Sábado, 6 de Junho de 2009

Diluente

 

(Foto: GettyImages) 

 

A vizinha do número catorze ria hoje da porta

De onde há um mês saiu o enterro do filho pequeno.

Ria naturalmente com a alma na cara.

Está certo: é a vida.

A dor não dura porque a dor não dura.

Está certo.

Repito: está certo.

Mas o meu coração não está certo

O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida.

 

Cá está a lição, ó alma da gente!

Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,

Quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?

Estou só no mundo, como um pião de cair.

Posso morrer como o orvalho seca.

Por uma arte natural de natureza solar,

Posso morrer à vontade da deslembrança,

Posso morrer como ninguém…

Mas isto dói,

Isto é indecente para quem tem coração…

Isto..

Sim, isto fica-me nas goelas como uma sanduíche com lágrimas…

Glória? Amor? O anseio de uma alma humana?

Apoteose às avessas…

Dêem-me Água de Vidago, que eu quero esquecer a Vida!

 

Álvaro de Campos

 

publicado por Lagash às 16:20
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2 comentários:
De AIMSF a 6 de Junho de 2009 às 19:03
Querer esqueçer a vida é uma frase um pouco forte para quem ama a vida.
Bem mas é um sentimento de Álvaro de Campos e não teu (espero eu).
Será alguma vizinha que te anda a fazer mal?

Bj
De Zinha a 7 de Junho de 2009 às 16:53
A dor não dura??? Qualquer pessoa pode imaginar que uma dor dessas dura para sempre... não consigo pensar de outra maneira ( e nem sequer vou dizer que é por ser mãe!).

De qq forma, diz lá ao teu amigo Álvaro que apesar de só no mundo, todos o recordam ainda, em especial fãs (não me parece uma palavra bem escolhida, mas a minha cabeça cansada não encontra melhor de momento) como tu.

Ah!! A minha mãe manda dizer que água das pedras é que é bom para esses problemas, passe a publicidade...

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