Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Soneto

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Lábios

que encontram outros lábios

num meio de caminho, como peregrinos

interrompendo a devoção, nem pobres

nem sábios numa embriaguez sem vinho:

 

que silêncio os entontece quando

de súbito se tocam e, cegos ainda,

procuram a saída que o olhar esquece

num murmúrio de vagos segredos?

 

É de tarde, na melancolia turva

dos poentes, ouvindo um tocar de sinos

escorrer sob o azul dos céus quentes,

que essa imagem desce de agosto, ou

setembro, e se enrola sem desgosto

no chão obscuro desse amor que lembro.

 

Nuno Júdice

publicado por Lagash às 16:22
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Traição

 

(foto retirada de http://semadocante.blogs.sapo.pt/ - desconheço o autor) 

 

Viajo até o ponto mais arrepiante da tua nuca

Percebo o endurecimento do seu corpo

Teus seios

Teus braços

Tua boca

Arrepios

Calafrios

Minha mão decorando teus poros

A ponto de contá-los

Um a um

Conheço o gosto de cada centímetro

Beijos

Cheiros

Misturas

Sinto tremores

Amores

Fisgadas

Calafrios

Minha mão decorando teus pelos

Conheço-os um a um

Cobertura delicada

Da meiga e rija vulva

Que sabe dizer o meu nome

Que me beija

Já não sei onde fica a sua boca

Língua

Mistura

Carnes em estado de fusão

Corpos em estado de tesão

Gozo

Gritos

Beijos

Mentiras

Promessas falsas

Traição

 

Silvio Helder Lencioni Senne

 

publicado por Lagash às 16:14
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Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Amantes

 

(Les Amants por René Magritte) 

 

Amem-se os amantes,

Amados, sarados, pedantes,

Suados, amuados, cedentes,

Amarelados, crentes,

Amiudados, querentes,

Esventrados, centrados, videntes,

Siderados, molhados, presentes.

 

Vivam amantes,

Que se tocam na superfície,

Roçam os lábios sem se tocar,

Beijam a vergonha, berrantes,

Sem ir ao fundo, para que vicie,

Apenas para poder amar…

 

 

(Les Amants por René Magritte - a versão mais conhecida) 

 

Amem, amantes, amados,

Comam, clonados,

Morram, sentidos, sentados,

Caiam, mortos, janados,

Fumem, drogados,

Dopem, éter, anestesiados,

Durmam, deitados,

Sumam, no ar, evaporados,

Voltem, ao ventre, amados…

Amantes.

 

Mário L. Soares

 

 

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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Maria Magdalena

(Mary Magdelen in the Groto por Jules Lefebvre) 

 

Da Magdala és Maria,

Bela e incompreendida

És o cálice que Deus na terra bebia,

És da Galileia aparecida.

 

Beijas o menino com amor,

Amas o rei com o peito,

És discípulo, o maior, em flor,

Bela pela noite no leito.

 

Crias em ti por nascimento,

O berço, pelo homem, do amor,

Barro em ti, fermento

Sara a vida numa cor.

 

Mário L. Soares

 

 

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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Quem és tu, nua mulher?

 

(foto retirada da internet - desconheço o autor) 

 

Quem és tu, nua mulher?

Vagueias pelo meu quarto,

Saltitas pelo meu corpo,

Lambes as minhas pernas…

 

Quem és? Deverei a ti temer?

Muito leve vais a passo,

De um lado para o outro,

Sorris pelas persianas…

 

Quem és mulher, que me fazes tremer?

No falo tocas com desembaraço,

E voas p’lo corpo em alvoroço,

Agarras pelo beiço e me tomas…

 

Quem é que me toca o ser?

Que o meu peito tem caço,

E me leva embora do porto,

Sem saber se a mim me amas…

 

Não sei onde estás…

 

Mário L. Soares

 

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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Lady Godiva

(Lady Godiva, pintura da autoria de John Collier) 

 

Quem te ousa olhar Lady?

Alguém que em ti a vista ponha…

Verá presente de Deus em ti

Será pela última vez que sonha.

 

Conseguiste com o teu abraço,

Conquistar o mundo teu amante,

Fizeste com inteligência um laço,

Pelo amor do povo, teu amante.

 

Que pacto bem estudado,

Jogas as armas do teu ser,

Usas o corpo, bem torneado,

E pedes auxílio a quem não vê.

 

Godiva do encanto do povo,

Que lenda és agora pelo feito teu,

Serás recordada sempre e de novo,

Pelo olhar que é doce meu.

 

Mário L. Soares

 

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Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Adeus Madeira

 

(Machico - Ilha da Madeira) 

 

O som do mar

Nas ondas do tempo

Que eu vejo passar

P’las asas do vento

Olho p’ra frente

A luz traz-me a cegueira

Vou para Oriente

Viro costas à Madeira

 

Mário L. Soares

 

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Sábado, 24 de Janeiro de 2009

Madeira jardim

 

(costa norte da ilha da Madeira) 

 

Madeira, jardim no Atlântico plantada,

Que bela és, romântica estada...

Belas as montanhas, praias, flores,

Lindos os campos, as pessoas e amores,

 

O mar, o teu amante,

A altura das montanhas, impressionante,

O ar puro, água e o sol sem igual,

A vida no seu melhor, real.

 

Peixe, carne, imagens e calma...

Férias, na essência da alma...

 

Mário L. Soares

 

 

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Pato

 

(foto de Fernando Gonçalves em http://fanumnaturalis.blogspot.com/ ) 

 

Pato ganso, ganso pato,

Que voas pelo ar

E me encantas com o teu encanto

E que chorando em pranto

Enches o mar

E comes no meu prato!

 

Gozo com as histórias

Que contas ao regresso...

Do que vês quando estás fora,

E me falas na hora

Mesmo quando não peço,

Dás-me as memórias...

 

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 16:01
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Yes We Can

 

 

Com os melhores desejos de felicidades para o novo Presidente Americano que toma hoje posse.

 

Barack Obama, também aqui em Portugal há quem tenha esperança (HOPE)!

 

Esperança num futuro melhor para todos os que não têm futuro à vista;

Esperança no fim da guerra;

Esperança no fim da fome mundial;

Esperança no fim da injustiça;

Esperança no fim da tortura e maus tratos;

Esperança no fim do racismo, xenofobia e desigualdades;

Esperança no fim dos ataques hediondos ao meio ambiente;

Esperança que os líderes mundiais comecem a pensar nos muitos que não têm nada;

Esperança que o amanhã seja melhor que foi o hoje;

Esperança que a vida ganhe sobre a morte;

Esperança que a saúde ganhe sobre a doença;

Esperança na liberdade;

Esperança na igualdade;

Esperança na fraternidade;

 

Esperança em ti Barack! Muda o teu país e o mundo para melhor. Boa sorte!

 

Mário L. Soares

 

 

 

It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation.

Yes we can.

It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom.

Yes we can. Yes we can.

It was sung by immigrants as they struck out from distant shores

and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness.

Yes we can. Yes we can.

It was the call of workers who organized;

women who reached for the ballots;

a President who chose the moon as our new frontier;

and a King who took us to the mountain-top and pointed the way to the Promised Land.

Yes we can to justice and equality.

(yes we can, yes we can, yes we can, yes we can...)

 

Yes we can to opportunity and prosperity.

Yes we can to opportunity and prosperity.

Yes we can heal this nation.

Yes we can repair this world.

Yes we can. Si Se Puede

(yes we can, yes we can, yes we can, yes we can...)

 

We know the battle ahead will be long,

but always remember that no matter what obstacles stand in our way,

nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change.

We want change!

(We want change! We want change! We want change...)

 

We have been told we cannot do this by a chorus of cynics who will only grow louder and more dissonant.

We've been asked to pause for a reality check.

We've been warned against offering the people of this nation false hope.

But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope. We want change!

(We want change! I want change! We want change! I want change...)

 

The hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA;

we will remember that there is something happening in America;

that we are not as divided as our politics suggests;

that we are one people;

we are one nation;

and together, we will begin the next great chapter in America's story with three words that will ring from coast to coast;

from sea to shining sea - Yes. We. Can.

(yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can, yes we can...)

 

Barack Obama (música de Will I Am)

publicado por Lagash às 16:18
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Nascimento de Eugénio de Andrade

 

(Eugénio de Andrade) 

 

Eugénio de Andrade nasceu no Fundão em 19 de Janeiro de 1923, e faleceu no Porto a 13 de Junho de 2005.

 

Eugénio de Andrade foi o pseudónimo de José Fontinhas Rato, fixou-se em Lisboa em 1932 com a mãe, que entretanto se separara do pai. Estudou no Liceu Passos Manuel e na Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado "Narciso", publicou três anos mais tarde.

 

Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço. Tornou-se funcionário público em 1947, exercendo durante 35 anos as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde. Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, numa casa que só deixou mais de quatro décadas depois, quando se mudou para o edifício da Fundação Eugénio de Andrade, na Foz do Douro.

 

A sua consagração já acontecera dois anos antes, em 1948, com a publicação de "As mãos e os frutos", que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio. Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia, "Os amantes sem dinheiro" (1950), "As palavras interditas" (1951), "Escrita da Terra" (1974), "Matéria Solar" (1980), "Rente ao dizer" (1992), "Ofício da paciência" (1994), "O sal da língua" (1995) e "Os lugares do lume" (1998).

 

Em prosa, publicou "Os afluentes do silêncio" (1968), "Rosto precário" (1979) e "À sombra da memória" (1993), além das histórias infantis "História da égua branca" (1977) e "Aquela nuvem e as outras" (1986).

 

Durante os anos que se seguem, o poeta fez diversas viagens, foi convidado para participar em vários eventos e travou amizades com muitas personalidades da cultura portuguesa e estrangeira, como Joel Serrão, Miguel Torga, Afonso Duarte, Carlos Oliveira, Eduardo Lourenço, Joaquim Namorado, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teixeira de Pascoaes, Vitorino Nemésio, Jorge de Sena, Mário Cesariny de Vasconcelos, José Luís Cano, Ángel Crespo, Luís Cernuda, Marguerite Yourcenar, Herberto Helder, Joaquim Manuel Magalhães, João Miguel Fernandes Jorge, Óscar Lopes, e muitos outros...

 

Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com "essa debilidade do coração que é a amizade".

 

Recebeu inúmeras distinções, entre as quais o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001). Em Setembro de 2003 a sua obra "Os sulcos da sede" foi distinguida com o prémio de poesia do Pen Clube. Viveu em Lisboa de 1932 a 1943. Fixou-se no Porto, a partir de 1950, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais. Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.

 

A obra poética de Eugénio de Andrade foi considerada por José Saramago como uma poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua.

 

Fonte: Wikipédia e outros

 

publicado por Lagash às 10:22
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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

É urgente o amor

 

(Foto de um mural na Escola EB  2/3 de Paranhos do agrupamento Eugénio de Andrade - desconheço o autor da foto http://agrupamento-eugenioandrade.org/index.php?option=com_expose&Itemid=85 ) 

 

É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.

 

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

 

Eugénio de Andrade

 

publicado por Lagash às 16:15
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Sábado, 17 de Janeiro de 2009

Obrigado aos Professores

 

 

 

Obrigado aos Professores

Esses doutos doutores,

Que com belas cores,

Me dão dons conhecedores.

 

Obrigado pelas notas,

Pelas matérias que brotas,

Com histórias e anedotas,

Pela frequência sem batotas!

 

Obrigado pelo puxão de orelhas,

Pelo chocalhar das ideias,

Pelo franzir das sobrancelhas,

Pelo que dizes e aconselhas…

 

Obrigado pelo conhecimento,

Pela base, que é o cimento,

Pelo saber que é documento,

Pelo dito que é nosso fomento.

 

Obrigado pelo ombro amigo,

Por me dares o teu abrigo,

Às vezes, uma palavra ao ouvido…

“Estou aqui, estou contigo!”

 

Obrigado por aí estares,

Obrigado por ao colo me levares,

Por nas alturas certas ajudares,

Obrigado por me apoiares…

 

(segunda versão)

Mário L. Soares

 

 

publicado por Lagash às 16:08
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Mar Português

 

 

(Rochas, da autoria do Bentes) 

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal 

São lágrimas de Portugal! 

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, 

Quantos filhos em vão rezaram! 

Quantas noivas ficaram por casar 

Para que fosses nosso, ó mar! 

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena 

Se a alma não é pequena. 

Quem quer passar além do Bojador 

Tem que passar além da dor. 

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 

Mas nele é que espelhou o céu. 

 

Fernando Pessoa, em “Mensagem”

 

publicado por Lagash às 16:19
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Mar!

 

(Mar Revolto, da autoria de José Santinho) 

 

Mar!

Tinhas um nome que ninguém temia:

Era um campo macio de lavrar

Ou qualquer sugestão que apetecia...

 

Mar!

Tinhas um choro de quem sofre tanto

Que não pode calar-se, nem gritar,

Nem aumentar nem sufocar o pranto...

 

Mar!

Fomos então a ti cheios de amor!

E o fingido lameiro, a soluçar,

Afogava o arado e o lavrador!

 

Mar!

Enganosa sereia louca e triste!

Foste tu quem nos veio namorar,

E foste tu depois que nos traíste!

 

Mar!

E quando terá fim o sofrimento!

E quando deixará de nos tentar

O teu encantamento!

 

Miguel Torga em Poemas Ibéricos - 1965

 

publicado por Lagash às 16:26
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Declaração

Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt

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