade) 

 

Em Agosto de 1907, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança. Com esse dinheiro, monta uma pequena tipografia, que rapidamente faliu, na Rua da Conceição da Glória, 38-4.º, sob o nome de «Empresa Íbis — Tipografia Editora — Oficinas a Vapor». A partir de 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial, um trabalho que poderíamos chamar de "correspondente estrangeiro". Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública.

 

Inicia a sua actividade de ensaísta e crítico literário com a publicação, em 1912, na revista «Águia», do artigo «A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada», a que se seguiriam outros.

 

Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática" (provavelmente uma colangite aguda causada por cálculo biliar), falecendo de suas complicações, possivelmente associada a uma cirrose hepática provocada pelo óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida (a título de curiosidade acredita-se que era muito fiel à aguardente "Águia Real"). No dia 30 de Novembro morre aos 47 anos.

 

 

(Fernando Pessoa - a sua última foto tirada por Augusto Ferreira Gomes) 

 

Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterónimos. A sua última frase é escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").

 

Fonte: Wikipédia

 

Caro Fernando,

 

Parece que te conheço,

Sei que me ouves – não te esqueço.

Mando-te um abraço do lado de cá.

E digo-te - também não sei o que o amanhã trará!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 10:00
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2 comentários:
De sofia a 1 de Dezembro de 2008 às 17:15
Querido Mário, tambem não sei o que o amanhã trará, mas prefiro pensar no hoje e agora.
Origada por mais uma vez Fernado,
beijo
De Anónimo a 16 de Julho de 2009 às 06:05
Querido PESSOA, O amanhã talvez, e o que seria o mais sensato, trará a continuidade daquilo que começamos Hoje.
Obrigado por você.
Idésio de Oliveira. Brasil. Criciúma. SC.

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