Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Combatente

 

 

Vitória e glória que morreste,

Nos campos de batalha

Nas mãos do pobre combatente

Que lutou por aquela tua bandeira

 

Corre o sangue de quem conheceste

Ao teu lado, e o medo espalha

No fundo do outro lado há gente…

Que mata com o medo, da mesma maneira

 

Mas exalta em ti o que prometeste

O juramento que honras sem medalha

A razão que ignoras na tua mente

És tu, ou o outro numa fogueira

 

À pátria que em ti enobreceste

É o pretexto para fugires à fornalha

Podias desertar como quem não sente!

Ninguém notaria a tua esterqueira?

 

Mas não! Segues em frente mas… bateste…

Algo dentro de ti estraçalha!

Não há dor, tudo está quente…

Dás mais de ti que quem te ama queira…

 

Sentes um rio agora que paraste

E corre líquido escuro como o vinho na talha.

Estranho. Não era o plano presente…

Queres fugir! Mas cais no meio de poeira.

 

Conseguiste no limite do desgaste

Mover o braço até à tua navalha…

Ainda queres a vingança corajosamente,

Respiras o pó, e sentes uma pieira…

 

Cospes vermelho e tens o que semeaste

Queres livrar-te do peso da tralha

Talvez assim possas seguir em frente

Será esta a tua queda derradeira?

 

No chão nada se move. Perdeste?

Nada ouves. Nem a batalha?

Nada sentes. Nem a dor, nem a tua mente?

Será o fim? Assim, numa quarta-feira?

 

É. Dás por ti, e percebes. Morreste!

Ainda cá estás mas sem o que te valha,

Foi coragem? Fazias diferente?

Voltavas a trás e entravas na trincheira?

 

Valeu a pena o esforço que prometeste?

Sim. Se acreditaste na jornada…

Não. Se não foste coerente…

Fica em ti a razão verdadeira.

 

E matar? Por certo, também o fizeste…

Aí, há um medo que te assoalha

Terias direito a tirar a vida ao teu semelhante?

Perdão! Pedes em clemente choradeira.

 

Calma e dorme. Coragem… Não o soubeste,

Mas tens em ti algo maior do que a tua alma,

No teu coração. Está lá. Presente.

O amor. A paixão sem qualquer barreira.

 

És grande. Deste. Não por ti, mas pelo que acreditaste,

És o reflexo da tua escolha.

Amaste. Foste amado. Tiveste o teu consciente.

Sobe. Lá a cima. Seja onde for. É a tua última fronteira.

 

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 01:41
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