Terça-feira, 31 de Março de 2009

Fruto

 

(Foto de Katia Chausheva) 

 

Serves-me o fruto,

na mão o tenho de bandeja.

Como-o, desfruto.

Mancha-me o peito,

a vida, o leito.

É vermelho como uma cereja,

rubro como o vinho.

Alvo e cheio como o ovo,

e escorre pela boca

e faz-me sentir mais novo.

Bebo a gosto a tua seiva,

sou conduzido por uma louca,

que me engana o caminho.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:23
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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Alma Errante

 

(foto de Katia Chausheva)

 

Encontrei muita vez, vagando ao acaso,

Um perfil de mulher no qual se adivinha

Como em exílio uma infeliz Rainha,

Um sol nascente e quase já no ocaso! ...

 

Lembrou me um jaspe, um delicado vaso.

Onde vegeta a custo uma florinha.

Ansiosa por florir, mas que, mesquinha,

Tem o espaço estreito e o chão árido e raso.

 

Certa tarde, já quase ao fim do dia.

Baixava o sol na última agonia.

Via lenta vagando em certa praça.

 

Perguntei-lhe o seu nome, incivilmente...

Cravou-me um triste olhar, e tristemente.

Digna, mui digna, respondeu: Desgraça.

 

Gomes Leal

 

publicado por Lagash às 16:04
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Domingo, 29 de Março de 2009

Bocas Roxas de Vinho

 

 

Bocas roxas de vinho,

Testas brancas sob rosas,

Nus, brancos antebraços

Deixados sobre a mesa;

 

Tal seja, Lídia, o quadro

Em que fiquemos, mudos,

Eternamente inscritos

Na consciência dos deuses.

 

Antes isto que a vida

Como os homens a vivem

Cheia da negra poeira

Que erguem das estradas.

 

Só os deuses socorrem

Com seu exemplo aqueles

Que nada mais pretendem

Que ir no rio das coisas.

 

Ricardo Reis

 

publicado por Lagash às 16:11
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Sábado, 28 de Março de 2009

Vinho do teu corpo

 

 

Bebo o vinho do teu corpo

Devagar como se a boca

Fosse uma flor onde o tempo

Desenha um mapa da vida

Corre o vinho do teu corpo

Nos lençóis da madrugada

E há carícias debruçadas

À janela do silêncio

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

E provo o vinho do teu corpo

Gota a gota e beijo a beijo

Como quem recolhe o sonho

De entre os dedos de um sorriso

Corre o vinho do teu corpo

Nos regatos do luar

Que hão-de vir desaguar

Mansamente nos meus braços

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Devagar e quase a medo

Na surpresa dos segredos

Copos cheios de prazer

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Bebo o vinho do teu corpo

Bebo até morrer de sede

Gota a gota beijo a beijo

 

Neruda

 

Obrigado ao Toxico, que por acaso é da minha terra natal, e que fez o que ninguém ainda tinha feito – transcrever a letra desta música e partilhá-la com o mundo no seu blog - http://naoassesmaiscarapausfritos.blogspot.com/

 

Parabéns aos Neruda, que têm aqui um grande êxito e que augura um futuro fantástico. Parabéns a eles, continuem e a todos os que gostaram como eu, comprem o CD. Visitem também o myspace da banda onde têm outras boas músicas como ”As queixas que a natureza nos faz” - http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=446661481

 

Mário L. Soares

 

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Nascimento de Alexandre Herculano

 

 

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, nasceu em Lisboa em 28 de Março de 1810 e morreu em Santarém a 13 de Setembro de 1877, tinha 67 anos.

 

Alexandre Herculano nasceu, no Pátio do Gil, à Rua de S. Bento, numa modesta família de origem popular; a mãe, Maria do Carmo de São Boaventura, filha e neta de pedreiros da Casa Real; o pai, Teodoro Cândido de Araújo, era funcionário da Junta dos Juros (Junta do Crédito Público).

 

Na sua infância e adolescência não pode ter deixado de ser profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo da França, que conduziriam à Revolução de 1820. Até aos 15 anos frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Néry, então instalados no Convento das Necessidades em Lisboa, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica, mas aberta às novas ideias científicas. Impedido de prosseguir estudos universitários (o pai cegou em 1827, ficando impossibilitado de prover ao sustento da família) ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária.

 

Com apenas 21 anos, participará, em circunstâncias nunca inteiramente esclarecidas, na revolta de 21 de Agosto de 1831 do Regimento nº 4 de Infantaria de Lisboa contra o governo ditatorial de D. Miguel I, o que o obrigará, após o fracasso daquela revolta militar, a refugiar-se num navio francês fundeado no Tejo, nele passando à Inglaterra e, posteriormente, à França (Rennes), indo depois juntar-se ao exército Liberal de D. Pedro IV, na Ilha Terceira (Açores).

 

Alistado como soldado no Regimento dos Voluntários da Rainha, como Garrett, é um dos 7 500 "Bravos do Mindelo", assim designados por terem integrado a expedição militar comandada por D. Pedro IV que desembarcou, em 8 de Julho de 1832,na praia do Mindelo (na verdade, um pouco mais a sul, na praia de Arnosa de Pampelido, um pouco a Norte do Porto - hoje "praia da Memória"), a fim de cercar e tomar a cidade do Porto. Como soldado, participou em acções de elevado risco e mérito militar.

 

 

 

Passado à disponibilidade pelo próprio D. Pedro IV, foi por este nomeado segundo bibliotecário da Biblioteca do Porto. Aí permaneceu até ter sido convidado a dirigir a Revista Panorama, de Lisboa, revista de carácter artístico e científico de que era proprietária a Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, patrocinada pela própria rainha D. Maria II, de que foi redactor principal de 1837 a 1839.

 

Em 1842 retomou o papel de redactor principal e publicou o Eurico o Presbítero, obra maior do Romance Histórico em Portugal no século XIX. Mas a obra que vai transformar Alexandre Herculano no maior português do século XIX é a sua História de Portugal, cujo primeiro volume é publicado em 1846. Obra que introduz a historiografia científica em Portugal, não podia deixar de levantar enorme polémica, sobretudo com os sectores mais conservadores, encabeçados pelo clero. Atacado pelo clero por não ter admitido como verdade histórica o célebre Milagre de Ourique – segundo o qual Cristo aparecera ao rei Afonso Henriques naquela batalha -, Herculano acaba por vir a terreiro em defesa da verdade científica da sua obra, desferindo implacáveis golpes sobre o clero ultramontano, sobretudo nos opúsculos Eu e o Clero e Solemnia Verba.

 

O prestígio que a História de Portugal lhe granjeara leva a Academia das Ciências de Lisboa a nomeá-lo seu sócio efectivo (1852) e a encarregá-lo do projecto de recolha dos Portugaliae Monumenta Historica (recolha de documentos valiosos dispersos pelos cartórios conventuais do país), projecto que empreende em 1853 e 1854.

 

Herculano permanecerá fiel aos seus ideais políticos e à Carta Constitucional, que o impedira de aderir ao Setembrismo. Apesar de estreitamente ligado aos círculos do novo poder Liberal (foi deputado às Cortes e preceptor do futuro Rei D. Pedro V), recusou fazer parte do primeiro Governo da Regeneração, chefiado pelo Duque de Saldanha. Recusou honrarias e condecorações e, a par da sua obra literária e científica, de que nunca se afastou inteiramente, preferiu retirar-se progressivamente para um exílio que tinha tanto de vocação como de desilusão.

 

Numa carta a Almeida Garrett confessara ser seu mais íntimo desejo ver-se entre quatro serras, dispondo de algumas leiras próprias, umas botas grosseiras e um chapéu de Braga. Ainda desempenhando o cargo de Presidente da Câmara de Belém (1854, 1855), cargo que abandona rapidamente.

 

Em 1857, após o seu casamento com D. Mariana Meira, retira-se definitivamente para a sua quinta de Vale Lobos (Azóia, Santarém) para se dedicar (quase) inteiramente à agricultura e a uma vida de recolhimento espiritual - ancorado no porto tranquilo e feliz do silêncio e da tranquilidade, como escreverá na advertência prévia ao primeiro volume dos Opúsculos.

 

Em Vale de Lobos, Herculano exerce um autêntico magistério moral sobre o País. Na verdade, este homem frágil e pequeno, mas dono de uma energia e de um carácter inquebrantáveis era um exemplo de fidelidade a ideais e a valores que contrastavam com o pântano da vida pública portuguesa. “Isto dá vontade de morrer!”, exclamara ele, decepcionado pelo espectáculo torpe da vida pública portuguesa, que todos os seus ideais vilipendiara.

 

Aquando da segunda viagem do Imperador do Brasil a Portugal, em 1867, Herculano entendeu retribuir, em Lisboa, a visita que o monarca lhe fizera em Vale de Lobos, mas devido à sua débil saúde contraiu uma pneumonia dupla de que viria a falecer, em Vale de Lobos, em 13 de Setembro de 1877.

 

Estudou Latim, Lógica e Retórica no Palácio das Necessidades e, mais tarde, na Academia da Marinha Real, estudou matemática com a intenção de seguir uma carreira comercial. Descontente com o governo de Miguel I de Portugal, exilou-se na França, onde escreveu os seus melhores poemas. Voltou a Portugal, em 1832, continuou a fazer poesia, como A Voz do Profeta em 1836 e A Harpa do Crente em 1838. No jornal Panorama por volta de 1840; publicou obras de ficção, como Eurico, o Presbítero de 1844, e ganhou fama como historiador; publicou a História de Portugal, em quatro volumes, e História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal.

 

Herculano foi o responsável pela introdução e pelo desenvolvimento da narrativa histórica em Portugal.

 

Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.

 

Herculano deixou ensaios sobre diversas questões polémicas da época, que se somam à sua intensa actividade jornalística. A parte mais significativa da obra literária de Herculano se concentra em seis textos em prosa, dedicados principalmente ao género conhecido como narrativa histórica. Esse tipo de narrativa combina a erudição do historiador, necessária para a minuciosa reconstituição de ambientes e costumes de épocas passadas, com a imaginação do literato, que cria ou amplia tramas para compor seus enredos. Dessa forma, o autor situa acção num tempo passado, procurando reconstituir uma época. Para isso, contribuem descrições pormenorizadas de quadros antigos, como festas religiosas, indumentárias, ambientes e aposentos, topografias de cidades. São frequentes as intervenções do narrador, que tece comentários filosóficos, sociais ou políticos, muitas vezes relacionando o passado narrado com o quotidiano do século XIX.

 

A narrativa de carácter histórico foi desenvolvida inicialmente por Walter Scott (1771-1832), poeta e novelista escocês que escreveu A Balada do Último Menestrel e Ivanhoé, entre outros trabalhos. Também o francês Vitor Hugo (1802-1885) serviu de modelo a Herculano: Hugo escreveu o romance histórico Nossa Senhora de Paris, em que surge Quasímodo, o famoso “Corcunda de Notre-Dame”. A partir desses modelos, desenvolveu-se a narrativa histórica de Herculano, que pode ser considerada o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal.

 

As Lendas e Narrativas são formadas por textos mais ou menos curtos, que se podem considerar contos e novelas. Herculano abordou vários períodos da história da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.

 

O trabalho literário de Herculano foi, juntamente com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Assim, a partir disto, as narrativas históricas foram gradativamente enfocando épocas cada vez mais próximas do século XIX.

 

Fonte: Wikipédia (com algumas alterações de minha autoria)

 

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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Sobe o pano

 

("A Mensagem" de Fernando Pessoa, pelo grupo de teatro TAL) 

 

Onde se solta estrangulado grito

Humaniza-se a vida e sobe o pano.

Chegam aparições dóceis ao rito

Vindas do fosso mais fundo do humano.

 

Ilumina-se a cena e é soberano,

no palco, o real oculto no conflito.

É tragédia? É comédia? É, por engano,

O sequestro de um deus num barro aflito?

 

É o teatro: a magia que descobre

O rosto que a cara do homem cobre,

E reflectidos no teu espelho - o actor -

 

Os teus fantasmas levam-te para onde

O tempo puro que te corresponde

Entre horas ardidas está em flor.

 

Natália Correia

 

publicado por Lagash às 16:23
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009

She’s the one

 

 

I was her she was me

We were one we were free

And if there's somebody calling me on

She's the one

If there's somebody calling me on

She's the one

 

We were young we were wrong

We were fine all along

If there's somebody calling me on

She's the one

When you get to where you wanna go

And you know the things you wanna know

You're smiling

When you said what you wanna say

And you know the way you wanna play

You'll be so high you'll be flying

 

Though the sea will be strong

I know we'll carry on

Cos if there's somebody calling me on

She's the one

If there's somebody calling me on

She's the one

 

When you get to where you wanna go

And you know the things you wanna know

You're smiling

 

When you said what you wanna say

And you know the way you wanna say it

You'll be so high you'll be flying

 

I was her she was me

We were one we were free

If there's somebody calling me on

She's the one

If there's somebody calling me on

She's the one

 

If there's somebody calling me on

She's the one

Yeah she's the one

 

If there's somebody calling me on

She's the one

She's the one

 

If there's somebody calling me on

She's the one

 

Robbie Williams

publicado por Lagash às 16:10
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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Com Fúria e Raiva

 

 

Com fúria e raiva acuso o demagogo

E o seu capitalismo das palavras

 

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada

Que de longe muito longe um povo a trouxe

E nela pôs sua alma confiada

 

De longe muito longe desde o início

O homem soube de si pela palavra

E nomeou a pedra a flor a água

E tudo emergiu porque ele disse

 

Com fúria e raiva acuso o demagogo

Que se promove à sombra da palavra

E da palavra faz poder e jogo

E transforma as palavras em moeda

Como se fez com o trigo e com a terra

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, em "O Nome das Coisas"

 

publicado por Lagash às 16:12
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Terça-feira, 24 de Março de 2009

Toi et moi

 

 

 

 

Ce matin, 3000 licenciés, grève des sapeurs pompiers,

Embouteillage et pollution pour Paris agglomération.

Ce matin, l'Abbé Pierre est mort, on l'enterre sur TF1,

2 clochards retrouvés morts près du canal St Martin.

Ce matin, le CAC va de l'avant, 2 soldats de moins pour l'occident,

10 civiles de tués à Bagdad dans les bras sanglants des Giads.

 

Toi et moi, dans tout ça, on n'apparaît pas,

On se contente d'être là, on s'aime et puis voilà on s'aime.

 

Ce matin, menace de grippe aviaire, trop de fascisme en Bavière,

L'Iran travaille au nucléaire et Areva squatte le Niger.

Ce matin, rapport sur le climat, il ne survivrait que les rats,

Fonte des glaces en Alaska et grosses chaleurs en Angola.

 

Toi et moi, dans tout ça, on n'apparaît pas,

On se contente d'être là, on s'aime et puis voilà on s'aime.

Toi et moi dans le temps, au milieu de nos enfants,

Plus personne, plus de gens,

Plus de vent, on s'aime

Ce matin

 

Ce matin, pendaison de Saddam, l'ONU crie au scandale,

Le Tibet se meurt sous les balles, d'une Chine qui fait son capital.

 

Toi et moi, dans tout ça, on n'apparaît pas,

On se contente d'être là, on s'aime et puis voilà on s'aime.

Toi et moi dans le temps, au milieu de nos enfants,

Plus personne, plus de gens,

Plus de vent, on s'aime

 

Ce matin, il fait presque beau, ça tombe bien je me suis levé tôt

Avec le coq et les oiseaux sans journaux et sans météo.

Ce matin, j'attaque un autre jour,

Avec toi mon amour cette journée durera toujours

On n'en fera jamais le tour

 

Toi et moi, dans tout ça, on n'apparaît pas,

On se contente d'être là, on s'aime et puis voilà on s'aime.

Toi et moi dans le temps, au milieu de nos enfants,

Plus personne, plus de gens,

Plus de vent, on s'aime.

 

Tryo

 

publicado por Lagash às 16:04
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Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Não choreis os mortos

 

(foto de Sergei Ponomarev)

 

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, à solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

 

E, quando à tarde, o Sol, entre brasidos,

Agonizar… guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puras,

Para os que vivem, nudos e vencidos.

 

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer.

 

E, ao meditar, então, na paz da Morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer.

 

Pedro Homem de Mello

 

publicado por Lagash às 16:05
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Domingo, 22 de Março de 2009

The Sacrifice - Soundtrack de "O Piano"

 

 

Grande filme, grande música… por Michael Nyman

 

 

 

publicado por Lagash às 16:15
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Sábado, 21 de Março de 2009

Poesia

 

 

Poesia é a soma de coisas várias

que no total é resultado original.

É a adição de ideias sumárias

que dão um todo especial.

 

De nada vale poesia sem pensamento,

tal como uma prosa sem memória,

seria tentar contar um argumento,

sem dar importância à história.

 

É ler o que está além da imagem,

perder de vista as palavras no sentido,

sentir o aroma de uma vagem,

ao lado de uma frase, perdido.

 

Como é belo o som das letras do momento,

e a magia do que parece, sem parecer.

Lindas são as palavras e o sentimento.

A poesia é o subtil disfarce do ser.

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:03
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Quero apenas cinco coisas

 

 

Quero apenas cinco coisas…

Primeiro é o amor sem fim

A segunda é ver o Outono

A terceira é o grave Inverno

Em quarto lugar o Verão

A quinta coisa são teus olhos

Não quero dormir sem teus olhos.

Não quero ser... sem que me olhes.

Abro mão da Primavera para que continues me olhando.

 

Pablo Neruda

 

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Ser Poeta

 

 

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda gente!

 

Florbela Espanca

 

publicado por Lagash às 10:06
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

O prazer da crítica

 

 

 

"Se há no mundo alguma coisa especialmente díficil

e para a qual, apesar disso,

nos sentimos preparados,

é a arte de criticar."

 

J. L. Martín Descalzo

 

Dizia Dale Carnegie que “a critica é fútil”. Disse também que ao criticarmos alguém ferimos o orgulho dessa pessoa, magoamos o seu íntimo. Não quis, nem se quer para este efeito, analisar o merecimento da crítica ou a pertinência da mesma. Ou até, da intenção da crítica, que pode em determinadas circunstâncias ser a única medida para solucionar um problema. Apenas disse que o era. E é!

 

Não me cabe a mim a elaborada missão de criticar quem critica, se assim o fosse, estaria a incorrer no erro já anteriormente criticado. Não. Antes farei uma incursão pelos momentos deliciosos da crítica, que todos nós já experimentámos e que continuamos a fazer, diariamente sem dó nem piedade.

 

Que sentimos quando apontamos o dedo a um político? Governante? Polícia? Funcionário público? Professor? Colega de trabalho? Ou um mero condutor que se cruza no nosso caminho na estrada? Satisfação? Poder? Ódio? Raiva?

 

Tem tudo a ver com a transferência de energias, diz James Redfield no seu romance best-seller “A profecia Celestina”, e que a crítica será uma das armas de ataque contra o oponente a enfrentar e derrotar, a fim de sugar a sua energia pela vitória, pelo cansaço e aniquilação. Há mestres na crítica e no confronto. Esses bem falantes que conseguem reinar dividindo ("Divide et regna" – como já era usado por Luis XI de França, Filipe II da Macedónia, ou até pelos Césares da Roma imperial) e agraciando o seu próprio ego com a taça de vitória sobre o oponente vencido.

 

O curioso é que a transferência energética fará mais sentido, quando analisada como um fenómeno científico possível, no confronto directo e pessoal, e não à cobarde distância. Ora, sabemos que se pode criticar alguém mesmo quando essa pessoa está ausente, ou simplesmente não nos pode ouvir, certo? Então que tipo de energia é transferida? - a do ouvinte! Ele dá-nos a energia de bom grado. Vejamos um exemplo simples: estou com um qualquer Manel no café e digo – “estes turistas conduzem mal que se farta!”, o outro poderá dizer – “tens toda a razão, pá! Os gajos são uns aselhas!”. Isto criará entre mim e o Manel uma sensação de cumplicidade pela partilha de uma opinião comum. O Manel dá-me um pouco da sua energia e eu agradeço e retribuo, com um sorriso que indicia – “nós é que somos bons condutores – os turistas não prestam!” e partilho um pouco da minha energia. A energia é partilhada e não subtraída aos outros – que coitados (ou não) nem sabem que lhe “cortam a casaca”.

 

A crítica contra terceiros ausentes (chamemos-lhe assim) é muito comum e normalmente resulta numa animada troca de críticas subsequentes que têm exactamente o mesmo objectivo da primeira, como por exemplo (e no seguimento do exemplo dos turistas), “então e os lisboetas? Nem queiras saber, pá!”. E assim por diante na bondade da partilha de cúmplices opiniões contra os outros.

 

Imaginemos agora outra situação de confronto que pode resultar do ”síndrome dos turistas maus condutores”, que é quando o outro diz: “eu sou turista, pá!” (que todos somos ou fomos) ou mais comummente “eu sou lisboeta, pá!” para o caso do alvo serem os ditos. O que pode ter como consequência uma de duas coisas: ou o Manel retrata-se e corrige “nem todos os lisboetas, é os velhos que eu me refiro, pá!” ou então vai à luta e diz “sim pá, tu és um banana ao volante!” o que direcciona a uma discussão directa (com troca de energias a subtrair) e que pode ter mil resultados, entre eles o insulto e a violência, mas que não terá um desfecho muito diferente de vencedor e vencido.

 

Qualquer que seja a situação a crítica tem como objectivo imediato e necessário a satisfação da necessidade de afirmação e poder perante o outro e si próprio de um egoísmo puro e básico.

 

Sugiro a quem possa interessar, onde me incluo a mim próprio, e sem qualquer crítica, que possamos elogiar, louvar, criar, engrandecer, estimar e acariciar, o que está bem e quem temos pela frente, em vez de criticar.

 

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 16:17
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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