Sábado, 21 de Novembro de 2009
Hora Nostálgica #21 - Unchained Melody

 

 

Oh, my love, my darling

I've hungered for your touch

A long, lonely time

And time goes by so slowly

And time can do so much

Are you still mine?

I need your love, I need your love

God speed your love to me

 

Lonely rivers flow

To the sea, to the sea

To the open arms of the sea

Lonely rivers sigh

"Wait for me, wait for me"

I'll be coming home; wait for me

 

Oh, my love, my darling

I've hungered, hungered for your touch

A long, lonely time

And time goes by so slowly

And time can do so much

Are you still mine?

I need your love, I need your love

God speed your love to me

 

Righteous Brothers

 



publicado por Lagash às 16:28
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Seduzes-me

 

 

Seduzes-me mulher!

Porque me tentas?

Fazes, como quem não quer…

E com todas as falas lentas...

 

Lanças um olhar de soslaio,

como quem brinca, sorris,

das armadilhas onde eu caio,

e levantas, altiva, o nariz…

 

Suaves palavras de seda,

sobe o teu sobrolho nobre,

e com a mão amparas a queda…

 

Sorrio, como eu sou tão minimal,

assim, frágil e pequeno.

E tu, em promontório colossal…

 

Mário L. Soares

 



publicado por Lagash às 16:03
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Aviões

 

 

Gosto de observar, plantado como uma árvore,

a linha que os aviões traçam no céu,

quando sobem rompendo os ares.

É verdade que hoje,

quando bastariam apenas alguns segundos

para que a humanidade desaparecesse num ápice,

debaixo (dizem)

de uma terrível nuvem alaranjada,

voar já não tem mistério.

Porém,

a altiva e bela diagonal

desenhada no azul transparente pelos aviões que partem

enche-me as medidas…

 

João Melo

 



publicado por Lagash às 16:13
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
O teu colo

 

 

Onde eu deito

a cabeça

e descanso…

 

Onde os meus olhos

se fecham de sono

e prazer…

 

Onde é o abrigo

do meu medo

e que alberga…

 

Onde está o quente

do amor que nos une

e brinda…

 

Onde tu és

e eu sou

e nós somos…

 

Mário L. Soares

 



publicado por Lagash às 13:21
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Não fume

 

 

Porque uma imagem, às vezes, vale mais que mil palavras…

 

Celebra-se hoje o dia do não fumador.

 

Não fume… pela sua saúde e pela saúde dos que o rodeiam. Obrigado.

 

Leia o poema

 

Mário L. Soares

 



publicado por Lagash às 16:24
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Voar

 

(Gaivota no porto de Dover - Reino Unido, no ferry do canal da mancha - Maio de 2008, por Mário L. Soares) 

 

 

Penso em ti

e no teu abraço,

no teu beijo

no nosso laço.

 

Gosto de amar

e em ti sorrir

de te olhar

e o céu abrir.

 

De o corpo suar

e de alma oferecida

no éter pairar.

 

Oh, minha querida!

Sinto o coração voar

no meu peito, p’la tua vida.

 

Mário L. Soares

 



publicado por Lagash às 16:05
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Domingo, 15 de Novembro de 2009
Quem disse que não temos talentos? #24 Ouvi dizer

 

 

Ouvi dizer que o nosso amor acabou.

Pois eu não tive a noção do seu fim!

Pelo que eu já tentei,

Eu não vou vê-lo em mim:

Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.

E ao que eu vejo,

Tudo foi para ti

Uma estúpida canção que só eu ouvi!

E eu fiquei com tanto para dar!

E agora

Não vais achar nada bem

Que eu pague a conta em raiva!

E pudesse eu pagar de outra forma!

 

Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã.

E eu tinha tantos planos pra depois!

Fui eu quem virou as páginas

Na pressa de chegar até nós;

Sem tirar das palavras seu cruel sentido!

Sobre a razão estar cega:

Resta-me apenas uma razão,

Um dia vais ser tu

E um homem como tu;

Como eu não fui;

Um dia vou-te ouvir dizer:

E pudesse eu pagar de outra forma!

 

Sei que um dia vais dizer:

E pudesse eu pagar de outra forma!

 

A cidade está deserta,

E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:

Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.

Em todo o lado essa palavra

Repetida ao expoente da loucura!

Ora amarga! ora doce!

Pra nos lembrar que o amor é uma doença,

Quando nele julgamos ver a nossa cura!

 

Ornatos Violeta

 



publicado por Lagash às 16:19
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
Hora Nostálgica #20 - Anzol

 

 

Ai eu já pensei,

Mandar pintar o céu em tons de azul,

Pra ser original

Só depois notei,

Que azul já ele é, houve alguém,

Que teve ideia igual

 

Eu não sei, se hei-de fugir,

Ou morder o anzol

Já não há, nada de novo aqui,

Debaixo do sol

 

Já me persegui,

por becos e ruelas d'horror,

caminhos sem saída

até que me perdi

sozinha sem saber de que cor,

pintar a minha vida

 

Eu não sei, se hei-de fugir,

Ou morder o anzol

Já não há, nada de novo aqui,

Debaixo do sol

 

Rádio Macau

 



publicado por Lagash às 16:15
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Morte do Infante D. Henrique – O Navegador

 

(estátua do Infante D. Henrique da autoria de Leopoldo de Almeida, por ocasião das comemorações dos 500 anos da sua morte) 

 

Morreu a 13 de Novembro de 1460, na Vila de Sagres, no Algarve, o Infante D. Henrique. Nasceu no dia 4 de Março de 1394, no Porto. Morreu portanto com 66 anos.

 

O Infante D. Henrique, filho de D. João I, mestre de Avis e que fundador da geração com o mesmo nome. Ele (o Infante) e seus irmãos constituem a Ínclita Geração – nome atribuído aos filhos de D. João I e Filipa de Lencastre – de que fazem parte, D. Duarte, Rei de Portugal, D. Pedro, Duque de Coimbra, D. Isabel de Portugal, mulher de Filipe III, Duque de Borgonha, Infante João de Portugal, 3º Condestável de Portugal (avô de D. Isabel de Castela e D. Manuel I), e por último D. Fernando, o Infante Santo.

 

Com tais “grandes almas” suas “pares”, como referiu a respeito de seus irmãos, na boca do Infante D. João de Portugal, Fernando Pessoa na Mensagem, o Infante D. Henrique foi talvez o que, de todos, mais se destacou pelos seus feitos de conquista, manutenção e colonização de território, mas principalmente de descoberta. Como foram a descoberta e colonização dos arquipélagos Madeira, os Açores, e Cabo Verde, a passagem do Cabo Bojador e Cabo Branco.

 

O Navegador, como ficou para a história, foi armado cavaleiro e recebeu os títulos de Duque de Viseu, Senhor da Covilhã, e foi Grão-mestre da Ordem de Cristo, sucessora da Ordem dos Templários.

 

Figura altiva e inconfundível é hoje um símbolo nacional adoptado por diversas instituições, organismos e empresas. Foi e é tema de poesia e prosa, e é a figura de destaque num dos mais conhecidos monumentos nacionais – o padrão dos descobrimentos, mandado erigir por Salazar – entre os 30 ilustres aí representados.

 

Mário L. Soares

 



publicado por Lagash às 16:05
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Escreve-me

 

 

Escreve-me! Ainda que seja só

Uma palavra, uma palavra apenas,

Suave como o teu nome e casta

Como um perfume casto d'açucenas!

 

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo

Que te não vejo, amor! Meu coração

Morreu já, e no mundo aos pobres mortos

Ninguém nega uma frase d'oração!

 

"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,

Folhas leves e tenras de boninas,

Um poema d'amor e felicidade!

 

Não queres mandar-me esta palavra apenas?

Olha, manda então... brandas... serenas...

Cinco pétalas roxas de saudade...

 

Florbela Espanca

 



publicado por Lagash às 16:17
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Vinho, Castanha e Papoilas

 

(montagem de minha autoria a partir de imagens retiradas da internet)  

 

São Martinho soldado do império,

Que atravessas os Alpes na intempérie

Para regressares à tua morada,

Voltas à tua casa ansiada.

 

Num abraço solidário, de alma santificada,

Cortas com a tua espada, a encarnada,

A rubra capa que te cobre,

Para com meia agasalhar o que te sai ao caminho - o pobre.

 

Quando tal acontece, tens mesmo ali,

Um milagre de Deus, que é para ti…

O teu Verão aparece e premeia,

A tua acção homenageia.

 

Outros soldados p’la guerra pereceram,

Séculos depois, por todo lado morreram,

E outros ainda, ficaram magoados,

Com membros e corpos estropiados.

 

Todos os dias morrem ainda, com ou sem razão,

Deixando para trás, famílias sem pão,

Ou então, bem pior que a morte,

Deus não dá melhor sorte.

 

A todos esses, que passados ou presentes,

Estão em nossa memória, tal como os seus parentes,

Deixamos a papoila a esvoaçar,

Pois para sempre a Flandres faremos recordar.

 

Beberemos o vinho, comeremos a castanha,

Brindamos a São Martinho e sua façanha,

Lembraremos os mortos na guerra,

Plantaremos no peito, a papoila da terra.

 

Mário L. Soares



publicado por Lagash às 16:00
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
O beijo de Judas

 

 

Aquele que escreve será traído

um dia algum leitor apontará

a palavra interdita

e o sentido escondido no sentido.

O beijo de Judas está dentro da própria escrita

e aquele que escreve está

perdido. De nada serve

dizer este é o meu vinho este é o meu pão.

O beijo de Judas vai ser dado. Quem escreve

tem uma lança apontada ao coração.

 

Não se perdoa a dádiva de si

a canção que se canta ou a breve tão breve

alegria de partilhar o corpo e a palavra.

Quem reparou em Getsemani

naquele que não se ria nem se dava?

Já outra vez se levantou e se deteve

alguém vai ser traído agora aqui

seu olhar te designa: Tu és aquele que escreve

e a tua própria mão aponta para ti.

 

Manuel Alegre

 



publicado por Lagash às 16:20
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Poema da auto-estrada

 

 

Voando vai para a praia

Leonor na estrada preta

Vai na brasa de lambreta.

 

Leva calções de pirata,

Vermelho de alizarina

modelando a coxa fina

de impaciente nervura.

Como guache lustroso,

amarelo de indantreno

blusinha de terileno

desfraldada na cintura.

 

Fuge, fuge, Leonoreta.

Vai na brasa de lambreta.

Agarrada ao companheiro

na volúpia da escapada

pincha no banco traseiro

em cada volta da estrada.

Grita de medo fingido,

que o receio não é com ela,

mas por amor e cautela

abraça-o pelo cintura.

Vai ditosa, e bem segura.

 

Como rasgão na paisagem

corta a lambreta afiada,

engole as bermas da estrada

e a rumorosa folhagem.

Urrando, estremece a terra,

bramir de rinoceronte,

enfia pelo horizonte

como um punhal que enterra.

Tudo foge à sua volta,

o céu, as nuvens, as casas,

e com os bramidos que solta

lembra um demónio com asas.

 

Na confusão dos sentidos

já nem percebe, Leonor,

se o que lhe chega aos ouvidos

são ecos de amor perdidos

se os rugidos do motor.

 

Fuge, fuge, Leonoreta

Vai na brasa de lambreta.

 

António Gedeão

 



publicado por Lagash às 16:17
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Domingo, 8 de Novembro de 2009
Pagu

(grande voz e interpretação de Maria Rita - filha da Elis Regina e César Camargo Mariano) 

 

Mexo, remexo na inquisição

Só quem já morreu na fogueira

Sabe o que é ser carvão

 

Eu sou pau pra toda obra

Deus dá asas à minha cobra

Minha força não é bruta

Não sou freira

Nem sou puta...

 

Porque nem!

Toda feiticeira é corcunda

Nem!

Toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone

Sou mais macho

Que muito homem

 

Sou rainha do meu tanque

Sou Pagu indignada no palanque

Fama de porra louca

Tudo bem!

Minha mãe é Maria Ninguém

 

Não sou actriz

Modelo, dançarina

Meu buraco é mais em cima

Porque nem!

Toda feiticeira é corcunda

Nem!

Toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone

Sou mais macho

Que muito homem...

 

Nem!

Toda feiticeira é corcunda

Nem!

Toda brasileira é bunda

Meu peito não é de silicone

Sou mais macho

Que muito homem...

 

 

Rita Lee e Zélia Duncan

(interpretada por Maria Rita)

 



publicado por Lagash às 16:18
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Sábado, 7 de Novembro de 2009
Quem disse que não temos talentos? #23 (Bem) na minha mão

 

 

Abro os olhos e adormeço

Sem a mente fraquejar

Saio pela manhã

De passagem, coisa vã

Derrapagem

Que a viagem tem princípio, meio e fim

 

Enquanto vergo, não parto

Enquanto choro, não seco

Enquanto vivo, não corro

À procura do que é certo

 

Não me venham buzinar

Vou tão bem na minha mão

Então vou para lá

Ver o que dá

Pé atrás na engrenagem

Altruísta até mais não

 

Enquanto vergo, não parto

Enquanto choro, não seco

Enquanto vivo, não corro

À procura do que é certo

 

Presa por um fio

Na vertigem do vazio

Que escorrega entre os dedos

Preso em duas mãos

Que o futuro é mais

O presente coerente na razão

Frases feitas são reféns da pulsação

 

Susana Félix

 



publicado por Lagash às 16:19
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Declaração
Declaro que a responsabilidade de todos os textos / poesia / prosa publicados é minha no respeitante à transcrição dos mesmos. Faço todos os possíveis para contactar o(s) autor(es) dos trabalhos a fim de autorizarem a publicação, na impossibilidade de o fazer, caso assim o entenda o autor ou representante legal deverá contactar-me a fim de que o mesmo seja retirado - o que será feito assim que receba a informação. Os trabalhos assinados "Mário L. Soares" são de minha autoria e estão protegidos com a lei dos direitos de autor vigente. Quanto às fotografias, todas, cujo autor não esteja identificado, são de "autor desconhecido" - caso surja o respectivo autor de alguma, queira por favor contactar-me para proceder à sua identificação e se for caso disso retirada do blog. Às restantes fotografias aplicarei o mesmo princípio dos trabalhos escritos. Obrigado. Mário L. Soares - lagash.blog@sapo.pt
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