Domingo, 31 de Maio de 2009

Venci o vício

 

 

Venci o vício

Ganhei ao maldito

Não foi desperdício

Foi vitória, um grito!

 

Dei a volta por cima,

Mas estou sempre alerta,

Agora a minha vida exima,

Quando a vontade aperta.

 

Na escuridão, na névoa do tabaco,

Vivi vinte negros anos,

Até agarrar a vida num só acto!

 

Não volto ao sofrimento

Estou livre da tortura

Não quero tal tormento – Acabou-se o tabaco!

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:28
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Sábado, 30 de Maio de 2009

Cheiro

 

 

O cheiro

O sabor

da tua boca

 

A baunilha

a camélia desfolhada

 

A saliva a saber

a leite morno

 

Escutando o rumor

das tuas asas

 

Maria Teresa Horta

 

publicado por Lagash às 16:06
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Impossível

 

 

Nós podemos viver alegremente,

Sem que venham com fórmulas legais,

Unir as nossas mãos, eternamente,

As mãos sacerdotais.

 

Eu posso ver os ombros teus desnudos,

Palpá-los, contemplar-lhes a brancura,

E até beijar teus olhos tão ramudos,

Cor de azeitona escura.

 

Eu posso, se quiser, cheio de manha,

Sondar, quando vestida, p’ra dar fé,

A tua camisinha de bretanha,

Ornada de crochet.

 

Posso sentir-te em fogo, escandecida,

De faces cor-de-rosa e vermelhão,

Junto a mim, com langor, entredormida,

Nas noites de verão.

 

Eu posso, com valor que nada teme,

Contigo preparar lautos festins,

E ajudar-te a fazer o leite-creme,

E os mélicos pudins.

 

Eu tudo posso dar-te, tudo, tudo,

Dar-te a vida, o calor, dar-te cognac,

Hinos de amor, vestidos de veludo,

E botas de duraque

 

E até posso com ar de rei, que o sou!

Dar-te cautelas brancas, minha rola,

Da grande lotaria que passou,

Da boa, da espanhola,

 

Já vês, pois, que podemos viver juntos,

Nos mesmos aposentos confortáveis,

Comer dos mesmos bolos e presuntos,

E rir dos miseráveis.

 

Nós podemos, nós dois, por nossa sina,

Quando o Sol é mais rúbido e escarlate,

Beber na mesma chávena da China,

O nosso chocolate.

 

E podemos até, noites amadas!

Dormir juntos dum modo galhofeiro,

Com as nossas cabeças repousadas,

No mesmo travesseiro.

 

Posso ser teu amigo até à morte,

Sumamente amigo! Mas por lei,

Ligar a minha sorte à tua sorte,

Eu nunca poderei!

 

Eu posso amar-te como o Dante amou,

Seguir-te sempre como a luz ao raio,

Mas ir, contigo, à igreja, isso não vou,

Lá essa é que eu não caio!

 

Cesário Verde

 

publicado por Lagash às 16:29
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

English breakfast

 

 

Que satisfação me darias um ovo estrelado fazer…

Com uma torrada a acompanhar,

um sumo de laranja num copo transparente,

e depois um beijo de bom dia…

Sei lá eu o que faria,

se tivesse tal e fosse assim realmente,

e pudesse dar-te o meu amar,

e que te tivesse com o teu querer.

 

Não seria almoço com certeza,

nem sequer um bom jantar,

comeríamos salsichas e fritas,

feijão e o que apetecesse comer…

Um abraço pelo meio,

e mais um “pára, que me excitas”…

Era carinho que te queria dar…

Um pequeno almoço à inglesa…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:10
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500 posts!

 

Foi o 500º post (este é o 501º)... nem sei dizer isto...

 

Mais uma marca pessoal alcançada! Nunca pensei que chegasse a isto - especialmente em menos de 18 meses! "Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena!".

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 10:22
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Os livros

 

 

Não conhecemos estes lugares

ou compulsivamente

os revemos. Paisagens

inusitadas, absurdas,

mesmo se alguma vez as frequentámos

com nossos olhos e bagagens.

São estranhos estes homens

que nos fazem rir e chorar,

sentir raiva, ser

solidários. São-nos íntimos,

porém. Estes

sonhos, a quem

pertencem? Sentimentos obscuros,

que angústias (des)

velam? Trágicas

desilusões,

que mundos encerram?

 

Os livros, quietos

e buliçosos: o nosso

alter ego.

 

João Melo

 

publicado por Lagash às 16:04
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Terça-feira, 26 de Maio de 2009

What a wonderful world

 

 

I see trees of green, red roses too

I see them bloom for me and you

And I think to myself what a wonderful world.

 

I see skies of blue and clouds of white

The bright blessed day, the dark sacred night

And I think to myself what a wonderful world.

 

The colors of the rainbow so pretty in the sky

Are also on the faces of people going by

I see friends shaking hands saying how do you do

They're really saying I love you.

 

I hear babies crying, I watch them grow

They'll learn much more than I'll never know

And I think to myself what a wonderful world

Yes I think to myself what a wonderful world.

 

Louis Armstrong

 

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Quem disse que não temos talentos? #7 Intervalo

 

 

Vida em câmara lenta,

Oito ou oitenta,

Sinto que vou emergir,

Já sei de cor todas as canções de amor,

Para a conquista partir.

 

Diz que tenho sal,

Não me deixes mal,

Não me deixes…

 

No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto aonde eu não entrei,

Notícia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…

 

Vida á média rés,

Levanta os pés

Não vás em futebóis, apesar…

Do intervalo, que é quando eu falo,

Para não me incomodar.

 

Diz que tenho sal,

Não me deixes mal,

Não me deixes…

 

No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto aonde eu não entrei,

Noticia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…

 

Não me deixes já

Historia que não terminou

Não me deixes…

 

No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto aonde eu não entrei,

Noticia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…

 

No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto aonde eu não entrei,

Noticia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…

 

Per7ume

 

publicado por Lagash às 16:22
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Domingo, 24 de Maio de 2009

Mário Persona #6 - Os 5 sentidos na publicidade

 

 

 

Os 5 sentidos na publicidade segundo Mário Persona.

 

Uma análise do papel dos sentidos na compra (e venda) de produtos e serviços.

 

Boas técnicas para ver, ouvir e aprender.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:26
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Sábado, 23 de Maio de 2009

Tocas-te

 

 

Tocas-te suavemente no quente dos lençóis, e o suor inunda o quarto. As janelas embaciadas apenas deixam entrar a luz do nascer do dia por entre as pequenas aberturas das persianas por onde entram também os olhares de um ou outro passeante que por ali tenha a sorte de andar.

 

O cheiro eleva-se no ar e mistura-se com o da torrada queimada que fizeste há pouco e com a barra de incenso de ontem já apagada no apoio, murcha e sem vida.

 

Um bafo de gata assanhada meio abafado faz-se ouvir seguido de duas ou três inspirações rápidas pelo meio dos dentes e interrompidas por espasmos…

 

Mais um pouco de movimento e mais um gemido.

 

Viras-te para cima e olhas o céu que está para lá do telhado da casa junto dos teus pensamentos mais fantasiosos. A mão esquerda toda o peito, esfregando os mamilos como se de limpeza precisassem e estes respondem apontando o infinito. A direita lá em baixo, peganhenta e molhada, atolando-se nos folhos do teu íntimo. Fechas os olhos outra vez e viras a cara para o lado direito, com o queixo na clavícula e a boca entreaberta que baba saliva para o ombro, sequiosa por abocanhar os fantasmas que a mente produz em catadupa só para este momento.

 

Descobres o corpo lançando o lençol com os pés a um mar no chão que banha a areia da tua cama e te refresca com uma lufada de ar fresco…

 

Esticas a perna esquerda. A direita, dobrada, apoia e abres-te ao mundo o mais possível.

 

Esticas o dedo grande do pé direito em direcção ao fundo da cama formando uma linha recta com o pé e a canela como se em pontas dançasses. O outro pé pelo contrário, está flectido e os dedos para trás, abertos, como as tuas duas pernas que arqueiam agora e elevam as nádegas ao tecto… onde tu já estás… perdida, leve e flutuante, em prazer… um grito abafado de quente…

 

Inspiras rápido, expiras fundo e forte. Contrais os músculos do abdómen e das nádegas, e prendes a respiração… mexes rápido os dedos em todas as direcções como um DJ num disco, abanas e gritas três vezes em impulsos para cima e para baixo como se empurrasses o tecto com as ancas…

 

Respiras e relaxas…

 

Será que os vizinhos te ouviram? - Que vergonha…

 

É manhã e vais tomar banho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:24
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Amo-te Palavra

 

 

Amo-te querida palavra

Que me dás a possível certeza

De ter em ti a pureza

Que no meu peito lavra.

 

És a força e a fraqueza

És o mundo que me informa

És autoridade que me forma

E o quadro de mais beleza.

 

Lanço-te dita p’los lábios,

Sais palavra gritada,

Ou outras vezes sussurrada.

 

Escrevo-te em pedra ou areia,

O vento leva-te ou não,

Ficas, em mim, ou razão…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:04
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

As Barreiras da Vida

 

(foto de Oliver Ross) 

 

Estão barradas as portas

Blocos grandes de cimento

Cobrem de negro rosas mortas

Que jazem no chão eternamente

 

São vidas perdidas, paradas…

Pára o sangue que está a morrer,

Pede perdão às pedras suadas

E uma nova razão de viver!

 

A mão que rasga o tijolo rugoso,

Que empurra a murro a pedra imóvel

Que lava de lágrimas o concreto orgulhoso.

 

Bate no coração que quer viver

Volve dentro do peito de raiva!

Será ele que o irá vencer…

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:16
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

À minha irmã

 

(Paula Soares) 

 

“Olá mana,

Como estás hoje?”

 

E assim nos cumprimentamos...

 

Não estamos diariamente juntos. Não podemos (porque a distância não permite) estar juntos fisicamente todos os dias. Também não me parece boa ideia estarmos juntos assim tanto (acho que concordas comigo, não?), porque o que é demais… é demais. De qualquer forma, digo-te que para estarmos juntos não precisamos, nem de telemóvel, email, nem msn, sms, skype, ou qualquer outra tecnologia. Para estarmos juntos, basta pensarmos em tal.

 

A amizade tem um poder incrível. Transcende a mente, o pensamento, barreiras, tabus, as fronteiras, e a distância…

 

Ao pensarmos num amigo – ao pensar em ti Paula – estou aí contigo: sentes?

 

“Poderão os quilómetros separar-nos dos nossos amigos?

Poderá a distância separar-nos realmente dos amigos?

Se quiseres estar com alguém, não estarás já lá?

Encontrar-nos-emos de vez enquanto, sempre que quisermos, no meio da única festa que nunca poderá terminar …”

 

Disse Richard Bach no seu pequeno (grande) livro “Não há longe nem distância”.

 

E este aviador (que tal como outros aviadores – Saint Exupery, por exemplo), sabe do que fala. Eles viram o mundo de outra maneira. Lá de cima, à distância do criador, à distância tão certa, quanto a necessária para ver que a distância é uma questão de perspectiva, de ponto de vista e de pensamento.

 

A relatividade da questão, já teorizada pelo grande físico, traz-nos a questão do como. Como posso estar agora aí contigo? É simples. Pensa em mim, com a certeza que penso em ti. Teremos no nosso pensamento a lembrança da pessoa, o rosto, a voz, o toque, até o cheiro. Aí “sentimos” o momento com essa pessoa, e sabemos que ela está lá. Está aqui!

 

Neste momento, estou aí contigo, e tu estás aqui comigo. Dou-te um beijinho e digo-te: “Parabéns Mana!”, dou uma gargalhada e chamo-te “Velha!”, tu mandas-me à fava, e dás-me um abraço…

 

Beijos

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:14
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Ai mulher! Aborreces-me!

 

 

Ai mulher! Aborreces-me!

 

E aborreces-me tanto, que quando digo que me aborreces,

Os meus ‘R’ e os meus ‘S’

multiplicam-se com tantas ganas,

Que mais se assemelham a um onomatopaico

ronco de motorizada;

De arrasto, aos solavancos, pela nobre estrada secundária.

 

Ai mulher, como me enervas tu mais às 50 de cilindrada!

 

A ignição de tal sentimento é a tua manifestação:

‘Já chegastes?! Não me gostas! Não t’acheguas! Tu ressonas! ‘,

(Jesus Cristo, Nosso Senhor, que paciência!

Por favor, Ponham fim a mais esta provação!)

 

Rodas a chave e como por magia, pego logo à primeira, dá-se logo a explosão!

Presenteias-me, és tão querida, com a tua douta sabedoria!

Cativante que tu és, dor de dentes que me arrelia.

És delicada, és uma rosa, sinto orgulho pela tua prosa,

Tão oportuna, como eu lamento! És óbito em dia de casamento.

 

Consideramos as flores bonitas, provavelmente, porque não falam!

És tão bela, se ao menos Deus te tivesse feito muda.

 

Vicente  Roskopt

 

 

Caro amigo,

 

Simplesmente brilhante. O teu estilo é único.

 

Aos visitantes – vejam mais deste meu amigo poeta (ou poeta meu amigo – ou amigo) em http://osedutorfarsolas.blogspot.com/ .

 

Mário L. Soares

publicado por Lagash às 16:12
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Quem disse que não temos talentos? #6 Rocket Man

 

 

She packed by bag last night, preflight

Zero hour, nine a.m.

And I'm gonna be high

As a kite by then

 

I miss the earth so much

I miss my wife

It's lonely out in space

On such a timeless flight

 

And I think it's gonna be a long, long, time

'Til touchdown brings me 'round again to find

I'm not the man they think I am at home

Ah, no no no...

I'm a rocket man

Rocket man

Burnin' out his fuse

Up here alone

 

Mars ain't the kind of place

To raise your kids

In fact, it's cold as hell

And there's no one there to raise them

If you did

 

And all this science

I don't understand

It's just my job

Five days a week

A Rocket Man

Rocket Man

 

And I think it's gonna be a long, long, time

'Til touchdown brings me 'round again to find

I'm not the man they think I am at home

Ah, no no no...

 

And I think it's gonna be a long, long, time

'Til touchdown brings me 'round again to find

I'm not the man they think I am at home

Ah, no no no...

I'm a rocket man

Rocket man

Burnin' out his fuse

Up here alone

 

And I think it's gonna be a long, long, time

And I think it's gonna be a long, long, time

And I think it's gonna be a long, long, time

 

Long, long, time

Long, long, time

 

Ah, no, no, no...

Oh, no, no, no, no, no, no, no...

 

David Fonseca

 

publicado por Lagash às 16:08
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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