Domingo, 6 de Abril de 2008

Caro amigo deus - Capítulo II

Caro amigo deus,

 

O que é que me dizes da política? Qual é a tua opinião sobre o meio ambiente, e o aquecimento global? A fome em África? A sobrepopulação na Índia e na China? O abate de árvores na amazónia e o derrame de petróleo nos mares? A guerra do Iraque e o Comunismo? Os Estados Unidos como polícias do mundo? Qual é a tua opinião sobre isto?

 

Acho sinceramente que os Americanos às vezes abusam, são muito prepotentes e acham que tudo gira à volta deles. Se há qualquer coisa mal no mundo falam como se o país deles fosse o mundo! Dá voltas ao estômago… o mundo não é os Estados Unidos! E às vezes decidir por nós todos é um pouco anti-democrático! Não passei nenhuma procuração ao presidente deles para que tomasse decisões por mim. Até porque, acho que não é o bem-estar da humanidade que é o objectivo da política externa dos EUA, petróleo é mais o seu mote. Estarei errado? Às vezes sinto-me esquisito pensar assim, mas estou a ser sincero e o mais altruísta possível. Tu deverás ter a tua opinião… ou melhor tu tens com certeza a razão e sabes o que deve ou não ser feito. Porque não?

 

Aquecem os pólos, os pinguins e os ursos estão ameaçados, se tudo derrete, ficamos debaixo de água. Será isso que deve acontecer? É essa a nossa sina, o nosso fado? Estaremos a pagar os erros e abusos de séculos de maldade? Que culpa têm os que nascem hoje, relativamente àquilo que os outros fizeram antes? É isso justo? Não quero querer. Não acredito que sejas cruel a esse ponto. Penso em ti como o bem encarnado num ente incorpóreo, e não num político sem escrúpulos que pensa em mal menores quando enfrenta valores irrepreensíveis.

 

Vemos todos os dias desgraças nas notícias. Crianças morrem pela fome, pela doença, pela guerra, pela indiferença humana. O que fazer? Somos nós pequeninos que devemos fazer alguma coisa? Devemos comer menos quando enchemos o prato piramidalmente e nos enfartamos com comida? Ou então não deixar nada no prato para “não desperdiçar comida” como dizem os antigos? Será que fazer alguma das duas vai fazer alguma diferença para o pequeno João que morre à fome em Angola? Eu não posso ir a correr apanhar o avião para mandar o resto da minha comida para ele! Nem penso que deva ter culpa mortal por ter calculado mal a quantidade de arroz que pus no tacho.

 

Será que devo tornar-me voluntário numa dessas acções internacionais para ajudar os carenciados? Farei a diferença? Se salvar uma criança farei é certo… mas e os ricos? Quero dizer, os muito ricos, estou a referir-me aos muito ricos mesmo? Esses que apenas com os juros das suas poupanças podem tanto? Esses vão para o inferno, por não terem partilhado, se calhar, e com razão… mas o João morre na mesma… porque é que não ages nessas situações?

 

Os muito ricos, agem em acções de caridade, por vezes, é certo. Dão quantias enormes de quando em quando (quando as finanças lhes caiem em cima) e nós ficamos muito sensibilizados e até ficamos com vontade de comprar mais produtos informáticos por causa disso. Mas será que dão o que podem? Será que eu dou o que posso? Deverei preocupar-me comigo apenas? Eu contribuo, tu sabes disso! Dou o que posso, quando posso. E sabes bem que nunca vivi “à larga”. Será o suficiente? Não acho.

 

Ajuda-nos. Ajuda-me! Dá-me uma mão e decide por mim!

 

Sabes o que há no nosso coração. Sabes o quanto de bom e o quanto de obscuro temos no nosso coração – então age em conformidade. Pune os que nada de bom têm! Os que de bom têm, então ajuda e encaminha. Peço-te isso.

 

Com todo o respeito e admiração, e sem que queira, de alguma maneira alterar o teu humor, peço-te perdão.

 

Com os melhores cumprimentos

Mário L. Soares

 

publicado por Lagash às 01:19
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